091 Eu aos olhos dos mais velhos
— Pretende abrir seu próprio caminho ou quer ser professor aqui comigo? — Ye Chen olhou para Zhang Tao e perguntou.
Ele compreendia perfeitamente os pensamentos de Zhang Tao; não se deve subestimar uma escola. Veja a Academia Militar de Huangpu, por exemplo.
— O senhor não é o que procuro. — Zhang Tao balançou levemente a cabeça, demonstrando que já tinha refletido sobre isso. — Meus colegas aqui têm seus próprios objetivos. Talvez possam ser bons auxiliares, mas não conhecem o sofrimento do povo mais humilde em tempos de caos. É como o senhor sempre diz: somos inferiores à geração de nossas mães. O raciocínio é o mesmo.
— Pretendo me estabelecer ao norte do condado de Shi, em Lantian. Lá existe uma montanha de jade oca, e quero fundar a Academia Yushan nesse lugar, e comprar algumas crianças do nível mais baixo da sociedade para serem meus alunos.
— Crianças vendidas possuem experiências marcantes, vivências que meus colegas jamais conseguirão compreender ao longo da vida. Se forem bem educadas, podem se tornar os mais fortes revolucionários!
— Ao lado delas, mesmo que eu vacile, elas não me deixarão desistir. Já com meus colegas, talvez acabássemos todos envolvidos em disputas de interesse.
— Pensou bastante, mas interesses não se resolvem apenas com experiências dolorosas. E não subestime seus colegas — Ye Chen balançou suavemente a cabeça. — Você é excelente, mas seus colegas não ficam muito atrás.
— Eu sei disso, e é por isso que vim procurá-lo hoje — Zhang Tao sorriu e disse: — Dinheiro não é problema para fundar a Academia Yushan, mas faltam professores. Conversei com alguns colegas e veteranos, eles querem ajudar, mas alguns que gostaria de ter ao meu lado não aceitam o convite.
— Escreverei para eles, mas não posso obrigá-los. Se virão ou não, não posso garantir — Ye Chen respondeu sorrindo. — Precisa de mais alguma coisa?
— Já é mais do que suficiente — respondeu Zhang Tao, sorrindo.
— Então faça o seu melhor! — Ye Chen levantou-se e deu um tapinha firme no ombro de Zhang Tao. — O caminho à frente será difícil, não se preocupe com o sucesso ou fracasso. Siga em frente, vença todos os obstáculos. Quando chegar ao fim da vida e olhar para trás, verá que foi vitorioso.
— Penso o mesmo — respondeu Zhang Tao.
Seu rosto de traços marcantes e olhos gentis transpareciam uma determinação inabalável, enquanto os cabelos negros dançavam suavemente ao vento.
Um mês depois.
No condado de Lantian, a Academia Yushan foi inaugurada. Eram cento e cinquenta crianças, nenhuma com feições bonitas, formando a primeira turma. Atrás delas estavam professores trazidos por Zhang Tao de vários lugares, como Wang Ben.
A academia era modesta, algumas fileiras de casas de barro tortas, parecidas com a escola de Ye Chen. No centro, porém, havia uma arena, usada para duelos, escolher o líder de turma, decidir disputas, determinar certo e errado. Quem vencesse seria o chefe.
O método de ensino de Zhang Tao era simples: só o mais forte tem voz!
Era uma abordagem bruta, mas adequada para crianças acostumadas a sobreviver na lama.
Naquele momento, sobre a arena de terra, um grupo de pequenos lutava numa confusão generalizada.
Sim, era uma verdadeira batalha caótica.
A arena não servia para duelos um a um, pelo menos não para eleger o líder. Cada turma tinha cinquenta crianças; quem permanecesse de pé ao final seria o chefe, e durante um ano todos deveriam obedecê-lo.
— Não imaginei que Tao, tão gentil, usaria métodos tão brutos em sua escola — comentou Mi Xue durante a cerimônia de abertura. Sentada ao lado de Ye Chen, via as crianças lutando com golpes baixos e estratégias cruéis, e não pôde evitar franzir a testa.
— Acho ótimo — respondeu Ye Chen calmamente. — Reunir tanta gente numa arena e ver quem resiste até o fim demonstra uma qualidade especial. Caso contrário, seria impossível sobreviver contra tantos rivais.
