Movimentos Sorrateiros
No momento, Ye Chen estava furioso, furioso como nunca. Qualquer um que fosse socado sem parar também ficaria assim. Claro, exceto tipos como Zhang Lin, que pedem para apanhar.
A energia vital circulava por seu braço, o punho movia essa força, e cada soco de Ye Chen tinha quase duzentos quilos de potência. Para dar uma ideia, sua força de punho não ficava atrás da de campeões como Tyson. Contudo!
Mesmo com essa força, era impossível resistir à pata do tigre branco. Ye Chen não sabia exatamente quanta força aquela patada continha, mas pelo estrago, devia ser medida em toneladas — e talvez não apenas uma. Inicialmente, ele pensou em usar o tigre para aprimorar sua técnica, mas agora via o quão absurdo era isso. Era apenas um saco de pancadas sendo esmagado, sem chance de treinar algo.
É como jogar ferro em um forno: vira metal líquido na hora.
Abandonou a ideia de aprimorar o punho. Canalizou a energia vital do punho para os canais ao redor dos olhos — uma habilidade que ele mesmo desenvolveu. Se nos punhos a energia servia como uma luva, nos olhos funcionava mais como uma lupa, ampliando a percepção. Não era uma ampliação visual, mas sensorial.
Na verdade, canalizar essa energia para o cérebro seria ainda melhor, mas o cérebro é extremamente frágil. Ye Chen só descobriu que isso podia causar morte cerebral instantânea, o resto era um mistério.
Ainda assim, mesmo com a percepção ampliada, diante do tigre branco era inútil.
Um estrondo! Ye Chen foi lançado longe por uma patada. Percebeu que, mesmo com a percepção aguçada, não conseguiria desviar dos ataques do grande felino. Continuava sendo apenas um saco de pancadas nas garras dele.
Maldição, isso não é covardia?
Sentia uma raiva impotente, sem ter o que fazer. Se Zhang Lin não estivesse na árvore, talvez deixasse o tigre devorá-lo e renasceria longe dali, sem olhar para trás.
— Não se preocupe comigo, estou bem.
Pelo canto dos olhos, viu Zhang Lin se preparando para saltar e ajudá-lo, mas Ye Chen o impediu rapidamente.
Com o enorme tigre à sua frente, boca escancarada prestes a cravar-se em seu pescoço, Ye Chen concentrou toda a atenção. Quando as mandíbulas estavam a centímetros de sua garganta, ele enfiou uma das mãos na boca do animal, distraindo-o. Aproveitando um instante de hesitação, apoiou a outra mão no chão, impulsionou-se com toda a força e deslizou para o lado, saltando para as costas do tigre, que tinha quase um metro e sessenta de altura.
Tudo aconteceu com fluidez, não fosse pelo detalhe de que, ao arrancar a mão da boca do tigre, a carne ficou toda ali: restou apenas o osso branco e nu.
— Isso dói pra caramba!
A dor aguda atravessou seus nervos. Ye Chen imediatamente se matou para se regenerar. Em um instante, a mão ensanguentada e esquelética voltou a ter carne.
Segurou firme com as pernas, decidido a não sair dali. Segurou o pelo do tigre com uma mão, com a outra desferiu socos sem parar.
O tigre branco rugiu, saltou, chocou-se contra árvores, correu desvairado. Nas costas dele, Ye Chen ora quebrava as pernas, ora a espinha, ora um braço estalava, ora o rosto era cortado por galhos... Qualquer humano já teria morrido várias vezes.
Mas Ye Chen renascia sem parar, curando-se de imediato. Não importava o quanto o tigre se enfurecesse ou tentasse, não conseguia derrubá-lo. Pelo contrário, começou a se exaurir.
E, com cada soco de Ye Chen, o dano se acumulava, até que, por fim, o tigre não aguentou mais.
Socando sempre o mesmo ponto, nem os ossos de tigre mais resistentes suportam indefinidamente!
— Vai se render ou não?
Montado nas costas do animal, Ye Chen abaixou-se, fitando aqueles olhos imensos. Era a terceira vez que encarava o tigre de tão perto: na primeira, foi devorado; na segunda, matou o felino; agora, era a terceira. Os olhos são a janela da alma. Ye Chen estava decidido: se o tigre não se rendesse, continuaria a espancá-lo. O tigre, furioso, queria devorá-lo, mas já não podia.
Ficaram assim, se olhando, por vários minutos, até que o olhar do tigre branco revelou submissão.
Rendeu-se! Não queria morrer. E, para viver, só restava se curvar.
Feras só se submetem de verdade àqueles mais fortes que elas. Embora Ye Chen não tivesse mais força bruta, venceu com astúcia — o que, para os animais, basta: vitória é vitória, derrota é derrota, sem desculpas.
Sentindo a rendição do tigre, Ye Chen desmontou, foi até a cabeça enorme, pousou a mão sobre o símbolo real em sua testa, e o tigre aceitou o gesto, deitando-se, em sinal de submissão.
Ye Chen estava radiante. Que importância tinha o fruto vermelho? Nada se comparava ao tigre branco diante dele.
Jamais imaginara que, ao saltar, teria uma recompensa dessas.
Estava exultante.
Montou nas costas do tigre e o conduziu até a colossal árvore dos frutos vermelhos.
O tronco exigia sete ou oito pessoas para abraçá-lo, a copa era como um grande guarda-sol, de onde pendiam ramos semelhantes a salgueiros, carregados de pequenos frutos vermelhos do tamanho de cerejas. Contou: cada ramo tinha pelo menos cinco ou seis frutinhas, e a árvore devia ter mais de cem galhos.
Mesmo que os frutos crus não fossem tão valiosos, ainda assim Ye Chen sentia que tais tesouros naturais não eram tão raros quanto diziam.
Mas seu mestre dissera que, ao madurar, só restariam cerca de quatro frutos. Ye Chen estava curioso: como surgiriam esses quatro? Seria uma luta entre as cerejinhas, absorvendo a energia das demais?
Ficou intrigado.
Enquanto observava a árvore carregada, o enorme urso e a serpente ao lado emitiram baixos rosnados.
A serpente sibilava, seus olhos verticais frios e impassíveis, sem qualquer emoção aparente.
O urso de meia-lua rosnava, cauteloso e em alerta.
Esses animais, de tão grandes, eram também inteligentes, com a sagacidade de crianças de três ou cinco anos. Por isso, ao verem Ye Chen derrotar o tigre, reconheceram sua força.
Mas!
Isso não significava que Ye Chen pudesse se aproximar como quisesse.
Essa era a regra: ninguém toca nos frutos antes de amadurecerem; depois, é cada um por si.
Eles não sabiam que restariam apenas quatro frutos. Agiam por instinto, sentindo que a árvore daria algo realmente valioso, que os beneficiaria. Por isso, apesar de parecerem aliados, estavam prontos para lutar entre si.
Agora, Ye Chen, montado no tigre branco, formava uma dupla ameaçadora, e isso incomodou o urso e a serpente.
E, acima, a grande águia também soltou um grito agudo. Estava claro: os três queriam eliminar Ye Chen e o tigre branco, que ameaçavam o equilíbrio do grupo.