O Livro da Estabilidade

Sobrevivi a Todos os Mundos Pão cozido no vapor e pão recheado 2489 palavras 2026-02-09 14:18:07

Tudo seguia seu curso de maneira ordenada.

O vilarejo da Serra mantinha suas atividades dentro da lei, e num piscar de olhos, cinco anos se passaram.

Durante esse tempo, a rotina era sempre a mesma, dia após dia. Ninguém buscava problemas e, ao menor sinal de confusão, resolviam tudo com dinheiro. Assim, o vilarejo atravessou cinco anos de paz e tranquilidade.

A população aumentou em quinze pessoas nesse período.

Três delas foram mulheres trazidas de fora para casar com rapazes do vilarejo, sete eram recém-nascidos, e os cinco restantes eram uma família que chegara de longe, vagando, e por acaso passaram pela Serra. O chefe dessa família era ferreiro, uma habilidade até então inexistente no vilarejo. Assim, resolveram ficar.

Além do aumento da população, o morro ao lado, onde antes só havia mato, transformou-se em terraços de arrozais. As águas ondulavam, as mudas cresciam viçosas, e peixes saltavam de vez em quando entre as plantações. No total, eram cerca de trezentos hectares de arrozais. A produção não era das melhores, mas era suficiente para alimentar todos com sobras.

Na cidade, tanto a loja de peles quanto o restaurante de pratos medicinais à base de coelho prosperavam, tornando-se fontes constantes de riqueza. No último ano, os lucros líquidos de cada uma chegaram a mil e oitocentas barras de prata, respectivamente.

Pode parecer pouco se comparado aos números grandiosos das novelas de época, mas, traduzindo para valores atuais, equivaleria a mais de quatro milhões por ano.

Considerando que o vilarejo tinha apenas cinquenta e cinco pessoas, esse lucro anual era uma verdadeira fortuna para uma comunidade tão pequena.

Graças a essa riqueza acumulada, a Serra foi se modernizando ano após ano, trocando ferramentas rústicas por equipamentos modernos, melhorando as casas, adquirindo mais animais, reformando a escola e investindo em novos instrumentos agrícolas...

A qualidade de vida e as condições do vilarejo melhoraram consideravelmente.

Naquela manhã, Ye Chen dava aula normalmente na sala iluminada.

Atualmente, a turma contava com doze alunos.

Em comparação aos antigos estudantes, a média de idade havia caído bastante. Oito deles tinham menos de dez anos, e quatro tinham apenas cinco. Em parte, a escola também funcionava como creche.

Além de lecionar, Ye Chen também cuidava das crianças.

Os alunos mais velhos — Zhang Redonda, Mi Xue, Wang Min e Li Sanhu — já haviam se formado. Saíram da escola aos dezesseis, dezessete anos, um pouco cedo talvez, mas Ye Chen não tinha mais o que ensinar.

Além disso, naquela época, um jovem de dezesseis ou dezessete anos já era considerado adulto.

— Wang Biao, se você jogar outra lagarta verde na cabeça da Xiaohua, vou te jogar no ninho das lagartas! Vou fazer elas subirem pelo seu corpo, entrarem pelo seu nariz, pela boca, até você virar uma lagarta verde durante a noite! — ameaçou Ye Chen.

Sempre aparecia uma criança travessa durante o estudo livre. Wang Biao, filho de Wang Hu e Tigresa, era o mais inquieto de todos.

— Professor, não vou mais fazer isso... — respondeu o garoto, assustado, apesar de sua fama de durão.

Ele sabia que o professor sempre cumpria o que dizia.

Certa vez, seu amigo de infância, Xu Fu, aprontou e foi jogado de verdade no covil dos tigres. Quando voltou, levou mais de um mês para dormir sem molhar a cama.

Vendo que os pequenos estavam comportados, Ye Chen fechou os olhos e balançou-se suavemente na cadeira de balanço, aproveitando o sol e a paz.

Logo depois, a aula terminou e as crianças correram para fora como se fossem libertas.

Nesse momento, Zhang Redonda, agora com o rosto mais alongado, vestida com um vestido verde, entrou no pátio de Ye Chen cheia de indignação.

