061 Camisa de Ferro

Sobrevivi a Todos os Mundos Pão cozido no vapor e pão recheado 2545 palavras 2026-02-09 14:18:16

— Vamos, Branquinho, vamos correr! — exclamou a filha de Michelle, uma garotinha que montava no Branquinho, agora enrolado feito uma bola. Branquinho, roliço, deitou-se no chão, indiferente ao tumulto da menina sobre suas costas, sem mover um músculo.

A pequena não teve seu desejo atendido; pegou as grandes orelhas de Branquinho, pronta para se irritar. Mas, antes que pudesse agir, o rabo de Branquinho enrolou-se em sua cintura como uma corda, erguendo-a e balançando-a no ar. A menina explodiu em gargalhadas de alegria.

— De novo, de novo, mais rápido! — apelava ela com voz pura e infantil, instigando Branquinho. Ao observar a cena, Yecheng temia que o tigre, com um movimento, pudesse lançar a menina barranco abaixo.

Felizmente, Branquinho herdara a inteligência materna. Sabia distinguir entre uma refeição farta e uma escassa.

— Você estragou esse tigre — comentou Yecheng, sem palavras diante do comportamento de Branquinho.

— É só um mascote, ninguém espera que ele seja um grande guerreiro. Mas não se engane, se ele se irritar, pode ser bem feroz — respondeu Zhang Yuan, sorrindo. — Mestre, não quer ficar mais um pouco?

— Você veio com dificuldade, vai embora sem ao menos comer? — insistiu ela.

— Tenho medo que me drogue para se aproveitar de mim — replicou Yecheng, lançando um olhar a Zhang Yuan antes de sair.

— Hmpf, quem quer saber! — murmurou Zhang Yuan, contrariada ao vê-lo descer a montanha.

— E você, está olhando o quê? Já terminou sua lição? Venha cá, hoje eu mesma vou corrigir o trabalho de vocês! — bradou a líder, descontando sua má disposição nos discípulos, que rapidamente retornaram ao chamado.

— É uma honra ser avaliado pela líder!

— Líder, tive dificuldades em alguns pontos, pode me ensinar?

O burburinho atrás de Yecheng fez com que ele sorrisse de canto. Gostava do clima atual do Portão do Tigre Selvagem: todos unidos, como uma família. Sabia que esse estado mudaria com o tempo, mas o que importava era o presente.

— Espero que possam manter isso por mais tempo — suspirou ele, afastando pensamentos e seguindo para o vilarejo de Kaoshan.

Desde que Yecheng se estabelecera nesse mundo, no vilarejo de Kaoshan, treze anos haviam se passado. O vilarejo transformou-se por completo: as antigas casas de madeira deram lugar a pátios elegantes, crianças e mulheres antes pálidas agora exibiam faces rosadas, e os homens, que antes arriscavam a vida caçando nas montanhas, mantinham agora essa atividade apenas como competição honrosa, não mais como sustento.

A população, porém, pouco aumentou. Desde que Yecheng se tornou líder, o vilarejo não acolhia muitos forasteiros; os mesmos de antes permaneciam, com exceção das esposas que chegaram e das crianças nascidas dos jovens.

— Mestre, Xu Fu foi aprovado como erudito — ouviu Yecheng ao chegar, recebendo a alegre notícia.

Cada um tomava seu rumo: Zhang Yuan seguiu o mundo das artes marciais, enquanto Xu Fu buscava a carreira oficial, almejando cuidar do povo.

Wang Hu adornou Xu Fu com uma flor vermelha, arrastando-o até o templo dos ancestrais. — Você é o primeiro erudito do vilarejo, honra e glória! Venha contar aos antepassados.

Ao acender incenso para os ancestrais, especialmente pela conquista de Xu Fu, Yecheng, como líder, participou do ritual. O clima era festivo; Xu Fu, tímido, ajoelhava-se diante dos antepassados, o rosto ruborizado pelas congratulações.

Após as comemorações, Xu Fu recebeu convidados em casa; só depois, a calma voltou.

— Parabéns, rapaz, agora é erudito, mais perto do seu sonho — disse Yecheng, ao entardecer, batendo no ombro do jovem, orgulhoso.

Embora seus alunos não fossem muitos, cada um tinha um sonho e seguia seu caminho, trazendo a Yecheng um verdadeiro sentimento de realização.

— Tudo isso é mérito do senhor. Sem o senhor, nem teria vindo a este mundo — agradeceu Xu Fu, reverente, influenciado pelos pais.

Yecheng lhe deu um tapa na cabeça. — Não diga essas bobagens. Foi seu esforço, seu mérito.

— Cultive a gratidão e trate os outros com sinceridade; assim, receberá sinceridade em troca. Mas não permita que a gratidão vire uma amarra; entendeu?

Yecheng detestava qualquer tipo de prisão, principalmente aquelas em nome do amor. Transmitia esse princípio aos alunos.

— Sim! — respondeu o rapaz, massageando a cabeça dolorida, em concordância.

— Já que veio hoje, vai me ajudar no treino — disse Yecheng, tirando a camisa e revelando músculos firmes e longos, sem excesso, apenas força masculina.

Assumiu a postura de cavalo, circulando energia interna, sem demonstrá-la externamente. — Pronto, pode começar — instruiu, e Xu Fu, sem hesitar, golpeou-o com o bastão de ferro.

Os golpes se sucederam, da cabeça aos pés, exceto nas partes mais frágeis. Esse exercício era a base do treinamento da Camisa de Ferro.

Se a Palma de Areia treinava a pele, a Camisa de Ferro fortalecia carne e ossos, além da pele, embora não tão eficaz nesse aspecto.

Primeiro, usavam bastões de madeira até resistirem facilmente. Depois, bastões de pedra, até suportarem sem esforço. Seguia-se o bastão de ferro, até a mesma resistência.

Retornava-se ao bastão de madeira, agora com pontas rombas; o objetivo era que os músculos não sofressem danos. Depois, bastão de pedra com pontas, e por fim, bastão de ferro com pontas, sempre buscando que os músculos permanecessem intactos.

O ciclo repetia-se, com as pontas cada vez mais afiadas, até que nada pudesse perfurar a carne. Então, a Camisa de Ferro estava completa.

Claro, esse processo exigia banhos de ervas valiosos e energia interna poderosa; caso contrário, era autodestruição.

Por essa busca extrema, a Camisa de Ferro era popular, mas poucos atingiam o auge; o comum era resistir apenas às pontas rombas.