046 O Lago
Ressuscitado, seu corpo outrora paralisado voltou ao normal; o sangue que antes turvava sua mente dissipara-se. Ao se erguer, Ye Chen sentiu uma leveza jamais experimentada. A energia vital fluía por seu corpo, oferecendo uma sensação de suavidade contínua.
Observando sua palma, notou as mãos que, devido ao treinamento do Punho de Areia de Ferro, antes eram ásperas e grossas, agora exibiam fissuras – sinal de que a técnica estava próxima da perfeição. Quando o Punho de Areia de Ferro atinge o auge, a pele grossa começa a rachar e descamar. Quando toda a pele cai, revelando a palma alva, a arte marcial é considerada completa.
“Ainda não atingi o extremo, mas falta pouco”, pensou Ye Chen, sentindo seu corpo. Sabia que, embora o poder da Fruta Escarlate tivesse percorrido todo seu ser, ainda não havia elevado seus meridianos ao nível exigido pela Arte da Eterna Juventude.
Contudo, não pretendia insistir. Sem o método adequado, confiar apenas na força do remédio era ineficaz; mesmo consumindo outra Fruta Escarlate, provavelmente não alcançaria o padrão desejado. Além disso, seria um enorme desperdício de energia medicinal. Em um século, só se podiam colher poucas dessas preciosidades e não podia desperdiçá-las.
Exceto, claro, pela Tigresa Branca. Com seu porte imenso e corpo vigoroso, mesmo sem técnicas auxiliares, ela absorveria à força o poder da fruta apenas com sua robustez. Ainda assim, uma única Fruta Escarlate seria suficiente para ela.
Ye Chen aproximou-se da árvore de Fruta Escarlate, agora seca e amarelada, cortou alguns galhos e fez uma caixa de madeira, onde guardou as quatro frutas restantes. Só a madeira da própria árvore preservaria ao máximo o tesouro.
Lançando um olhar para a Tigresa Branca, que dormia nas proximidades absorvendo a energia, Ye Chen dirigiu-se a um lago próximo. Queria se lavar completamente. Embora ressuscitado, o sangue seco permanecia em seu corpo, causando desconforto.
O lago era raso, chegando-lhe apenas ao pescoço. A água límpida e fresca lavava-lhe a pele, trazendo alívio. Enquanto se lavava, uma ideia surgiu: treinar boxe e técnicas marciais na água.
Pôs-se imediatamente a praticar os Punhos Longos do Grande Ancestral. Sob a resistência das ondas, cada movimento era mais trabalhoso, mas, por outro lado, a água envolvendo-o permitia perceber com clareza as sutilezas de cada golpe.
Para vencer a resistência da água, sua energia vital, pressionada pelo esforço e guiada pela mente, começou a harmonizar-se com os movimentos da arte marcial, avançando em direção a um domínio pleno de integração.
Absorvido pelo treinamento, Ye Chen perdeu-se completamente. Só parou quando esgotou toda a energia vital e sentiu suas forças quase no fim. Deitou-se tranquilamente sobre a água, contemplando: “O melhor dos homens é como a água; ela beneficia todas as coisas e não disputa nada. Isso faz sentido, afinal.”
As lições dos livros estavam por toda parte, mas compreendê-las de fato era outra história.
Naquele instante, depois de lutar tanto tempo com a água, Ye Chen enfim experimentou essa verdade.
Auuuu~
Enquanto repousava na superfície do lago, ouviu ao longe o chamado da Tigresa Branca. O rugido era forte, com um tom de entusiasmo.
“Parece que a grande branquela terminou de absorver o remédio. Como será que ficou agora?”
Preparando-se para sair da água, Ye Chen decidiu ver como estava a companheira.
Mas então...
Um estrondo retumbante ecoou: a Tigresa Branca vinha em disparada, seu corpo gigantesco avançando com tal força que fazia as ondas tremerem.
Rugiu!
Saltando da floresta, aterrissou no lago. Olhando para Ye Chen, seus olhos brilhavam com vontade de brincar.
