109 O Veneno
No verão, os mosquitos em Dali eram especialmente numerosos. À noite, ao dormir, Ye Huan foi picada tantas vezes que seu rosto originalmente magro ficou arredondado.
— Não coce, senão vai ficar cheio de marcas e não vai conseguir se casar.
Ye Chen estendeu a mão para impedir que ela coçasse o rosto, que estava coçando demais, e fincou algumas agulhas de prata nos pontos de acupuntura para aliviar a coceira temporariamente.
Embora as agulhas fossem eficazes, não podiam permanecer cravadas por muito tempo.
— Papai, não está mais coçando, está tão confortável.
Sentindo que o incômodo havia desaparecido, Ye Huan soltou um suspiro longo, relaxou as sobrancelhas franzidas e finalmente sorriu. Seu humor melhorou, e seu vestido branco esvoaçava.
— Vamos, vamos para a clínica.
Puxando Ye Huan pela mão, Ye Chen planejava ir até a clínica para pegar algumas ervas e preparar um repelente, além de buscar uma máquina de fiar para fazer um mosquiteiro para a pequena. Caso contrário, sendo picada assim, as marcas seriam o menor dos problemas, pois ela poderia facilmente adoecer.
O Shén Nóng Táng, sede da Organização Shen Nong e único posto fixo, era também a maior clínica da Vila da Fonte Pura, conhecida por sua vasta variedade de ervas.
— Ah, é o irmão Ye! O irmão Ye veio porque a Huanhuan não está se sentindo bem? — Dentro da clínica, um médico idoso e quatro jovens receberam Ye Chen calorosamente, especialmente um rapaz de uns treze ou quatorze anos, que se aproximou animado para atendê-lo.
Para estabelecer-se na Vila da Fonte Pura, era necessário ter recursos. Roubar e furtar eram atos muito baixos para Ye Chen, então ele havia passado décadas colhendo ginseng nas Montanhas Ilimitadas e vendido para o Shén Nóng Táng.
Assim, ambos se conheceram.
— Para de perguntar o óbvio — Ye Chen disse, vendo Zuo Lin, o discípulo mais jovem da clínica, brincar com as bochechas redondas de Ye Huan com um sorriso malicioso. — Para de brincar, quero pegar as ervas: uma tael de semente de cassia, três qian de flor de sânsuco...
Ye Chen nunca havia preparado algo como repelente, e seu conhecimento em farmacologia não era profundo, mas, tendo estudado medicina por décadas, já possuía alguma experiência.
— Jovem, você pretende fazer um sachê aromático para repelir mosquitos? — O médico idoso que atendia um paciente ao lado ouviu os nomes das ervas e se aproximou sorrindo para perguntar.
— Sim — respondeu Ye Chen, acenando. Então olhou para o líder da organização Shen Nong, Sikong An, e perguntou: — O senhor acha essa fórmula adequada?
— A fórmula é boa, mas o efeito repelente é apenas mediano — Sikong An sorriu ao olhar para a gordinha Ye Huan. — Dá para ver que o jovem entende de farmacologia, mas parece que não monta muito fórmulas. Na composição, há o princípio do senhor e dos ministros, mas sua dosagem está um pouco frouxa para o senhor e demais componentes em excesso, o que não é adequado.
— Por favor, mestre, me ensine.
As palavras fizeram os olhos de Ye Chen brilharem. Ele havia aprendido acupuntura com seu mestre, cuja medicina era principalmente prática, e seu conhecimento sobre ervas era limitado, como se evidenciava em suas técnicas únicas de refinamento de pílulas.
Ao longo dos anos, Ye Chen focou seus estudos na estimulação dos meridianos e pontos de acupuntura, usando seu próprio corpo como cobaia — às vezes cravando algumas agulhas sem motivo!
Agora, ao ouvir o conselho de um especialista, ele estava disposto a aprender humildemente.
