Capítulo 6: A Primeira Geração de Jovens Desencantados dos Anos 90

Renascido em 2011, conquistando uma vaga na universidade de elite Primavera e Outono sem Embriaguez 2844 palavras 2026-01-30 12:41:54

— Está bem, então vá, eu já cheguei em casa!

Lin Ziyi suspirou e só pôde descer do carro com o rosto sério.

Wang Yi continuou ouvindo música: “Senhor cliente, não pode; você está se aproximando cada vez mais, para onde está olhando...”

O carro seguiu para o leste até o ponto final na cidade.

Wang Yi passeou pela cidade, primeiro comprou broas de pêssego para a vovó materna, depois comprou bolinhos assados para a vovó paterna.

Aproveitou para dar uma olhada nos modelos e preços de tênis da cidade.

Não mudou muito em relação ao que lembrava: tênis de qualidade razoável, o mais barato custava sessenta ou setenta, sapatos de couro a partir de oitenta!

Wang Yi fez seus cálculos, olhou para a carteira e viu que ainda tinha noventa reais; decidiu comprar duas caixas de leite.

— Jovem, que leite você quer? Leite fermentado, trinta e cinco a caixa, é uma delícia!

Wang Yi balançou a cabeça, de fato esse leite fermentado vendia muito bem naquela época, até melhor que o leite puro!

Só mais tarde, quando todos começaram a olhar os ingredientes, perceberam que aquilo era só bebida, nem leite era de verdade...

Wang Yi conferiu os preços e viu que não tinha dinheiro suficiente para o leite puro de caixinha.

Comprou então duas caixas de leite integral em embalagem plástica, cujo único ingrediente era leite fresco, gastando setenta reais.

No trecho final do caminho, não havia ônibus, então Wang Yi pegou uma mototáxi:

— Quanto até a Vila Qinglai?

— Quinze reais até a Vila Qinglai, jovem, suba logo! — disse o senhor com experiência.

— Sempre paguei dez.

— Dez não dá mais, agora são quinze!

— Então vou procurar outro.

— Ora, somos conhecidos, dez está bom! — respondeu o senhor sem nem corar.

Era claro que a intenção era explorar o passageiro!

Se conseguisse, ganhava treze, senão, ainda assim levava oito.

Wang Yi já tinha caído no truque desse velho trapaceiro antes!

O avô e a avó materna dele eram do mesmo vilarejo.

Foi só na geração dos pais que, com muito esforço, conseguiram comprar casa na cidade e se firmar lá.

Olhando a paisagem do trajeto, Wang Yi sentiu aquela emoção de quem retorna à terra natal.

Na vida passada, quando os mais velhos se foram, a velha casa também se perdeu.

Depois disso, ele raramente voltava.

E cada vez que voltava, sentia que havia menos gente na vila.

Hoje, na escola primária local, ainda havia crianças estudando!

Mas em poucos anos, nem as escolas primárias dos povoados iriam restar!

Por causa dos filhos, os jovens eram obrigados a ir para a cidade comprar casa.

Chegando ao lado oeste da vila, Wang Yi primeiro passou pela casa do avô.

Ao ver o neto voltar, a avó, que conversava no portão, abriu um sorriso radiante.

O avô, que assistia televisão em casa, entrou e trouxe uma grande melancia.

— Ainda não almoçou, não é? Vovó vai fazer suas costelinhas ao molho vermelho favoritas! Justo hoje seu avô comprou costela no mercado!

— Não se preocupe, vovó, descanse um pouco primeiro.

Wang Yi largou uma caixa de leite e tirou os bolinhos assados.

— Xiao Yi é mesmo um neto dedicado, sabe que a vovó adora isso, hehe — disse a vovó, muito contente. — Melhor que seu avô, que vai ao mercado e não me traz nada!

— Só esqueci desta vez! — respondeu o avô, sem graça, passando um pedaço de melancia para Wang Yi.

— Obrigado, vovô, trouxe cigarros para você!

— Cigarrilhas suaves! — o avô arregalou os olhos. — Com esse dinheiro dava para comprar vários quilos de carne, por que comprou isso?

— Comprou na cidade, não foi? Depois devolva, não desperdice dinheiro!

— Não comprei, já está aberto — respondeu Wang Yi.

O avô conferiu e viu que não dava para devolver, então aceitou, mas logo ficou sério:

— Está faltando um cigarro, aprendeu a fumar?

— Não, é do meu professor!

— Ah, o professor fuma, então devia ter dado tudo para ele, por que só um? O vovô não precisa fumar!

— Cof, cof, o cigarro era dele! — Wang Yi sorriu, sem graça.

— O quê? — O velho ficou confuso, só entendendo depois de um tempo. — Você levou o cigarro suave do seu professor?

— Sim, se ele continuasse fumando daquele jeito, ia acabar com câncer de pulmão. Fiz isso para o bem dele.

