111. Capturado
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— Você ainda deve ter outro assunto, não é?
Segurando o manual secreto nas mãos, Ye Chen olhou para Sikong An com um sorriso indecifrável.
Uma coisa era a ordem de Zhang Yuan; outra, bem diferente, era o grau e a maneira de executá-la. Aquele sujeito se mostrava tão respeitoso e ainda lhe oferecia diretamente o manual secreto do Clã Shennong. Evidentemente, queria algo em troca.
— Os olhos do senhor são realmente perspicazes. Meus pequenos pensamentos, como esperado, não poderiam escapar à sua percepção.
Sikong An sorriu com suavidade, sem demonstrar o menor constrangimento. Depois de fazer uma reverência a Ye Chen, assumiu uma expressão solene e disse:
— Este velho está prestes a morrer. Mas o senhor também conhece a situação atual do Clã Shennong. Se pretende permanecer nesta cidade de Qingquan, gostaria de pedir que, no futuro, cuidasse um pouco do nosso clã.
— Você está pedindo à pessoa errada, não acha?
Ye Chen ergueu uma sobrancelha.
— Se não me engano, o seu Clã Shennong tem um jovem bastante talentoso, chamado An Daoquan. Além de participar do exército de Liangshan e ocupar uma posição elevada, ele também é discípulo de Mi Xue. Com uma identidade dessas, não deveria haver necessidade de recorrer a um homem desocupado como eu, não é?
Em geral, Ye Chen não sabia quem havia nas trinta e seis ilhas e nas setenta e duas cavernas.
Entretanto, por ser discípulo de Mi Xue, vez ou outra conseguia dar uma olhada neles, e por isso guardara alguma impressão.
— Ele já não faz parte do meu Clã Shennong.
Sikong An balançou a cabeça, com o rosto sombrio.
Ao ver aquela expressão, Ye Chen compreendeu que algo devia ter acontecido.
Mas isso não importava. Ele não tinha interesse no assunto.
— Pelo bem deste manual secreto, enquanto eu permanecer um dia sequer nesta cidade de Qingquan, o seu Clã Shennong não terá problemas.
— Nesse caso, agradeço ao senhor.
Ao ouvir a promessa de Ye Chen, Sikong An claramente soltou um suspiro de alívio.
— Agora vamos falar de algo mais concreto. O sapo-escarlate de Mang Gu realmente existe no Monte Wuliang? — perguntou Ye Chen.
— Existe.
Sikong An assentiu pesadamente.
— De fato, alguém já o viu. Além disso, quando subi a montanha no passado, também ouvi um coaxar peculiar. Nenhuma outra criatura, além do sapo-escarlate de Mang Gu, seria capaz de emitir um som assim.
— Fazendo as contas, já se passaram mais de vinte anos desde a última aparição de um sapo-escarlate de Mang Gu. Já é hora de surgir outro.
Ye Chen assentiu, abriu o manual secreto e, enquanto o examinava, perguntou a Sikong An:
— Se é assim, por que você não vai capturá-lo? Tanto para um médico quanto para um guerreiro, o sapo-escarlate de Mang Gu é um verdadeiro tesouro, não?
— É realmente precioso, mas, antes de tudo, é preciso estar vivo para desfrutá-lo.
Sikong An balançou a cabeça com um sorriso amargo.
— O corpo inteiro do sapo-escarlate de Mang Gu é vermelho como sangue, envolto por uma aura venenosa. Uma pessoa comum morreria envenenada antes mesmo de conseguir se aproximar. Mesmo que houvesse meios de capturá-lo, esse tipo de criatura extremamente venenosa não é inofensiva. Ela é extremamente agressiva. Embora este velho esteja prestes a morrer, ainda lhe restam um ou dois anos de vida. Não quero encurtar ainda mais esse tempo.
— O sapo-escarlate de Mang Gu é tão perigoso assim?
Ao observar a descrição no livro e ouvir o relato de Sikong An, Ye Chen ficou um pouco intrigado. Ainda se lembrava da cena, na série original, em que Duan Yu engolira o sapo-escarlate de Mang Gu.
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Se ele o engolira e nada lhe acontecera, como alguém poderia morrer envenenado antes mesmo de se aproximar?
