114 Massacre da Cidade
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Acariciando a película plástica lisa, Ye Chen não tinha certeza se era plástico de polietileno ou fluoroplástico, mas, fosse o que fosse, certamente não era algo que pertencesse a esta era.
— Senhor, isso tem alguma coisa especial? — ao ver Ye Chen examinando atentamente a pedra vermelha na mão, Si Kong’an perguntou baixinho.
Ye Chen balançou a cabeça levemente e, em vez de responder, retrucou: — Nos segredos do Sindicato Shen Nong está registrado que esta montanha Wuliang é o vaso para refinar o sapo Manggu Zhuha, mas não explicam o motivo. Você sabe por quê?
— Isso... — Si Kong’an ficou sem saber o que dizer, sorrindo amargamente —, não sei.
— Será que não é porque a topografia da montanha Wuliang é especial, permitindo que se crie o sapo Manggu Zhuha, essa espécie natural de Gu? Que diferença faz isso?
— Para ser honesto, não vejo nada de especial na montanha Wuliang.
Ye Chen fez uma careta, achando um tanto frustrante essa explicação antiga de que tudo inexplicável é culpa da topografia ou de fenômenos celestes.
Agora que ele tinha nas mãos um objeto claramente de uma era diferente, seria por causa de outros viajantes do tempo? Ou existiria uma civilização super antiga?
Olhando para as montanhas à sua frente, Ye Chen deu de ombros, indiferente.
Uma ferida vai acabar se abrindo cedo ou tarde, e ele queria ver o que realmente estava acontecendo.
O tempo muda tudo; quando a cadeia montanhosa se transformar por movimentos geológicos, todos os segredos nela contidos serão revelados.
— Vamos voltar! — disse Ye Chen, acariciando o sapo Manggu Zhuha vermelho como jade no ombro —. Olhando para você agora, tão rosado e fofo, vou te chamar de Pequeno Vermelho.
De volta em casa, Ye Huan já tinha preparado o jantar e a aguardava ansiosamente na porta.
— Papai!
Ao ver Ye Chen chegar, a garotinha sorriu radiante; para Ye Huan, Ye Chen era tudo.
— É para você. — Ye Chen passou o sapo Manggu Zhuha do ombro para a palma da mão de Ye Huan, acariciando seus cabelos sedosos —. A partir de agora, você vai cuidar desse pequeno. Com ele, não precisa mais se preocupar com mosquitos ou venenos.
— Jiang Ang~~~
O Pequeno Vermelho abriu a boca e soltou um som desinteressado, depois se encolheu e adormeceu na mão de Ye Huan.
Ele não gostava dela; seu instinto dizia que o sangue de Ye Huan era muito mais amargo do que o do dono. Mas como o dono havia ordenado, não havia escolha, então, que dormisse.
— Esse é o sapo Manggu Zhuha? — Ye Huan perguntou, olhando curiosa para o sapo em sua mão —. Não disseram que esse sapo é extremamente venenoso? Que só tocar já pode envenenar?
— Eu já o transformei em um Gu meu, capaz de suprimir seu veneno e impedir que ele se libere — respondeu Ye Chen, sorrindo —. E esse pequeno se chama Pequeno Vermelho.
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— Pequeno Vermelho? Mas ele é enorme! — Ye Huan cerrou os olhos ao olhar para o sapo, que era maior que sua mão —. Mas é realmente fofo!
Fofo?
Embora o Pequeno Vermelho tivesse perdido a pele verrugosa do sapo original, chamar um sapo de fofo... Ye Chen achava que o senso estético da filha adotiva era meio estranho.
— Está bem, você terá muito tempo para brincar com ele. Agora, vamos jantar! — Ye Chen esfregou a barriga, já com fome depois de um dia de trabalho.
Trabalho do nascer ao pôr do sol, a vida seguia assim, dia após dia: plantar, treinar, educar a criança. Cinco anos se passaram num piscar de olhos.
Durante esse tempo, Si Kong’an já havia informado a Seita Tigre Feroz sobre a situação em Dali, mas ninguém da seita tinha vindo.
