Capítulo 41: A Preparação do Elixir de Desintoxicação
Durante três dias, Ye Chen sofreu com o amargor, mas finalmente, ao final desse período, o gosto se dissipou. No entanto, ele não sabia se era apenas impressão sua, pois continuava achando que ainda vivia nesse amargor. Tudo o que comia parecia ter o mesmo sabor desagradável.
“É só questão de tempo, você vai se acostumar. Isso é psicológico”, disse o mestre Wang Yang durante a refeição.
“Mas você ficou três dias inteiros nesse sofrimento... Parece que a receita do seu tio-mestre é mesmo potente.” Olhando para Ye Chen, Wang Yang perguntou curioso: “Depois de três dias, imagino que o efeito do remédio já tenha sido totalmente absorvido. Sentiu alguma mudança?”
“A visão melhorou, consigo enxergar mais longe, e minha percepção também ficou mais aguçada. Além disso, fiz um teste com arsênico; aquilo só me deu dor de barriga por um tempo e uma diarreia logo passou”, respondeu Ye Chen.
Wang Yang ficou sem palavras.
Lembrando do jeito peculiar de Ye Chen, ele engoliu qualquer reprimenda que pudesse surgir. “Quanto você tomou?”
“Duzentos e cinquenta gramas.”
Ye Chen pesou a dose com precisão: começou com cinquenta gramas e foi aumentando, até chegar a trezentos, quando não aguentou mais. O limite seguro foi duzentos e cinquenta gramas.
“Duzentos e cinquenta... Você só não morreu porque tem sorte.”
Ao ouvir a quantidade, Wang Yang quase se engasgou com a comida. Demorou a retomar o fôlego e, então, preferiu não prolongar a conversa com Ye Chen.
“Amanhã vou colher uma tigela do seu sangue para ver se consigo preparar algumas pílulas antídoto.”
Sem mais interesse em discutir a quantidade de arsênico, Wang Yang mudou de assunto e decidiu colher sangue de Ye Chen.
“Tudo bem!”, concordou Ye Chen, também curioso para saber que efeito teria seu sangue.
Ele já havia usado algumas gotas para regar plantas, e estas não sofreram nada, então imaginava que seu sangue não era venenoso. Mas se teria propriedades antídoto, isso não sabia.
“Se conseguirmos fabricar as pílulas, vendendo-as você fica com metade do lucro”, disse Wang Yang, despreocupado.
“Então temos que cobrar caro.”
Ye Chen assentiu, nada modesto quanto ao que lhe era de direito. Afinal, doar sangue não era brincadeira.
“Se o experimento funcionar, certamente não será barato. Os ricos estão dispostos a pagar fortunas hoje em dia”, Wang Yang sorriu, e o brilho dourado dos lucros reluziu em seu olhar.
O miasma das montanhas não matava de imediato, tampouco tinha antídoto eficaz, então, se conseguissem criar a pílula, o mercado seria promissor.
Pelo tom do mestre, a ideia era mirar o público mais abastado.
Cinco anos de isenção fiscal era um benefício razoável para o povo, mas para comerciantes ricos era um privilégio imenso.
Por isso, eles eram ainda mais ativos na busca pelas Pedras Coloridas do que os camponeses. Muitos aldeões corriam para as montanhas infectadas, motivados pelos altos pagamentos oferecidos pelos ricos.
No dia seguinte, Ye Chen começou a doar sangue.
Encheu uma tigela enorme, a ponto de ficar tonto, sentindo que o mestre o tratava como uma torneira, extraindo sem dó.
“Vou preparar as pílulas. Vocês dois fiquem na frente, receitando medicamentos para quem for envenenado pelo miasma”, disse Wang Yang, levando a tigela de sangue para seu quarto.
“Mestre, posso assistir ao preparo?”, perguntou Ye Chen, curioso sobre o processo da pílula antídoto.
“Irmão, não tem nada demais para ver”, respondeu Zhao Shan, indiferente à curiosidade de Ye Chen, com um leve desprezo na voz.
