033 Troca de Experiências
— Mestre, parece que não precisam de mim como guarda-costas.
Observando o grupo de guarda-costas trazidos pelo tal tio mestre Sun Hua, além de um guia profissional, Ye Chen sentiu que sua presença era praticamente inútil.
Com um tapa na cabeça de Ye Chen, o mestre Wang Yang resmungou impaciente:
— Tolo!
— Você acha mesmo que estou mandando você ir para atuar como guarda-costas? Vá junto, garanta pelo menos dois frutos de vermelhão para trazer de volta, entendeu?
— Agora está praticamente confirmado: há mesmo frutos de vermelhão naquela floresta. Você não gosta tanto de praticar artes marciais? Se conseguir comer um, ele irá purificar seu corpo e fortalecer seus ossos. Será de grande ajuda para o seu futuro.
Ouvindo aquelas palavras, Ye Chen ficou um pouco surpreso.
Ora essa!
Ele realmente não havia pensado nisso, mas... não é à toa que é um verdadeiro mestre para ele.
— Mestre, afinal, qual é a origem do meu tio Sun? Aqueles guarda-costas parecem todos ter treinamento militar. O senhor nunca nos contou nada sobre ele — elogiando seu mestre com um discreto polegar, Ye Chen perguntou em voz baixa.
— Não há nada de especial, apenas cuida da saúde de algumas figuras importantes da capital — respondeu Wang Yang com indiferença. — No passado, fomos discípulos do mesmo mestre, mas, em talento e sorte, nunca consegui superá-lo.
Olhando para Wang Yang, Ye Chen percebeu um certo pesar em suas palavras.
— Pronto, pare de perguntar tanto. Prepare-se e vá junto com eles. Lembre-se: está indo buscar bons frutos, não para ser o primeiro a enfrentar o perigo. Se algo acontecer na floresta, deixe os guarda-costas resolverem, e você se mantenha em segurança.
— As feras ao redor do fruto de vermelhão não podem ser enfrentadas com lógica comum, tenha muito cuidado.
— Fique tranquilo, mestre. Vou trazer um fruto de vermelhão para o senhor — Ye Chen respondeu sorrindo.
No dia seguinte, Ye Chen partiu com o tio Sun rumo às montanhas profundas ao norte.
— Chen, ouvi dizer que você gosta mesmo de artes marciais? — perguntou Sun Hua, sorrindo, durante o trajeto.
— Aprendi o Punho Longo do Patriarca com o mestre Lin, da Companhia Dragão, e também o Punho de Areia de Ferro com um ancião — respondeu Ye Chen em voz baixa.
— Punho Longo do Patriarca e Punho de Areia de Ferro? — Sun Hua balançou a cabeça, dizendo: — São técnicas básicas de iniciação. O Punho de Areia de Ferro, inclusive, pode ser prejudicial ao corpo. Se deseja progredir no caminho das artes marciais, precisa estudar técnicas internas avançadas e estilos superiores. Caso contrário, mesmo que treine o Punho Longo do Patriarca até o fim da vida, não passará do terceiro escalão.
— Em Pequim, há muitas escolas. Tenho amizade com alguns mestres. Se vier à capital, posso apresentá-lo.
Estava claro que o velho ainda tinha esperanças para ele.
— Agradeço o carinho, tio, mas meu talento é limitado. O Punho Longo do Patriarca já me serve bem — respondeu Ye Chen em voz baixa. — Com minhas limitações, mesmo que me desse o manual das maiores técnicas, não faria grande diferença.
— Tio, perdoe a curiosidade: por que veio de tão longe, arriscando-se para buscar o fruto de vermelhão? — ao ver que Ye Chen mudava de assunto, demonstrando desinteresse pela proposta, Sun Hua suspirou e respondeu: — Tenho uma paciente de saúde frágil, e ela precisa desse fruto raro para se restabelecer.
— Entendo.
Ye Chen não perguntou mais nada.