Quando o grande felino se animava, não havia como escapar. Sem escolha, Ye Chen se deixou vencer, ressuscitou para recuperar as forças e energia vital, e passou a brincar de batalha aquática com a Tigresa Branca.
Plash, plash, plash!
Homem e tigresa agitavam as águas, salpicando em todas as direções. Com a energia da fruta, a força e a velocidade da tigresa haviam aumentado; um simples golpe dela já bastava para explodir a superfície.
Antes, Ye Chen não tinha força para enfrentar diretamente suas patadas. Agora, ainda não era páreo, mas, aproveitando-se das propriedades da água, conseguia ao menos resistir e trocar alguns golpes – embora, para aguentar mais tempo, precisasse ressuscitar repetidas vezes.
Até que, montado novamente nas costas da Tigresa Branca e após uma dezena de socos, ela finalmente parecia satisfeita.
Rugiu novamente, chamando Ye Chen.
“Quer mais?”
Percebendo o sentido do rugido, Ye Chen entendeu: ela queria outra Fruta Escarlate.
“Certo.”
Concordando, canalizou energia vital e percebeu o vigor no corpo da companheira, concluindo que ela realmente poderia absorver mais uma fruta.
Que inveja de tal constituição!
“Desta vez, absorva o poder da fruta guiando-o pela energia que vou transmitir.”
Sem saber se o animal entenderia, Ye Chen enfiou uma Fruta Escarlate na boca da tigresa e começou a canalizar energia para seu interior.
Os meridianos e pontos de energia de um tigre, naturalmente, diferem dos humanos, mas, sendo ambos mamíferos, a rede básica é semelhante.
Seguindo a espinha, ramificando-se pelos membros, formando um circuito simples no abdômen.
Com a entrada da energia vital, o poder antes disperso da Fruta Escarlate foi conduzido pouco a pouco, fortalecendo sistematicamente os meridianos, pontos de energia e ossos da Tigresa Branca.
Auuuu~
A tigresa murmurava de prazer dentro d’água.
Ye Chen, deitado sobre ela, parecia uma fonte inesgotável, transmitindo energia, guiando-a. Apesar do poder renovado pela fruta, o fluxo constante o esgotava, mas não importava – bastava reviver de novo.
Não era favoritismo por parte de Ye Chen, mas curiosidade: queria ver se, sob sua orientação, a Tigresa Branca conseguiria desenvolver energia vital. Pela natureza da Arte da Eterna Juventude, mamíferos, em essência, podiam cultivá-la.
Ao mesmo tempo, ao organizar os fluxos, ele próprio absorvia parte do poder da fruta, fortalecendo sua energia.
Vantagem em todos os aspectos: evitava que a tigresa explodisse de tanto poder, ajudava-a a cultivar, e ainda tirava uma comissão para si – perfeito.
O tempo passava e, aos poucos, o poder da fruta era absorvido. Contudo, além da energia vital de Ye Chen, a tigresa ainda não desenvolvera sua própria.
Quando ele já ia desistir, finalmente surgiu uma névoa interna na companheira.
Era energia vital!
“Conseguiu mesmo!”, Ye Chen animou-se, observando atentamente o fluxo dentro da tigresa. Não interferiu, permitiu que a energia circulasse livremente. A cada respiração, os músculos relaxavam, os ossos vibravam suavemente. Ye Chen notou que a energia vital não se agitava ou se dispersava, mas fluía pelo corpo do animal de forma natural, como água seguindo o caminho mais baixo.
Fluiu, fluiu, até alcançar o centro do abdômen.
Depois de absorver o poder da fruta, a tigresa levantou-se e saiu em busca de alimento; Ye Chen permaneceu deitado em seu dorso, sentindo o movimento. A energia vital acompanhava cada ação do animal, encaixando-se perfeitamente ao corpo, tão fluida quanto a respiração.
“Mente pura, sem distrações, seguindo a natureza do caminho.”
Sentindo o fluxo da energia dentro da Tigresa Branca, uma frase brilhou na mente de Ye Chen.