Aula 024

Sobrevivi a Todos os Mundos Pão cozido no vapor e pão recheado 2619 palavras 2026-02-09 14:17:39

Bum! Bum! Bum! Assim que soube que mãe e filho estavam bem, ao ver o rosto exausto, mas sorridente, da esposa, e o filho, ainda com aquele rostinho amassado e feio, Ahé saiu para o pátio e, sem dizer uma palavra, começou a bater a cabeça no chão em sinal de gratidão.

"Já chega, se continuar assim vai acabar com traumatismo craniano e eu não vou poder fazer nada", disse Ye Chen, balançando a cabeça. No momento, ele não tinha nem forças para ajudar o sujeito a se levantar. Durante o parto, muita coisa foi contida por pura força de vontade, mas depois, o peso psicológico das dezenas de vezes que reviveu, somado ao impacto daquele parto, fizeram Ye Chen sentir que precisava de um tempo para superar o trauma.

"Fique com Hua, você não sabe, ela só pedia para salvar o bebê durante todo o tempo", disse ele.

"Ahé, escute o mestre, volte para junto da Hua, eu levo o mestre de volta", disse Wang Hu, que esteve ao lado de Xu He o tempo todo, percebendo o cansaço de Ye Chen.

"Está bem, mestre, descanse. Assim que Hua melhorar, amanhã mesmo irei visitá-lo", respondeu Xu He, solenemente.

"Mestre, o senhor salvou a vida de toda a minha família hoje. Eu não sou bom com palavras, mas esta gratidão jamais esqueceremos. Se algum dia precisar de algo, basta pedir, darei minha vida se for preciso", declarou Xu He, ajoelhando-se novamente à porta da casa quando Ye Chen já estava de saída.

Ouvindo a promessa sincera de um homem de ferro, Ye Chen não respondeu. Apenas acenou com a mão e virou-se para ir embora.

"Ter um mestre como o senhor aqui em Vila Kaoshan é realmente uma bênção dos céus", comentou Wang Hu, enquanto caminhava de volta com Ye Chen.

"Não precisa dizer isso. Um ano atrás, você não hesitou em me acolher, foi uma honra para mim", respondeu Ye Chen, sinceramente.

Apesar de possuir a habilidade de não morrer nem desaparecer, a sensação de completo desconhecimento e falta de apoio ao chegar ali foi um choque profundo. Naquele momento, a hospitalidade da família de Wang Hu foi um grande conforto para Ye Chen.

Em tempos difíceis, um prato de mingau pode ficar gravado para sempre na memória. Quando se tem tudo, nem as melhores iguarias do mundo passam de um prazer passageiro.

"Bem, irmão Hu, pode voltar, eu estou bem. Só preciso dormir e descansar um pouco", disse Ye Chen ao chegar em casa, dispensando Wang Hu.

Sozinho, deitou-se e dormiu profundamente. O cansaço que sentia era indescritível; só dormindo e esvaziando a mente conseguiria se recuperar.

Dormiu um dia e uma noite inteiros. Só acordou no dia seguinte.

"Mais um dia revigorante", disse, espreguiçando-se. O cansaço da véspera desaparecera e a energia voltara. O dia já estava avançado, mas não podia perder tempo. Levantou-se imediatamente para preparar a areia de ferro e começou a treinar a Palma de Areia de Ferro.

Terminando a sequência de exercícios e o café da manhã, já era hora da aula. As crianças da aldeia chegaram correndo, cheias de energia.

"Mestre, ouvi dizer que ontem foi o senhor quem fez o parto da tia Hua?"

"Minha avó falou que, se não fosse pelo senhor, a tia Hua não teria conseguido salvar o bebê..."

"Mestre, homem pode fazer parto também?"

"Mestre..."

Um a um, ainda pequenos, mas bem curiosos. Não havia jeito, numa aldeia tão pequena, com tão poucas novidades diárias, não existiam segredos; qualquer coisa que acontecesse logo era de conhecimento geral.

