118 Vida decadente
A filha foi namorar com o namorado.
O que um idoso solitário pode fazer sozinho em casa?
Dançar numa praça?
Nos dias de hoje, isso não existe!
Então só resta arrumar alguma coisa para fazer, como cultivar ervas medicinais, preparar fórmulas, testar remédios por conta própria, e criar animais de estimação — cobras, insetos, ratos, formigas... O pátio da casa de Ye Chen agora é praticamente proibido para estranhos.
O cheiro estranho das ervas já é difícil de suportar; somado aos bichos, qualquer pessoa normal ficaria desconfortável, muito menos se aventuraria por ali.
“Queria te dissecar de uma vez!”
Olhando para a pequena criatura quieta na palma da mão, cada vez menor, agora do tamanho da mão de um bebê, com a pele lisa como jade e o brilho vermelho intenso refletindo ao sol, Ye Chen murmurou.
Nos últimos anos, além de praticar artes marciais, Ye Chen queria criar uma nova espécie de gu, mas não teve sorte!
Por mais que experimentasse, os insetos no pátio continuavam insetos, as cobras eram cobras, os sapos não mutavam; nada tinha a ver com gu.
Com a mente conectada a Ye Chen, sem precisar olhar para ele, o sapo Man Gu Zhu Ha sentia instantaneamente seus pensamentos.
O corpinho encolhido, imóvel, cabeça erguida, emitia um som baixo e rouco, sem a arrogância habitual.
“Hehe... Estou brincando, não fique nervoso.”
Ye Chen sorriu, batendo suavemente no pequeno corpo do sapo. “Segundo o manual da Seita Shennong, no Monte Wuliang surge um Man Gu Zhu Ha a cada vinte anos ou mais. Já se passaram doze anos, daqui a mais dez provavelmente aparecerá outro. Quando isso acontecer, eu vou dissecar ele, não você.”
Embora tivesse cuidado do pequeno por mais de dez anos, Ye Chen ainda estava curioso — como um sapo podia viver tanto tempo ficando cada vez mais jovem? Por que, mesmo bebendo tanto sangue, ele encolhia?
Gu, essa coisa misteriosa!
Ye Chen estava realmente intrigado, mas não tinha coragem de experimentar com um ser que criara por tanto tempo.
Ele era curioso, não um cientista louco sem limites.
“Diz aí, será que aquela pestinha, Huanhuan, está se enrolando com aquele tal de Dugu Jian?” De repente, falando com o sapo, Ye Chen perguntou.
Jiang Ang!
O pequeno sapo vermelho, que podia sentir os pensamentos de Ye Chen, expressou logo seu profundo desprezo pelo tal Dugu Jian, fazendo uma acusação alta.
“Hehe... Não é à toa que você é meu gu, nossos pensamentos realmente se alinham.”
Ye Chen acariciou o pequeno sapo com carinho.
O olhar do sapo fitava Ye Chen, suas pequenas pupilas em forma de meia-lua estreitas. Seu pequeno coração finalmente relaxou um pouco.
Mas antes que pudesse se acalmar de vez, um novo pensamento de Ye Chen o deixou tenso outra vez.
“Não tenho paciência para aquela menina.”
“Melhor a gente fazer o que realmente importa!” Pegando o pequeno sapo vermelho, Ye Chen sorriu. “Dias atrás chegou um novo lote de sapos, de vários tamanhos. Veja se algum serve para os testes.”
O gu é criado artificialmente.
Segundo o manual da Seita Shennong, trata-se de uma mutação induzida de venenos, uma criatura muito especial, que não se reproduz; o Man Gu Zhu Ha é uma exceção.
Se é uma exceção, será que pode ser ainda mais especial?
Ye Chen queria ver se era possível criar gus por reprodução!
Esse plano surgiu há muito tempo e já estava em prática, mas... sapos comuns não resistem ao veneno do pequeno vermelho!
Na reprodução, o veneno do gu se incorpora ao gene e é herdado. Deixando de lado a questão do isolamento reprodutivo, essas espécies de sapos não suportam o veneno do pequeno vermelho, muito menos outros mais fortes!
Por isso, Ye Chen precisava comprar sapos de várias espécies de diferentes regiões para testar.
Sem perder tempo, ele jogou o pequeno vermelho num lago próximo, onde havia sapos de todas as cores e tamanhos.
Os maiores tinham cabeças quase do tamanho de adultos.
