006 Não se pode desperdiçar a essência

Sobrevivi a Todos os Mundos Pão cozido no vapor e pão recheado 2350 palavras 2026-02-09 14:17:26

No dia seguinte, retornaram à Vila do Pé da Montanha. Como Wang Yang quis acompanhá-los, o ritmo da viagem diminuiu muito para respeitar as limitações do idoso. Partiram ao amanhecer e só chegaram ao entardecer.

— Então aqui é a Vila do Pé da Montanha?

Ye Chen voltou à vila, seguido por Wang Yang. Acostumado a viajar por todos os cantos, Wang Yang já presenciara lugares ainda mais pobres, por isso não se surpreendeu. No entanto, admirou-se por seu discípulo conseguir permanecer tranquilamente num lugar tão remoto, o que lhe causou verdadeira admiração.

Tão jovem e já com um espírito tão sereno e estável!

— Mestre, minha casa tem dois aposentos. O senhor fica no quarto do leste, eu fico no do oeste.

O mestre decidira fazer uma visita, e Ye Chen não podia recusar, pois poderia parecer que queria apenas se aproveitar da técnica. Já que o mestre viera, Ye Chen fez questão de acomodá-lo da melhor forma possível.

— Aqui não é como na cidade do condado. Tudo é simples e rústico. Se algo ficar aquém, peço que não se aborreça.

— Para que essas palavras vazias comigo? — Wang Yang balançou a cabeça diante das formalidades de Ye Chen. — Não se preocupe. Já dormi ao relento muitas vezes, não é nada demais.

Balançando a cabeça, Wang Yang tirou de dentro do casaco um pequeno livreto de capa azul e entregou a Ye Chen.

— Aqui está a técnica da Eterna Primavera que você quis. Sobre os detalhes do cultivo, não entendo muito, mas ao folheá-lo ao longo dos anos, fiz algumas anotações sobre os pontos de circulação da energia e dos meridianos. Espero que lhe seja útil.

— Muito obrigado, mestre.

Recebendo o livreto azul, Ye Chen agradeceu solenemente, tomado de alegria.

— Não precisa agradecer. Se você conseguir dominá-la, será uma honra para esta técnica encontrar um verdadeiro discípulo. — Wang Yang sorriu. — O dia já está terminando e estou cansado da viagem. Vou descansar. Dedique-se ao estudo da técnica.

Dizendo isso, Wang Yang dirigiu-se ao quarto preparado para ele.

Com o mestre recolhido, Ye Chen levou o manuscrito para o quarto do oeste.

Acendeu a lamparina e, sob a fraca luz, começou a folhear o livro.

"Diz a lenda que, nos tempos antigos, havia uma grande árvore chamada Da Chun, que levava oito mil anos para florescer na primavera e outros oito mil anos para perder as folhas no outono..."

A técnica começava de maneira elevada, citando mitos antigos para estabelecer seu propósito: permitir que o praticante alcançasse a longevidade, imitando a árvore que mantém a primavera por oito mil anos.

A técnica não trazia divisões claras de níveis, mas tinha um único princípio essencial: transformar a essência em energia!

Por meio da estimulação de certos meridianos e pontos de energia, buscava-se ativar o potencial do corpo, levando-o ao estado de eterna juventude.

Após um mês de experiências, Ye Chen ainda não compreendia todos os efeitos de cada meridiano e ponto, mas já sentira boa parte em si. Observando as descrições do fluxo da energia vital no livro, simulou mentalmente o percurso.

Na teoria, de fato, os meridianos e pontos por onde a energia circulava eram conhecidos por prolongar a vida.

Mais ainda, ao conduzir a energia vital por esses caminhos dispersos, conectando seus efeitos, fortalecia-se a função do fígado, aprimorando a capacidade de purificação do corpo e, assim, alcançando o estado de eterna juventude.

“Vamos tentar.”

Pensar nada mais era que ilusão; precisava pôr em prática.