— E quanto ao que Yuan Yuan planejou para Zhang Tao? — Ye Chen perguntou de repente a Mi Xue.
— Todos os planos de Yuan Yuan foram recusados por Tao, mas ele fez suas próprias exigências — respondeu Mi Xue, baixando o tom. — Ele quer um poder oculto forte e dinheiro.
— Por isso estou aqui. Achei que ele usaria o dinheiro para construir a escola, mas me enganei.
— Dá para perceber pelo método de ensino dele. Gastar com prédios não é seu objetivo. O dinheiro provavelmente será usado para comprar armas e outros recursos — Ye Chen ponderou.
— É tudo uma agitação. A ideia é boa, mas até essas crianças se tornarem adultas vai demorar pelo menos quinze anos. Nesse tempo, talvez já tenhamos unificado o país.
— Se ele quiser uma revolução, será contra quem? Contra nós?
— Se chegar a isso, não será mais revolução, mas um golpe — Ye Chen riu.
O cenário que Mi Xue levantava não era impossível. Com o preparo e a base do Portão do Tigre Feroz, seria plausível derrubar a dinastia Song antes do tempo e barrar a invasão dos jurchéns.
— E como estão indo as coisas lá no seu lado? — Ye Chen perguntou.
— Este ano começaremos a guerra — respondeu Mi Xue. — Foram cinco anos treinando soldados. É hora de testar o fio da espada.
— Yuan Yuan planeja atacar os uigures. Em cinco a dez anos, eliminará esse povo, depois conquistará Xixia e fará fronteira direta com a dinastia Song.
Nas regiões próximas das Montanhas Celestiais, predominam povos estrangeiros: uigures, xixias, kitais e vários outros. Quando o Portão do Tigre Feroz era apenas uma seita, manter posição já era difícil. Agora, como potência militar, precisam enfrentar esses inimigos.
Não se pode permitir que outros durmam tranquilos à nossa porta.
Essa frase é atribuída a Zhao Kuangyin, mas se aplica a todo poder.
Portanto, sem subjugar os vizinhos, Zhang Yuan não terá forças para avançar sobre o centro do império. Sem derrubar Xixia, nem mesmo chegar à dinastia Song será possível.
Isso também explica, em parte, por que ela comanda à distância as Trinta e Seis Ilhas e Setenta e Duas Cavernas, sem se envolver diretamente.
A mudança para as Montanhas Celestiais foi motivada pela base de Lingjiu. Regras frouxas, poucos limites, um ambiente propício ao crescimento — mas agora também precisam arcar com os problemas disso.
— Os uigures têm um milhão de pessoas, Xixia tem raízes profundas após fundar seu estado. Cinco a dez anos para aniquilar ambos é rápido demais, não acha? — Ye Chen não considerava tal tempo longo, pelo contrário, era surpreendente.
Mesmo que conquistem os uigures, pacificá-los seria outra história. Um deslize e surgem rebeliões internas.
Xixia, com suas fortalezas e o velho Li Qiushui ainda vivo, seria um adversário difícil.
— Nestes anos, baseados em seus livros, produzimos pólvora. A estrutura, o treinamento e a estratégia do exército mudaram muito. Apesar de não termos enfrentado grandes batalhas, em escaramuças os resultados foram ótimos — Mi Xue sorriu. — Vencer os uigures não é o maior desafio; o difícil será pacificar o território.
— No início, pensamos em resolver tudo com violência, mas achamos cruel demais. Agora, vamos tentar usar Xuzhu, o jovem monge, para conquistar os estrangeiros, junto com políticas de recrutamento militar forçado e uma mistura de incentivos e punições, para ver o resultado.
— Cinco a dez anos é nosso limite. Se mesmo assim não se renderem... então que Buda acolha suas almas.
Ao terminar, Mi Xue olhou para Zhang Tao e riu:
— Tao e nós fomos todos seus discípulos. O que ele pensa, acha que não previmos? Talvez o caos lhe tenha dado experiências mais profundas, mas não somos tão diferentes. Ele é apressado, nós estamos mais cautelosos — talvez porque envelhecemos.
— Mas, de qualquer forma, agora que estamos no palco principal, precisamos de uma rota de fuga, e Tao oferece uma excelente alternativa.
— Depois de vê-lo acolher essas crianças, fiquei tranquila.
— Ele tem paciência, é estável. Isso é ótimo.