O avô ficou em silêncio, sentindo que fazia algum sentido, mas algo estava estranho.

— Vovô, você também deveria fumar menos.

— Cof, cof! — o avô tossiu levemente. — Eu não tenho problema, quanto mais fumo, mais disposto fico! Já fiz oitenta e ainda vou ao mercado sozinho, vê se não é incrível!

Wang Yi não tinha como rebater; na vida passada, o avô fumou e bebeu até os oitenta e sete!

Se obrigasse o velho a parar, talvez só se frustrasse e ficasse pior.

Cigarro e álcool são assim, uns não aguentam e adoecem cedo, outros parecem até ficar mais fortes.

Não há o que dizer.

Depois do almoço, Wang Yi e o avô cada um em uma espreguiçadeira, com ventilador ligado, comendo melancia e conversando sobre o passado e o presente.

A avó, de óculos, armada de um mata-moscas, caçava as moscas pequenas pela casa.

Uma tarde tranquila, mas, para ele, o momento mais agradável em muitos anos.

Especialmente poder reencontrar quem tanto ansiou na vida passada; a alegria era indescritível.

Por volta das duas, Wang Yi se despediu dos avós e seguiu direto para a casa da avó materna.

O avô materno falecera cedo, e esses anos todos a avó vivia sozinha.

Wang Yi foi criado por ela, esse laço era muito especial.

Assim que abriu o portão, a avó veio ao seu encontro, sorriso aberto.

— Vovó, não descansou depois do almoço? — Wang Yi estranhou.

— Me disseram que você estava de volta, não consegui dormir!

A avó era cheia de ternura, passos leves, nem parecia ter setenta anos.

Wang Yi deixou o leite puro e tirou as broas de pêssego:

— Vovó, daquela padaria que você mais gosta!

— Ah, querido, guarde seu dinheiro, pra que comprar essas coisas? Aqui não falta nada! Sua mãe e sua tia sempre vêm me ver!

— Elas fazem o papel de filhas, eu faço o de neto, não é a mesma coisa!

Na vida passada, ele achava que sempre teria tempo, nunca ficou muito com os mais velhos, e depois se arrependeu amargamente.

Agora, queria ser um neto dedicado, fazer a avó feliz na velhice.

— Vovó, não é fácil ficar sozinha, venha morar comigo na cidade, assim posso cuidar melhor da senhora.

— Não precisa, não. Aqui na vila conheço todo mundo. Planto minha horta, converso, é tão bom. Na cidade não conheço ninguém, onde já se viu ficar mais à vontade do que em casa?

— Bem... está certo.

A avó sempre foi independente, nem quis aceitar uma cuidadora que os pais ofereceram.

Talvez por sempre trabalhar um pouco todo dia, muitos idosos da vila passavam dos oitenta e quase não adoeciam.

— Cortei cebolinha da horta, hoje à noite faço panquecas recheadas para você! É tudo da horta, sem agrotóxico!

Wang Yi adorava as panquecas de cebolinha da avó, toda vez que voltava, pedia.

— Vou ajudar a limpar as cebolinhas!

— Não precisa, vá brincar, eu faço.

A avó pôs os óculos.

— Então vou ver o que tem na cozinha, hoje eu cozinho pra senhora!

— Vai cozinhar? — A avó se surpreendeu, feliz. — Que maravilha, Xiao Yi cresceu mesmo!

Com o riso sincero da avó, a velha vizinha olhava para o telefone mudo e suspirava sem parar...

O tempo ao lado da avó era puro prazer.

Era como voltar à infância despreocupada.

No fim, Wang Yi comeu tanto à noite que precisou sair para caminhar e fazer a digestão.

— Wang Yi, você voltou! — Um jovem que tomava ar fresco do lado de fora sorriu e falou.

Parecia ter uns vinte anos, calça preta suja de terra, cabelo desgrenhado, sentado entre os velhos da vila como se fosse um deles.

— Quem é você mesmo...? — Wang Yi não lembrava.

— Eu, Song Yang! Esqueceu? Estudamos juntos na infância!

— Ah, é você! Agora lembrei!

Wang Yi ia perguntar em que faculdade ele estava, mas se conteve.

Lembrou que Song Yang largou a escola no ensino fundamental.

Depois foi trabalhar de garçom e recepcionista em restaurante por alguns anos.

Mais tarde, achou o salário baixo e, por indicação de um amigo, tentou uma fábrica.

Mas lá o serviço era pesado, não aguentou, ficou só três dias.

Agora, passava os dias em casa, criava algumas ovelhas e fazia bicos de vez em quando.

A renda era baixa, mas como o custo de vida na vila também era, não precisava comprar casa nem carro, não tinha grandes despesas, vez ou outra fazia um churrasco em casa, e a vida seguia tranquila.

Um verdadeiro representante da primeira geração de jovens dos anos 90 que decidiram levar a vida sem pressa!