Sentou-se de pernas cruzadas na cama, acalmou a mente e concentrou o espírito no baixo-ventre.

Manteve-se imóvel, com toda a atenção voltada para o interior do corpo.

No entanto...

Sem relógio, não sabia quanto tempo se passara.

Mesmo assim, após ficar tanto tempo sentado, sentia as pernas dormentes e ainda não percebia qualquer sensação clara.

— É muito difícil...

Levantou-se da cama, mexeu as pernas, foi até a janela e olhou para a lua cheia no céu noturno. Depois de algum tempo, a inquietação foi se dissipando.

Voltou para a cama, sentou-se de novo em meditação.

Dessa vez...

Adormeceu sem perceber.

No dia seguinte, Wang Yang, que acordara cedo, olhou para Ye Chen, que preparava o desjejum.

— E então, discípulo, sentiu o fluxo de energia ontem à noite?

— Acabei dormindo — respondeu Ye Chen, sem rodeios.

Wang Yang ficou momentaneamente sem palavras.

Mas, em seguida, caiu na gargalhada.

Afinal, era apenas a primeira noite tentando. Não conseguir entrar no caminho já era esperado. Mas dormir no processo...

O motivo dado por Ye Chen fez Wang Yang rir ainda mais.

Diante do olhar ressentido do discípulo, Wang Yang conteve o riso, bateu-lhe no ombro e disse com seriedade:

— Eu nunca pratiquei técnicas internas, não posso te dar muita orientação. Mas, pelo que dizem os praticantes, encontrar a sensação do fluxo de energia é o mais difícil. Tem gente que leva meses ou até um ano. Você só tentou uma noite, não é nada demais.

— Não estou com pressa.

Sorrindo, Ye Chen passou os hashis para Wang Yang.

— Mestre, prove o mingau de verduras silvestres que preparei.

Pegando os hashis, Wang Yang provou duas colheradas e seus olhos brilharam. O sabor era simples, mas perfumado.

— Você sempre cozinha para si?

— Para nós, que somos médicos, não precisamos ser tão rígidos como os estudiosos, que acham que um verdadeiro cavalheiro não põe a mão na cozinha. Mas você já não é tão jovem. Está na hora de encontrar uma esposa, alguém para cuidar da casa.

A mudança repentina de assunto deixou Ye Chen confuso. Como assim, de repente, falar em casamento?

Mas, na verdade...

Ye Chen até gostou da ideia.

Não era nenhum asceta, só não encontrara alguém adequado até então.

Na vila, havia poucas mulheres e todas já comprometidas, além de não serem bonitas.

Na cidade de Shi, Ye Chen já passara um mês e também não vira muita beleza por lá.

— Tenho alguns conhecidos em Shi — disse Wang Yang, sorrindo. — Algumas moças de boas famílias ainda não se casaram. Quando voltarmos, posso pedir a uma casamenteira que faça algumas apresentações para você.

— Está falando das filhas da família Wang e da família Li?

Depois de um mês na clínica de Wang Yang, Ye Chen sabia com quem o mestre convivia.

— Já que sabe, não preciso dizer mais nada. Aceita ou não? — perguntou Wang Yang, sorrindo.

Ye Chen balançou a cabeça rapidamente.

— Não quero, mestre. A filha dos Wang tem marcas no rosto, a dos Li tem as pernas curtas. Não gosto de nenhuma delas.

Wang Yang ficou sem palavras.

— Discípulo, você sabia que, para casar, o importante é a virtude?

— Nada impede que você case com uma esposa principal e depois tome concubinas — disse Wang Yang, com ares de quem entendia do assunto.

Concubinas?

Ye Chen, adaptado aos costumes locais, gostou da ideia.

Mas mesmo para concubinas, a esposa principal não podia ser feia!

— Mestre, não se preocupe com isso. Sei o que estou fazendo. Agora quero me dedicar ao cultivo, não é hora de casar. O senhor sabe que, para treinar a energia vital, é preciso transformar a essência, e eu ainda nem senti o fluxo da energia.