Capítulo 12: Ficou louco? Com 569 pontos você se inscreveu para a Universidade Aeronáutica de Pequim?
— Já tiraste a carta? — As sobrancelhas de Lin Ziyi se arquearam, demonstrando desconfiança. — Wang Yi, que sentido faz mentir desse jeito? Só quer chamar minha atenção?
— Hã? E o que isso te interessa? — Wang Yi respondeu, sem esconder o fastio.
— Você... — Lin Ziyi ficou furiosa, sem palavras.
Wang Yi não quis prolongar a conversa. Tirou calmamente sua carteira de motorista e a mostrou: — Venha, dê uma olhada no documento do seu pai adotivo!
Sun Rui pegou o documento, arregalou os olhos e exclamou: — Caramba! É mesmo uma carteira de motorista! Você conseguiu passar?
— Claro, acabei de fazer a prova prática hoje de manhã, junto com o grupo anterior. Treine direitinho, meu bom filho! Não me faça passar vergonha.
Dando um tapinha no ombro de Sun Rui, Wang Yi seguiu direto em direção à fábrica de calçados.
Sun Rui ficou parado, atordoado, com uma expressão indecifrável. Lin Ziyi, Li Xin e os outros também se entreolharam, sem conseguir articular palavra de tamanha surpresa.
Mal começamos a treinar e você já conseguiu a carteira! Há pessoas que realmente não são deste mundo... Ele é um fenômeno! Não é humano!
— Meu Deus! — exclamaram.
— Só treinou três dias e já passou na última prova!
— Como pode ser tão incrível?
— Um monstro! — Wu Qi resmungou, visivelmente abalado.
O coração de Lin Ziyi bateu mais forte. Aquela sensação de superioridade por ter tirado vinte pontos a mais que Wang Yi desapareceu num instante. Ainda assim, com sua habitual arrogância, insistiu:
— Wang Yi, em que universidade você se inscreveu?
— Universidade de Aeronáutica de Pequim! — respondeu Wang Yi, sem rodeios, já que a primeira fase de inscrições já havia terminado.
— Como é? Com 569 pontos você se inscreveu lá? Está louco? — Lin Ziyi ficou perplexa.
Li Xin também não entendeu nada: — Wang Yi, foi uma decisão precipitada. Numa universidade dessas, nem com 669 pontos é garantia de vaga!
Sun Rui, por sua vez, ergueu o polegar: — Espetacular! Não digo mais nada, só pela sua coragem já merece meu respeito!
Wang Yi sorriu de leve: — Só quis tentar. Se passar, vou para lá; se não, faço mais um ano de cursinho e tento de novo.
Esse discurso ele já havia preparado. Afinal, inscrever-se na Universidade de Aeronáutica de Pequim com apenas 569 pontos e ser aprovado poderia levantar suspeitas. Com essa explicação, tudo fazia sentido.
Simples: tenho um sonho de estudar lá! Mesmo que precise tentar duas vezes, não vou desistir!
E todos acreditaram.
Wu Qi suspirou: — Então é isso. Você já tinha decidido repetir o cursinho, por isso arriscou. Tem fibra!
— Nada mal! Não imaginei que você fosse um rapaz com um sonho tão grande. Vai longe! — Li Xin disse, lançando um olhar significativo para Lin Ziyi. — Hoje em dia, tem muita gente insistente, mas poucos realmente persistem em seus sonhos. Tem certeza de que vai deixá-lo escapar?
Lin Ziyi, com expressão complexa, ainda assim se aproximou e falou suavemente:
— Wang Yi, o que eu disse antes ainda vale.
— O quê? — Wang Yi não fazia ideia a que ela se referia.
— Se você repetir o cursinho e entrar numa das melhores universidades no ano que vem, ainda te darei uma chance. Nós ainda poderemos...
— Pare! Não precisa, de verdade. Não somos compatíveis, melhor cada um seguir o seu caminho. A vida é longa, talvez nunca mais nos vejamos.
Quem quer a sua chance? Que piada!
Depois de viver tudo de novo, quem quer saber de namoro? Para não dizer que a maioria dos relacionamentos não é pura, mesmo os mais sinceros têm prazo de validade! E, geralmente, esse prazo é curto; as surpresas desagradáveis superam em muito as alegrias...
Não tem graça nenhuma.
Para noventa e nove por cento dos homens, dinheiro é mais confiável do que mulheres, carreira é mais segura do que amor! Wang Yi sabia que não fazia parte daquele um por cento. Nem antes, nem agora.