— Você também conhece o caso do imperador Duan Yu, de Dali. Pode explicar isso?
— Sua Majestade era favorecida por uma grande fortuna.
Sikong An suspirou, cheio de emoção.
— O corpo inteiro do sapo-escarlate de Mang Gu é extremamente venenoso, mas, em circunstâncias normais, ele não libera veneno por iniciativa própria. Só demonstra sua periculosidade quando se sente ameaçado. Ouvi dizer que, naquela ocasião, Sua Majestade teve os pontos de acupuntura bloqueados, caiu no chão, não conseguia se mover e tampouco sabia artes marciais. Aos olhos do sapo-escarlate de Mang Gu, ele não representava perigo algum. Foi graças a essa coincidência extraordinária que Sua Majestade saiu ileso.
— Além disso, pelo que sei, Sua Majestade só conseguiu escapar porque, antes disso, uma centopeia extremamente venenosa entrara em seu estômago. O veneno do sapo e o da centopeia acabaram se neutralizando e reduzindo mutuamente seus efeitos. Mesmo assim, Sua Majestade foi gravemente envenenado. Mais tarde, só conseguiu recuperar-se graças à intervenção dos eminentes monges do Templo Tianlong.
— Em outras palavras, foi o famoso halo do protagonista!
Ye Chen balançou a cabeça. Não acreditava que uma pessoa comum pudesse ser beneficiada por uma coincidência tão absurda.
— Amanhã vou preparar o terreno. Depois de amanhã, entrarei na montanha para capturar o sapo-escarlate de Mang Gu. Você conhece bem o Monte Wuliang. Quer vir comigo?
Depois de terminar de ler o manual secreto, Ye Chen obtivera bastante proveito. Fechou o livro, planejando estudá-lo melhor ao voltar, mas, quando já estava prestes a sair, convidou repentinamente Sikong An.
— Bem... farei como o senhor disser.
Sikong An assentiu. Instintivamente, não queria ir, mas, diante de Ye Chen, acabou não conseguindo recusar.
Depois de deixar a casa de Sikong An, Ye Chen caminhou sozinho e sem pressa pelas ruas escuras. Ergueu a cabeça para o céu e contemplou a lua cheia, sentindo o coração tomado por emoções complexas.
Sikong An certamente contaria a Zhang Yuan que ele estava ali. Então... Zhang Yuan e os outros viriam?
Ao lembrar-se daquele grupo de alunos adoráveis, Ye Chen mergulhou, sem perceber, em belas recordações do passado.
— Realmente estou ficando velho. Além de me entregar à melancolia, ainda gosto de ficar relembrando o passado. Não tenho mais espontaneidade alguma.
Ye Chen balançou levemente a cabeça e riu de si mesmo.
Um dia depois, Ye Chen enfim compreendeu a maior parte do conteúdo do pequeno manual e se preparou para entrar na montanha à procura do sapo-escarlate de Mang Gu.
— Papai, leve-me com você!
Ye Huan queria acompanhá-lo. Agarrou a ponta da roupa de Ye Chen e não a soltou.
— Seja boazinha e espere na casa da irmã Lin. Quando eu voltar, trarei algo gostoso para você.
Ye Chen afagou a cabecinha de Ye Huan e deixou-a na casa da vizinha, tia Lin, pedindo à filha dela, Lin Yu, que cuidasse da menina.
Dessa vez, ele entraria na montanha para procurar uma criatura extremamente venenosa. O veneno, às vezes, podia ser bastante estranho. Ye Chen não precisava temê-lo, mas, se Ye Huan fosse contaminada, a situação seria perigosa. Por precaução, não poderia levá-la consigo.
Na entrada da cidade de Qingquan, Ye Chen viu Sikong An completamente equipado.
Luvas especiais, uma longa vara de bambu com um dispositivo para agarrar, botas de couro, uma bolsa perfumada de aroma extremamente forte e muitos pequenos acessórios que Ye Chen não reconhecia... Era evidente que o velho tratava o sapo-escarlate de Mang Gu com enorme cautela.
— Senhor, vai partir desse jeito?
