Capítulo 32: Conquiste-o de uma vez!
No mundo da moda, o mais importante são os estilos e as tendências. Modelos antiquados não têm saída, a não ser em promoções para cidades pequenas. Pelo menos a confecção era boa, parecia ser obra de trabalhadores experientes, o que era fundamental. Não só agora, mas mesmo dez anos depois, a maioria das fábricas de roupas ainda dependeria do trabalho manual, com pouquíssimos sistemas suspensos automatizados. O motivo era simples: as fábricas mudavam constantemente os modelos de produção. O custo dos equipamentos suspensos era alto, valendo a pena apenas para produções em massa de uma mesma peça. Se as trocas de modelo fossem frequentes, a produção manual era mais prática.
— A propósito, quanto o senhor Iin está devendo a vocês de salário? — perguntou Wang Yi.
Era uma bomba-relógio! Se isso não fosse resolvido, mesmo comprando a fábrica, seria difícil dar início ao trabalho.
— Ai! São trinta e uma pessoas, somando dá quinhentos e cinquenta mil! — respondeu o velho Feng, balançando a cabeça. — É o suor do nosso trabalho!
— Entendi. Entre em contato com o senhor Iin, diga que estou interessado na compra.
— Certo, vou lhe dar o cartão dele, você mesmo entra em contato. Nossos números já foram todos bloqueados por aquele desgraçado — lamentou o velho Feng.
Wang Yi pegou o cartão e foi ligar de lado.
— Alô? Quem é? Se for cobrador, nem adianta insistir, não tenho dinheiro! Pode me matar de tanto cobrar, não vai adiantar! — do outro lado, o senhor Iin já se mostrava totalmente desanimado.
Dava para imaginar sua situação. Wang Yi sorriu levemente; nessas condições, era fácil negociar o preço para baixo.
— Não é cobrança, é proposta de compra da sua fábrica!
— O quê? Vai comprar a fábrica? — O senhor Iin se animou. — Ótimo, ótimo! Quanto você oferece? Aviso logo, menos de três milhões, nem pense!
Wang Yi franziu a testa:
— Senhor Iin, não está querendo vender? Então deixa para lá.
E já ia desligar.
O senhor Iin, aflito, implorou:
— Espere, espere, podemos conversar. Se for sério, por dois milhões e quinhentos mil eu vendo!
— Ainda está caro! Você sabe muito bem o estado da sua fábrica, não sabe? — rebateu Wang Yi.
— Bem... dois milhões, não posso baixar mais, senão vou sair no prejuízo! — resmungou o senhor Iin. — Ano passado gastei dezenas de milhares para ampliar e atualizar os equipamentos. Dá para cinquenta operários trabalharem ao mesmo tempo. Pena que quase não usei, já quebrei!
Wang Yi fez as contas: só os equipamentos valiam uns trinta ou quarenta mil. Com o galpão e mil metros quadrados de terreno, dois milhões não era caro.
O senhor Iin continuou:
— Ainda tenho tecidos de boa qualidade estocados e algumas roupas prontas a vender. Isso tudo junto vale uns dez ou vinte mil. Peço dois milhões, não é muito!
Wang Yi assentiu:
— Certo, dois milhões está combinado, volte para assinar o contrato.
— Ótimo, depois de amanhã estarei aí! — O senhor Iin estava radiante. Dois milhões era o melhor preço possível no momento; se demorasse mais, só ficaria mais difícil vender.
— Rapaz, fecharam negócio? — O velho Feng estava esperançoso; finalmente seu salário teria solução.
— Sim, dois milhões pela compra total.
— Que bom! Mas esses dois milhões não podem ir todos para aquele desgraçado. Se forem, nunca mais veremos nosso dinheiro suado! — exclamou o velho Feng, empolgado.
— Calma, senhor. Veja só: depois de amanhã, reúna todo o pessoal, mas não apareçam ainda. Eu desconto os quinhentos e cinquenta mil dos salários de vocês e pago um milhão e quatrocentos e cinquenta mil ao senhor Iin. Ele não vai aceitar, é aí que vocês entram, exigindo o que é de direito cara a cara! — disse Wang Yi.