Normalmente, ela aproveitaria para pregar uma peça nos colegas mais novos.

Mas hoje passou direto, sem brincar com ninguém — estava mesmo zangada.

— Por que está tão brava? — perguntou Ye Chen, equilibrando-se sobre os troncos de madeira do jardim, movendo-se com elegância, quase como se flutuasse ao vento, apoiando-se apenas nas extremidades dos troncos que pareciam prestes a ceder, mas nunca quebravam.

— Professor, por que precisamos pagar para aqueles malandros? — reclamou a jovem, olhando para Ye Chen.

— Para evitar problemas maiores — respondeu ele, calmamente.

As palavras de Zhang Redonda eram um pouco desconexas, mas Ye Chen entendeu de imediato. Apesar de possuírem licença de isenção fiscal de cinco anos, no comércio da cidade, sempre apareciam marginais exigindo dinheiro em troca de proteção.

Nos últimos dias, ela estivera ajudando no restaurante e provavelmente presenciou uma dessas cobranças.

— Mas aqueles sujeitos o senhor poderia espantar com um só gesto! — insistiu a menina, com o rosto corado de raiva, parecendo um baiacu. Ela quis revidar na hora, mas seu pai a impediu, dizendo que era ordem do professor. Só assim ela se conteve.

— Professor, se o senhor não quiser se incomodar, deixe comigo! Eu sozinha derrubo todos eles! — disse ela, erguendo os punhos rosados. Apesar do tamanho, era bem forte e daria conta facilmente dos malandros.

Descendo levemente dos troncos, Ye Chen bagunçou o coque da jovem e disse:

— Já esqueceu o que te ensinei logo que saiu da escola?

— Recite para mim o Poema da Prudência.

— Professor, não é a mesma coisa, isso... — tentou argumentar, mas diante do olhar severo de Ye Chen, seu rosto de baiacu murchou e ela recitou, desanimada:

— “Venho e vou, sem me intrometer, diante da injustiça, busco forças em mim.
Com muitos amigos, não há do que fugir, com poucos, infortúnios evitar.
Evite criar inimigos, pois o perigo é certo; ao atacar, levante poeira.
Busque aliados, encoste-se aos fortes, sem arrogância, sem se diminuir.
Desejos secretos trazem desgraça, aceita o destino e depois se aperfeiçoe.
Com o dinheiro à frente, caminhe com prudência, observe tudo, pois infortúnios nunca cessam.
Mesmo que o tesouro seja bom, não o tome à força, espere a oportunidade e conquiste-o com sabedoria.
No passado, um certo bondoso foi traído, e o fim foi trágico.
Em tempos de paz, pense nos perigos, aja com cautela, rejeite o destino cego.
Quem se exibe, cedo ou tarde é esmagado; não busque glória, apenas cumpra seu dever.
O caminho é longo, mas o coração tem limites; siga firme, não se perca em sonhos vazios.
Quanto mais confusão, menos plenitude; não se prenda a muitos laços.
Hoje, ouvir o caminho é difícil; o Poema da Prudência deve acompanhar sempre.”

Ye Chen havia decorado esse poema de um vídeo curioso que assistiu nos tempos modernos, não lembrava do texto completo, mas o que sabia já bastava para ensinar os jovens.

— Então, se não esqueceu, qual a dúvida? — perguntou Ye Chen, tirando a mão da cabeça da menina.

— Com o dinheiro à frente, caminhe com prudência, não sabe o que significa?

Percebendo que ela não se daria por satisfeita sem uma explicação, Ye Chen resolveu continuar. Os jovens tinham o coração cheio de sonhos e justiça. Para que seguissem de fato os ensinamentos do Poema da Prudência, era preciso paciência.

— É só dinheiro, nada mais.

— Você acha que aqueles malandros conseguem andar pela cidade cobrando taxas de proteção por quê?

— Acha que os guardas da delegacia, com salários tão baixos, moram em grandes casas por quê?

— Por que acha que nenhuma outra loja resiste?

— E se você resolver o problema deles, acha que ninguém mais virá cobrar no futuro?