— O senhor não pode ser sempre benevolente. Também é preciso ter um pouco de veneno e crueldade. Sugiro que você adicione pó de cauda de escorpião vermelho à fórmula. Mosquitos são atraídos pelo cheiro e temperatura do sangue, mas o pó tem um cheiro tóxico que os afasta. Além disso, sua propriedade fria pode confundir os insetos — Sikong An acariciou a barba e sorriu.
Ye Chen franziu as sobrancelhas e perguntou cautelosamente:
— Sei que o pó de cauda de escorpião vermelho é tóxico. Usá-lo próximo a uma criança pode ser perigoso.
— Você sabia que os alimentos que você come também contêm substâncias tóxicas? Elas fazem mal? — Sikong An respondeu serenamente. — Tudo na natureza é uma relação de equilíbrio. O pó é tóxico, mas se dissipa com o calor. Como o clima está seco e quente, a criança transpira bastante, e a umidade e calor da pele neutralizam a toxicidade.
— Jovem, ao prescrever remédios, não se deve considerar apenas a natureza da erva, mas também o ambiente, o paciente e muitos outros fatores. Avaliar a doença apenas pela fórmula é incorreto.
Embora Sikong An fosse possivelmente mais jovem que ele, Ye Chen aceitou humildemente seus ensinamentos.
O que ele disse fazia sentido e valia a pena aprender.
— Mestre, na verdade eu acho que se a gente pegar um sapo gigante vermelho na montanha, resolveria tudo — Zuo Lin entregou o pacote de ervas a Ye Chen e estendeu a mão. — São três taéis de prata.
— Se seguir o conselho do meu mestre e adicionar o pó de escorpião, será mais um tael. Se não quiser, fica só isso.
— Claro que vou seguir.
Ye Chen bateu uma barra de prata na mão de Zuo Lin e disse:
— Traga para mim.
— Ah, e o que é essa história de pegar um sapo gigante vermelho?
— O sapo gigante vermelho é o rei dos venenos. Você não sabe? — Zuo Lin, ainda um garoto, parecia querer se exibir. — Com ele por perto, garanto que não haverá nenhum mosquito no seu quintal.
— Claro, desde que você não seja envenenado primeiro.
— Alguns coletores de ervas passaram aqui há poucos dias, disseram ter ouvido o grito de Jiang Ang nas Montanhas Ilimitadas e visto um sapo vermelho como sangue devorando uma cobra venenosa. Deve ser o sapo gigante vermelho.
— Eu nunca vi um. Dizem que apareceu há mais de vinte anos e foi comido pelo nosso imperador, o que lhe concedeu imunidade a todos os venenos. Queria ter essa imunidade também — Zuo Lin, ainda muito jovem, claramente gostava de sonhar acordado.
— Você só gosta de imaginar coisas — Sikong An repreendeu-o suavemente. — Com esse jeito, nem vai chegar perto do sapo e já vai morrer envenenado.
— Só está falando para me provocar! — Apesar da repreensão, Zuo Lin não se conformou, entregou o pó de cauda de escorpião a Ye Chen e virou o rosto, sem querer continuar.
— Mestre, pode me contar mais sobre o sapo gigante vermelho? — Enquanto Zuo Lin se calava, Ye Chen ficou intrigado.
Mesmo sem conhecer o sapo, só pelo fato de ele repelir insetos já valia a pena tê-lo.
— Jovem, pare de sonhar acordado — Sikong An não queria muito discutir o assunto, achava que era conversa fiada, sem necessidade.
— Por favor, mestre, me conte. Posso pagar com um ginseng da montanha de trinta anos! — Ye Chen pediu com seriedade.
— Você ainda tem ginseng da montanha? — Os olhos de Sikong An brilharam ao ouvir isso.
— Tenho — Ye Chen assentiu, e mesmo que não tivesse, poderia buscar nas montanhas.
— Na verdade, não há muito o que contar. O sapo gigante vermelho, o rei dos venenos, é um sapo, mas, para ser rigoroso, não é exatamente um sapo — Sikong An sentou-se em frente a Ye Chen, acariciando a barba e falou lentamente. — Na verdade, essa criatura é um tipo de veneno criado pela natureza nas Montanhas Ilimitadas, um tipo de maldição da terra...