Para garantir o dinheiro dos trabalhadores, Wang Yi teria que dar uma rasteira no senhor Iin. Dívida tem que ser paga, era o justo. E se não resolvesse esse pepino de quinhentos e cinquenta mil, mesmo comprando a fábrica, teria sempre gente criando confusão, impossibilitando o início do trabalho. Ainda mais porque os funcionários eram bons, Wang Yi pretendia contratá-los para fazer vestidos no estilo puro e desejável.
— Ótimo, ótimo! Muito obrigado! — O velho Feng estava radiante.
— Então fiquem atentos ao meu chamado.
— Está bem, chefe, confiamos em você! — disse o velho Feng com seriedade.
Negócio fechado, Wang Yi voltou direto para casa. Usando memórias da vida anterior, desenhou três modelos de vestidos no estilo puro e desejável. Cada um deles, atualmente, seria um estouro. Três modelos, cinco cores: já seria o suficiente para vender durante o ano.
— Falta pensar num nome de marca! — Wang Yi sabia bem a importância disso, ainda mais inaugurando uma tendência. Era fácil firmar uma marca desse jeito. O difícil era escolher o nome.
— Amor à Primeira Vista?
— Elegância Serena?
— Encanto?
— Juventude?
— Vestes do Arco-Íris?
Wang Yi não conseguia decidir, então resolveu ligar o computador de mesa e começar o desenvolvimento do aplicativo para o Melancia Rosa.
Em 2011, havia trezentos e cinquenta e seis milhões de usuários de smartphones, dos quais duzentos milhões usavam o sistema Symbian. Usuários de Android somavam setenta milhões, e de iPhone, cinquenta milhões. Era ainda o domínio da Nokia.
Mesmo assim, Wang Yi decidiu abandonar o Symbian de cara e criar apenas versões para Android e iPhone. No começo, não precisava de muitas funções; bastava um núcleo para registrar, prever o ciclo menstrual e calcular a probabilidade de gravidez. O resto poderia ser adicionado aos poucos, conforme aumentassem os usuários. Se lançasse tudo de uma vez, alguém poderia copiar rapidamente. Para Wang Yi, criar um aplicativo simples era fácil, em poucos dias estaria pronto, mas se fosse implementar tudo, levaria meses.
...
Na estrada nacional, Wu Qi e Sun Rui treinavam direção. Lin Ziyi, aborrecida, sentava-se à beira do caminho para descansar:
— Você viu como o Wang Yi é? Saiu escondido comigo para encontrar outra garota!
Dessa vez, Li Xin não concordou:
— Vocês nem têm nada definido, por que ele não pode sair com outras?
— O quê?! — Lin Ziyi ficou ainda mais irritada. — Está certa, mas isso me machuca!
— Não tem jeito, se eles se acertarem, você não será nada — riu Li Xin. — Não se preocupe, depois a gente fica solteira juntas.
— ... — Lin Ziyi ficou com o semblante complicado. — Muito obrigada, viu?
— Hehe, e a garota, é bonita? Tem um bom corpo? — Li Xin estava cheia de curiosidade.
Lin Ziyi ficou ainda mais furiosa:
— É linda! Mais bonita que eu, corpo melhor, tem dinheiro... é uma verdadeira femme fatale! O carro do Wang Yi só foi destruído por causa dela!
— Sério? Que disputa interessante! — brincou Li Xin.
— O quê?! — O rosto de Lin Ziyi escureceu. — Li Xin, de que lado você está? Vai torcer pelo casal? Então eu vou embora!
— Não é isso, só acho mais divertido ver uma herdeira rica apaixonada pelo gênio empreendedor. E se ainda tiver uma amiga de infância como terceira em discórdia, melhor ainda! — riu Li Xin.
— Li Xin, você quer morrer? Quem é a terceira aqui? — Lin Ziyi quase explodiu; era uma amizade bem duvidosa.
— Nada disso. Só estou te alertando: eles estão progredindo rápido. Se você não se decidir logo quanto ao que sente pelo Wang Yi, quando eles ficarem juntos, você vai se arrepender e, no máximo, vai ser a terceira!
— Eu... — Lin Ziyi ficou em silêncio, sua expressão mudou de repente.
— É verdade, não posso ser a terceira, ela que seja! Não, nem ela pode! Preciso conquistar o Wang Yi antes, para que ela desista!
— Assim é que se fala! — Li Xin ficou toda animada.
‘Duas mulheres disputando um homem, assim é que é divertido! Muito melhor que nos romances; a vida real é muito mais emocionante!’