Os menores, verdes com manchas, vieram de longe, comprados a peso de ouro — sapos florestais, também muito venenosos, do tamanho do pequeno vermelho.
Sabendo o que precisava fazer, o esperto pequeno vermelho saltou, atacando um a um.
E então...
Todos morreram!
“Realmente não dá!” Ye Chen balançou a cabeça diante do silêncio que tomou o lago, onde antes havia coaxar.
Por enquanto, desistiu de usar sapos normais para os experimentos.
Mas não abandonou a ideia da reprodução.
Sapos comuns não servem, e o Man Gu Zhu Ha?
Daqui a uns dez anos, quando o Monte Wuliang gerar outro, ele vai capturá-lo para cruzar com o pequeno vermelho. Isso ele pode esperar.
“Olha esse corpinho, te dou chance e você não aproveita!”
Ye Chen apontou o dedo para o pequeno vermelho que pulou de volta ao seu ombro, levantou-se da cadeira de balanço.
“Hora de tomar o remédio.”
Com todos os manuais da Seita Shennong em mãos, Ye Chen aprofundava seus estudos em ervas medicinais, baseando-se nos livros existentes para suas próprias pesquisas.
Normalmente, uma fórmula segue o princípio do senhor, ministro, assistente e mensageiro, buscando equilíbrio entre yin e yang, na medida certa.
Mas Ye Chen fazia diferente, propositalmente desequilibrado, sem essa hierarquia, apenas jogando lenha na fogueira e enchendo o terreno de água!
Um remédio principal acompanhado por vários auxiliares que se reforçavam mutuamente; a maioria não aguentaria nem alguns dias, e Ye Chen sofria muito ao tomar.
A dor era certa!
Porém, nesse sofrimento, ele acumulava vasta experiência sobre as propriedades das ervas e suas combinações.
Por exemplo, o unguento usado por Dugu Jian: geralmente um unguento aplicado por um dia faria o braço que ele mal podia levantar no dia anterior voltar ao normal.
Esse remédio precioso Ye Chen, futuro sogro, adquiriu a custo de sua própria vida!
Agora, Ye Chen tentava fórmulas alucinógenas.
Enquanto tomava o remédio, Huanhuan apareceu com Dugu Jian.
Vendo Ye Chen tomando remédio, Huanhuan apressou-se a interromper: “Pai, por que você vai tomar remédio de novo?”
Ye Chen fazia testes com suas próprias fórmulas, o que Huanhuan sabia e sempre tentava impedir. Apesar de ele sempre ficar bem depois, com uma breve fraqueza, logo voltava cheio de energia, mas e se algo desse errado?
Infelizmente, Huanhuan não podia impedir totalmente o que Ye Chen tinha que fazer.
Enquanto ela estava em casa, ele se segurava.
Não exatamente se segurava, com a filha por perto, nem tinha vontade de tomar remédios ou fazer experiências.
Mas quando ela saía, Ye Chen recomeçava seus testes. Ela passava a maior parte do tempo na escola da capital, e não vinha muito. Ele podia se permitir.
“Sem nada para fazer, preciso arrumar alguma coisa para ocupar o tempo!”
Olhando para o remédio alucinógeno que Huanhuan tinha tirado, Ye Chen voltou o olhar para Dugu Jian ao lado dela.
“Por que você veio?”
“Tio, quero aprender com você. O que exatamente é a intenção da espada que você mencionou da última vez? Pode me deixar sentir?”
Dugu Jian era direto e objetivo, e Ye Chen respondeu na mesma linha:
“Não vou!”
Vendo a surpresa no rosto do rapaz, Ye Chen fez um bico.
“Por que essa cara? Huanhuan não te disse que não uso espada?”
“Ela disse, mas acho que, já que o tio tem tanta sabedoria, deve saber alguma coisa.” Dugu Jian pediu com seriedade: “Por favor, me ensine.”
“Isso não faz sentido.” Ye Chen balançou a cabeça. “Alguém pode explicar uma coisa, mas isso não significa que ele realmente entende.”
“É como comer uva com ou sem casca — depende de cada um!”
Olhando para os olhos insistentes de Dugu Jian, Ye Chen sentiu uma tontura e não quis enrolar mais.
“Você, garoto... huff huff~~”
O efeito do remédio começou a subir, uma vertigem tomou conta. A pequena quantidade que Huanhuan tinha tirado era só uma fração; na verdade, ele tinha engolido uma tigela inteira.
Sem terminar a frase, Ye Chen caiu no chão, desmaiado.