"Mestre, quero aprender medicina, quero ser médica e salvar vidas. O senhor pode me ensinar?", perguntou de repente uma menina de doze anos, Mi Xue, que vivia só com o pai.

Talvez por crescer sem mãe, aquela menina alta, de pele tão branca quanto a neve, rosto delicado, era muito tímida e nunca pedia nada, mas agora tomava a iniciativa.

Vendo os olhos cheios de esperança, Ye Chen sorriu: "Pequena Xue, por que de repente quer aprender medicina?"

"Meu pai contou que minha mãe morreu ao tentar me dar à luz", respondeu Mi Xue, hesitante.

Ye Chen ficou surpreso. Mesmo após um ano na vila, não sabia dessas histórias antigas, pois nunca perguntara.

Aproximou-se e afagou a cabeça da menina, sorrindo: "Está bem, vou te ensinar medicina."

"Mestre, eu também quero aprender!"

"Eu também!"

Criança é assim: se um quer, todos querem também. Mas quando começassem de fato, logo se arrependeriam.

"Chega de barulho." Batendo levemente com a régua nos mais animados, Ye Chen disse: "Se vocês querem aprender, eu ensino, mas antes disso, tratem de prestar atenção nas aulas e praticar bem o que ensino de energia vital."

Depois de acalmar o entusiasmo, Ye Chen iniciou a aula.

De manhã, teoria: clássicos, matemática. À tarde, educação física: treino de boxe, meditação, prática da percepção da energia.

A escola tinha dez alunos, mas depois que Wang Lin e Huniu se casaram e foram embora, restaram oito.

O mais velho tinha treze anos, o menor, cinco. Dos oito, três já conseguiam sentir a energia: Zhang Yuanyuan, Mi Xue e Wang Min.

Wang Min era um garoto, o mais velho, magro, rápido, por isso recebeu o nome "Min", que significa ágil. É claro que Wang Lin e Huniu, que deixaram a escola, também já haviam despertado a percepção da energia.

Os menores, por serem muito jovens, ainda não tinham corpo preparado e não podiam praticar a transformação da essência em energia vital.

Deixar que praticassem antes era, além de acalmá-los, uma forma de dar experiência.

Mesmo sem conseguir cultivar energia vital, podiam praticar o Boxe do Grande Patriarca.

No trato com Lin Tie, ele não proibira Ye Chen de ensinar o boxe a outros. Talvez tivesse achado que algo tão valioso seria guardado em segredo.

"Levante mais o braço, não fique sempre mole", instruía Ye Chen, corrigindo a postura dos pequenos enfileirados, que, entre risos, repetiam os movimentos.

"Mestre, mas se eu levantar mais o braço e meu inimigo for mais baixo, a pancada não vai acertar!"

O menino obedecia, mas a dúvida permanecia. Ainda crianças, não haviam sido moldados pelos rígidos costumes do mundo, por isso ousavam questionar até o mestre.

Ye Chen sorriu, satisfeito. Era bom que não treinassem mecanicamente e tivessem suas próprias ideias.

"Você pode golpear para cima ou para baixo, mas o antebraço precisa estar reto. Se não estiver, a força não é transmitida direito, e mesmo que acerte o adversário, será como fazer cócegas."

O que parece um gesto rígido não é à toa. A postura correta foi desenvolvida após muita reflexão para liberar o máximo de força.

"Por isso, lembrem-se: não pensem que um pequeno erro não faz diferença. Faz, sim, muita diferença!"

"E nada de se achar mais esperto, achando que sua ideia é melhor, pois geralmente é só mais tola."

"O boxe exige flexibilidade, adaptação, golpes e força conforme a situação, mas isso só vem depois de dominar a base. Agora, se nem o básico conseguem fazer direito, como pensar em avançar?"

"Ter dúvidas é bom. Anotem todas. Quando dominarem a base, muitas coisas ficarão claras naturalmente."