“Se quiser, venha”, Wang Yang permitiu, levando Ye Chen para seu quarto.
Ali, havia um pequeno armário particular, repleto de compartimentos, cada qual guardando ervas valiosas.
A raiz de ginseng de vinte anos, trazida por Ye Chen certa vez, estava guardada ali.
“Pegue aquela bacia de jade”, ordenou Wang Yang.
Ye Chen buscou a bacia, do tamanho de uma meia bacia de lavar rosto. Apesar de chamada de jade, parecia mais uma pedra, mas o verde translúcido e o brilho granulado não deixavam dúvidas quanto ao seu valor. Como diriam os conhecedores, era do tipo feijão.
“Mestre, o que faço agora?” Colocando a bacia sobre a mesa, Ye Chen perguntou.
“Despeje seu sangue nela.”
Enquanto Ye Chen obedecia, Wang Yang revirava o armário, tirando cerca de cinco ervas raras, que triturou e reduziu a pó antes de misturar ao sangue na bacia.
“Vá na cozinha buscar farinha”, ordenou novamente.
“Farinha?” Ye Chen estranhou, sem entender a utilidade.
“Exatamente, farinha. Sem perguntas, traga logo.”
Ignorando o espanto de Ye Chen, Wang Yang gesticulou para que ele se apressasse.
Logo a farinha chegou.
Ye Chen viu Wang Yang despejar a farinha na bacia.
“Ainda está muito líquido, não é suficiente”, resmungou Wang Yang, jogando mais punhados de farinha até a mistura virar uma massa espessa.
E então começou a sovar.
Sim, sovar massa!
Ao contrário da farinha branca comum, ali a cor adquirira tons cinzentos e negros com as ervas e o sangue de Ye Chen.
Depois de muito sovar, a massa ficou consistente, elástica, repousando na bacia de jade.
Wang Yang arrancou um pedaço e começou a modelar nas palmas das mãos, formando uma pílula.
“Mestre, esta é a pílula antídoto?”
Agora Ye Chen entendia porque Zhao Shan dissera que não havia nada de interessante para ver. De fato, era só misturar ingredientes e sovar massa.
Nada da alquimia misteriosa e sofisticada que ele imaginava.
“Ainda não está pronta. Pegue outra bacia, coloque alcaçuz, acenda fogo e asse as pílulas, depois basta soprar a fuligem e estarão prontas”, explicou Wang Yang, apressando-o para não deixar as bolinhas perderem a forma.
“Entendido”, Ye Chen balbuciou, sentindo-se meio sem palavras.
Depois de uma hora de trabalho, finalmente uma bacia cheia de pílulas estava pronta.
Ye Chen contou cuidadosamente: cento e cinquenta e três bolinhas, do tamanho da ponta do dedo mínimo. Não eram perfeitamente lisas, mas também não eram grosseiras, bem próximas do formato ideal.
Vale dizer, seu mestre tinha mãos habilidosas, ótimas para modelar bolinhas.
“E então, o que achou?” Wang Yang pegou uma pílula, cheirou e perguntou a Ye Chen.
“A simplicidade é o supremo”, respondeu Ye Chen, sério.
“Vejo que você aprende rápido”, Wang Yang concordou, também sério.
“Mestre... isso funciona mesmo?”
Ye Chen preferiu nem pensar no modo de preparo, queria apenas saber se era eficaz.
“Pela teoria, deve funcionar. Mas precisamos de alguém para testar.”
Dito isso, Wang Yang olhou para Ye Chen: “Agora você tem um corpo resistente a venenos. Não diria que é invulnerável, mas o miasma não te afeta. Leve essas pílulas para a Montanha Sul e arrume um voluntário para experimentar.”
“Tudo bem”, assentiu Ye Chen, consciente de que não tinha motivo para recusar.
Afinal, era uma pílula feita do próprio sangue; ele precisava ver o resultado.