Entre conversas esparsas, ao entardecer, o grupo chegou ao sopé da Montanha do Norte, partindo da cidade de Shixian. Com o anoitecer, decidiram entrar na floresta apenas no dia seguinte.
Enquanto todos descansavam, Ye Chen praticava seus golpes do lado de fora do acampamento.
Sem areia de ferro, o treinamento do Punho de Areia de Ferro teria de esperar, mas o Punho Longo do Patriarca não podia ser negligenciado.
Com cada golpe e chute, Ye Chen treinava com extrema dedicação.
— Jovem, seu Punho Longo do Patriarca está bem afiado — elogiou o capitão dos guarda-costas de Sun Hua, aproximando-se de repente, sorridente.
— Apenas um camponês tentando se virar, não merece elogio — Ye Chen recolheu o punho, humilde.
— Camponês? O Punho Longo do Patriarca está longe de ser algo rústico — disse o homem de barba de bode, postura ereta e expressão resoluta. — Modéstia é uma virtude, mas o excesso se torna falsidade. Sua técnica supera a dos meus homens.
— O senhor também pratica essa arte? — perguntou Ye Chen, surpreso. — Nesse caso, poderia me orientar? Treino sozinho e não sei se estou fazendo tudo certo.
Embora o homem não tivesse revelado sua identidade, Ye Chen percebia que ele vinha do meio militar, e, como Lin Tie dissera, os melhores soldados treinavam o Punho Longo do Patriarca.
Ye Chen estava curioso para ver como seria o estilo de outro praticante da técnica.
Afinal, ele realmente sentia falta de um parâmetro de comparação.
Treinar sozinho pode deixar a pessoa perdida, às vezes.
— Ouvi dizer que aprendeu com Lin Tie, da Companhia Dragão? — em vez de responder, o homem perguntou de volta.
— Sim, mestre Lin ficou um tempo em Pequim. O senhor o conhece?
— Não.
Ye Chen ficou sem palavras.
Se não conhece, para que perguntar?
— Mas, embora não o conheça, já ouvi seu nome. Naquela época... bem, deixa pra lá. Se quer medir forças comigo, vamos tentar.
— Justamente, vi que seu estilo tem algo de diferente, também queria experimentar.
Ye Chen não gostava desse tipo de gente, que para no meio da frase e guarda segredos, mas não podia forçá-lo a falar. E, de todo modo, não tinha interesse no passado de Lin Tie.
Preparou a guarda e, encarando o homem à sua frente, perguntou:
— Posso atacar, senhor?
— Venha quando quiser.
Com uma serenidade de mestre, o capitão manteve-se imóvel.
Sem expressão, Ye Chen explodiu num instante, como um leopardo ou tigre, avançando com uma fúria selvagem.
Com esse ímpeto, seu punho desceu pesado contra o capitão, que parecia impassível.
— Parece mesmo uma fera selvagem.
Vendo Ye Chen avançar, o capitão sentiu a intensidade daquele ataque. Apesar de Ye Chen ter adaptado o Punho Longo do Patriarca para além do formato tradicional, via-se que a essência do movimento ainda era da técnica original, apenas executada de maneira diferente.
— Incorporou muitos movimentos de animais selvagens.
Murmurando, o capitão avançou o punho e colidiu diretamente com o ataque feroz de Ye Chen.
Um estrondo seco.
Os ossos dos punhos se chocaram, e Ye Chen sentiu como se tivesse socado uma barra de ferro.
Vale lembrar que, combinando o Punho de Areia de Ferro com o Punho Longo do Patriarca, Ye Chen tinha força suficiente para partir uma árvore grossa ao meio. E, no entanto, seu punho fora parado sem esforço pelo homem à sua frente.
Não apenas isso: o capitão sequer se moveu, enquanto Ye Chen teve o punho entorpecido pela força devolvida.
A diferença... era tão grande assim?
Ye Chen ficou pasmo.
— Parece que você também possui energia interna. Use-a toda — o capitão disse, sorrindo levemente.