Ao ver Ye Chen de mãos vazias, Sikong An aconselhou-o de boa vontade:
— Embora suas artes marciais sejam extraordinárias, o senhor não é imune a todos os venenos. O sapo-escarlate de Mang Gu não é uma criatura comum. É necessário proteger-se com cuidado. Durante a captura, deve usar uma vara longa de bambu como esta, além de...
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Quando envelhecem, algumas pessoas se tornam muito falantes. Era exatamente o caso de Sikong An naquele momento: diante de Ye Chen, não parava de explicar a função de cada equipamento que carregava.
— Não preciso de nada disso. Quando o encontrarmos, basta agarrá-lo diretamente.
A resposta de Ye Chen interrompeu a ladainha de Sikong An. Contrariado, o velho tomou a dianteira e seguiu rumo às profundezas da montanha.
Capturar um sapo numa montanha tão vasta quanto o Monte Wuliang já seria difícil por si só. Encontrar aquela criatura, mesmo com suas características tão marcantes, era ainda mais complicado.
Depois de vagarem pela montanha durante dez dias inteiros, naquele dia Ye Chen e Sikong An finalmente avistaram, num lago, um sapo de corpo inteiramente vermelho agachado sobre uma pedra.
— Este é o sapo-escarlate de Mang Gu, não é? — Ye Chen confirmou com Sikong An.
— É. Eu o vi uma vez, muitos anos atrás. Este é ainda mais vermelho do que o daquela época.
Depois de procurá-lo por tantos dias, Sikong An finalmente o encontrara. Sua voz carregava tanto temor quanto excitação.
— Senhor, recue um pouco. Eu o capturarei.
Dito isso, Sikong An retirou a longa vara de bambu especialmente preparada e tentou agarrar o sapo-escarlate de Mang Gu.
Porém, assim que ele fez um movimento, o sapo já havia saltado para outro lugar.
Aquela suposta ferramenta era completamente inútil!
— Está bem, dê licença por enquanto.
Vendo o sapo-escarlate de Mang Gu saltar para o centro do lago, Ye Chen arrancou algumas folhas e espalhou-as sobre a água. Em seguida, atravessou o lago com leveza, pisando sobre as folhas. As pontas de seus pés tocavam-nas suavemente, fazendo surgir tênues ondulações na superfície. Seu corpo inteiro parecia uma folha flutuando sobre a água.
Era como se não tivesse peso algum. Avançava sobre o lago apoiando-se apenas numa corrente de força interior.
A fusão de três técnicas de leveza — o Voo Sobre a Relva, a Travessia do Rio Sobre um Junco e os Passos Ondulantes — havia levado as habilidades de Ye Chen a um nível absoluto.
O nível máximo da Travessia do Rio Sobre um Junco era exatamente aquele: leveza e velocidade. O próximo objetivo de Ye Chen era conseguir fazer o mesmo sem a ajuda das folhas, o que exigiria uma liberação e um controle extremamente refinados da energia interior.
Os Passos Ondulantes eram particularmente eficazes nesse aspecto, mas, apesar de muitos anos de cultivo, ele ainda não encontrara a sensação de perfeita integração entre as técnicas.
Ao ver Ye Chen caminhando sobre a água, Sikong An ficou de olhos arregalados. Aquela habilidade de leveza era poderosa demais!
Mas a surpresa maior ainda estava por vir.
A silhueta de Ye Chen oscilou e, num instante, ele atravessou velozmente a superfície do lago como um pássaro rasando a água, chegando diretamente ao lado do sapo-escarlate de Mang Gu. Então estendeu a mão e utilizou a Técnica de Captura do Dragão, pertencente às Dezoito Palmas do Dragão Descendente, puxando de uma só vez a pequena criatura para sua mão.
Num instante, o sapo-escarlate de Mang Gu expeliu veneno pela boca. Sua pele, vermelha como sangue, começou a liberar pus ardente. Ye Chen sentiu a mente entorpecer-se e a respiração tornar-se dolorosa. Seu corpo, treinado com o Fruto Rubro para resistir a até duzentos e cinquenta gramas de arsênico, inesperadamente quase não conseguiu suportar a toxicidade do sapo-escarlate de Mang Gu!
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