Quem chegou foi Zhang Tao!
Mas ele não veio por Ye Chen, e sim por Dali.
Cinco anos de campanhas, a dinastia Song, antes caótica, já estava pacificada, e Zhang Tao havia recebido a abdicação de Zhao Gou para fundar a dinastia Yuan.
O Kaiyuan, um novo começo.
Quando Ye Chen ouviu o nome do novo reino, ficou surpreso; a trajetória da história havia mudado, mas o nome Yuan persistira, por acaso ou destino.
Agora Zhang Tao vinha liderar pessoalmente o exército para expandir o território e conquistar Dali.
— Vai haver guerra, esses malditos Song, por que atacam a gente sem motivo? — no vilarejo de Qingquan, o povo estava em pânico; o exército de Dali não era páreo para os invasores, e o medo se misturava com ódio à tropa de Zhang Tao.
— Irmão Ye, por que você está tão calmo? Todo mundo já está indo para as montanhas se esconder, por que você não vem? — a jovem Lin Yu, já casada e carregando sacolas, chamou Ye Chen por cima do muro de terra enquanto ele tomava sol no quintal.
— Vocês vão primeiro! — Ye Chen acenou, continuando a praticar a técnica do Dragão e Elefante —. Eu fico na vila. Se o exército Yuan vier, não temo; se quiserem comida, dou e pronto.
Enquanto os vizinhos estavam tensos, preocupados com bens e segurança, Ye Chen estava totalmente tranquilo.
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Não é que acreditasse que o exército de Zhang Tao não fosse cometer abusos; na verdade, ele sabia das artimanhas internas porque já esteve lá dentro, mas, por estar sob controle, não passariam do limite.
Assim, era compreensível que os vizinhos, preocupados com suas propriedades, fugissem, mas Ye Chen não se importava.
— Ouvi dizer que o exército Yuan está massacrando cidades — disse Lin Yu, pálida.
— Irmão Ye, venha se esconder conosco nas montanhas. Depois que essa tempestade passar, voltamos para ver como estão as coisas.
— Massacre... — Ye Chen ouviu os boatos e até confirmou com Si Kong’an, que disse que era verdade.
Ele balançou a cabeça e respondeu: — Estou bem, vocês vão.
Além da atitude despreocupada, Ye Chen queria ver com seus próprios olhos o que o exército Yuan realmente faria. Se fosse massacre, ele não acreditava que fariam isso ali, sabendo que ele morava lá; se fizessem, Zhang Tao realmente teria perdido a razão.
Mas ninguém podia garantir nada. Por precaução, Ye Chen ficou; ele não queria assistir ao massacre dos aldeões que conhecia há cinco anos.
Eles... eram pessoas comuns!
Pessoas simples que só pensavam em suas refeições diárias, sem se importar com política.
— Então... Irmão Ye, cuide-se! — vendo a determinação de Ye Chen, Lin Yu se resignou e partiu com sua família.
Observando-os se afastar, Ye Chen suspirou: — Em tempos de prosperidade, o povo sofre; em tempos de ruína, o povo sofre também.
— Papai, se o exército Yuan vier, poderemos ver o Segundo e o Terceiro Papai? — Ye Huan, com o Pequeno Vermelho cada vez menor e mais vermelho no ombro, olhava esperançosa para Ye Chen.
Embora ainda criança, as sombras do medo da infância e a vida militar estavam firmemente gravadas em seu coração.
Ela sentia falta de Yang Zaixing e He Yuanqing, que a amavam como uma filha, disputando com Ye Chen quem cuidaria dela. Para evitar conflitos, eles foram chamados de Segundo e Terceiro Papai.
— O Segundo Papai provavelmente já veio, quanto ao Terceiro, quem sabe? — Ye Chen deu de ombros; sabia que Yang Zaixing liderava o ataque a Dali, mas desconhecia mais detalhes.
— Quer dizer que sente falta deles? — Ye Chen riu.
— Sim! — a garota de doze anos assentiu com vigor, balançando os punhos —. Quero ver se agora posso dar um soco no Segundo e no Terceiro Papai!