Em vez de desperdiçar tempo em sentimentos, é melhor investir tudo em negócios e dinheiro!
Este ano ele tinha dezoito anos. Aos dezenove, queria ser de classe média; aos vinte, queria estar no topo. Antes dos trinta, seria um dos maiores, alguém que dita as regras do jogo!
Não é mais interessante?
Quando esse dia chegar, que tipo de mulher não estará ao alcance dele?
Por que se contentar com uma Lin Ziyi, quando pode ter toda uma floresta tropical?
Definitivamente, não precisa.
— Wang Yi, você é odioso! — Lin Ziyi estava furiosa. — Não se arrependa! — Ela não entendia; estava disposta a esquecer o passado, a lhe dar uma chance!
Mas Wang Yi não se importou, seguiu seu caminho sem olhar para trás.
— Hmph! E eu achando que você era grande coisa. Inscreve-se na Universidade de Aeronáutica de Pequim com apenas 569 pontos? Que piada! — zombou Chu Chuanjun, com sua voz ácida.
Wang Yi parou, sorrindo:
— Chu Chuanjun, eu passei na prova prática em três dias. Isso sim é ser bom. Agora, você treinou por um mês e ainda foi reprovado. Isso sim é ser um fenômeno! Parabéns pelo autoconhecimento!
— Idiota! — Chu Chuanjun ficou furioso.
— Com quem está falando? — Wang Yi perguntou, sorrindo.
— Com você, seu idiota!
— Pois é, tem um idiota aqui falando de mim! — Wang Yi riu alto, acenando e se afastando.
— Você! — Só então Chu Chuanjun percebeu que tinha caído numa armadilha simples... Ficou tão bravo que quase explodiu. — Wang Yi, você está pedindo para morrer!
Wu Qi, assistindo à cena, comentou baixinho:
— Esse truque é bem conhecido. Quem leu "O Herói do Penhasco Divino" sabe muito bem do que se trata. Como ainda tem gente que cai nisso?
Sun Rui assentiu: — Vai ver ele é analfabeto.
Chu Chuanjun ficou ainda mais indignado. Percebeu que todos estavam do lado de Wang Yi. Mesmo enraivecido, decidiu se controlar. Se partisse para a briga, Sun Rui ajudaria Wang Yi. Mesmo que Wu Qi não se envolvesse, dois contra um não lhe dariam chances.
Só lhe restou gritar, impotente: — Wang Yi, você vai me pagar!
— Pois sim! — Wang Yi mostrou o dedo do meio e seguiu para a Fábrica de Calçados Taishi.
— Jovem, o que veio fazer aqui? — O porteiro o deteve.
— Ouvi dizer que vocês têm muitos sapatos com numeração incompleta. Quero comprar em quantidade.
A Fábrica de Calçados Taishi atendia apenas encomendas grandes, todas para exportação. Se fosse comprar sapatos comuns em pequena quantidade, provavelmente nem dariam atenção. Mas sapatos com numeração incompleta eram outra história.
Além disso, porteiros como aquele geralmente não eram simples funcionários. Podiam muito bem ser parentes do dono da fábrica.
— Sapatos com numeração incompleta? — O porteiro se animou. — Você quer mesmo?
— Sim.
— Quantos pares?
Wang Yi pensou um pouco: — Mais de mil pares.
— Ótimo, vou te colocar em contato com a pessoa certa!
O porteiro pegou o telefone e discou:
— É você, Erni? Tem um rapaz aqui querendo comprar sapatos com numeração incompleta, mais de mil pares. Venha falar com ele! Isso, está aqui na portaria. Pode mandá-lo entrar? Certo!
Desligou e apontou para a sala de recepção:
— Pode ir, rapaz.
— Obrigado, senhor. — Wang Yi seguiu para dentro, certo de sua suposição. Pelo modo como se referiu a Erni, o porteiro devia ser de outra geração, provavelmente aposentado, ajudando os mais novos na fábrica para passar o tempo.
— Você é quem quer sapatos com numeração incompleta? — Uma mulher de cerca de quarenta anos se aproximou. Vestia-se com simplicidade, sem maquiagem, mas era notavelmente eficiente e prática.
Pessoas assim negociam rápido, sem necessidade de jantares demorados ou de mil formalidades.
— Sim. Posso dar uma olhada?
— Claro, por aqui.
Ela conduziu Wang Yi até um grande depósito nos fundos, onde havia uma enorme quantidade de sapatos estocados, todos com numeração incompleta.