Capítulo 35: O Próximo Será Ainda Mais Obediente

Renascido em 2011, conquistando uma vaga na universidade de elite Primavera e Outono sem Embriaguez 2883 palavras 2026-01-30 12:45:27

— Pai, é tudo um mal-entendido, só um mal-entendido! — apressou-se a dizer Wang Yi.

— Mal-entendido? — Quanto mais pensava, mais irritado ficava Wang Qingzhi. — Seu filho ingrato! Você anda flertando por aí e faz o velho aqui ajoelhar no esfregador de roupa!

— Flertando? De onde você tirou isso?

Finalmente Wang Yi percebeu o motivo pelo qual os pais queriam interrogá-lo na noite anterior.

— Ainda vai fingir? Você já tem a Zi Yi, mas corre atrás de outras mulheres. Não é flertar?

— Lin Zi Yi? Outra mulher? — Wang Yi entendeu. — Pai, não acredite nas bobagens de Lin Zi Yi. Na verdade, não tenho nada com ela.

Wang Qingzhi franziu as sobrancelhas. — Como assim? Vocês não se davam bem antes?

— Pois é, você mesmo disse, antes! — Wang Yi balançou a cabeça. — Culpa do seu filho aqui, que no vestibular teve um fracasso e só conseguiu passar no mínimo exigido.

Wang Qingzhi ficou em silêncio, compreendendo o que Wang Yi queria dizer.

Ele mesmo já passara por isso.

Na juventude, era estudante exemplar, achava que passaria para a faculdade, mas não conseguiu. A namorada da cidade, com quem tinha planos de casamento, terminou rapidamente. Aquela decisão, tão abrupta, abalou Wang por anos.

Naquele tempo, passar para o ensino superior já era excelente. Mas Wang ficou tão abalado que se tornou inseguro, não queria namorar ou casar. Só quando estava prestes a completar trinta anos conheceu Wang Shulin em um encontro arranjado...

— Entendi, filho. O pai te julgou mal — Wang Qingzhi, sensibilizado, sentiu-se culpado e tentou consolar: — Sei que deve estar sofrendo, mas quero te dizer que isso é só um obstáculo na vida, logo vai passar! Seja forte!

— Sofrendo? Nada disso! — Wang Yi sorriu. — Ela nem era tão especial. Bastou parar de dar atenção e já conheci uma garota melhor.

Wang Qingzhi ficou sem palavras.

A atitude de Wang Yi pegou o velho de surpresa.

— Nem sei o que acontece, já disse a Lin Zi Yi várias vezes que não combinamos, mas ela continua atrás de mim. Irritante!

— E ainda dizem que Lin Shu é problema? Devia dar um basta nela! Da próxima vez, bota ela pra fora!

Wang Qingzhi ficou sem reação.

— Filho, você está mesmo chateado ou só quer se exibir?

— Passamos pelas mesmas situações, mas tivemos destinos diferentes — Wang Yi já ouvira sobre o passado do pai pelos avós.

— Pai, isso é porque você foi muito insistente. Não, muito apaixonado! Namorado não é tudo, terminou, terminou; o próximo é ainda melhor!

Wang Yi deu um tapinha no ombro do pai, falando com sinceridade:

— Se você tivesse metade do meu desapego, teria evitado muitos anos de sofrimento!

— Terminou, terminou; o próximo é melhor? — Wang Qingzhi murmurava, sorrindo com amargura.

Se tivesse entendido isso antes, não teria sofrido tanto.

— Xiao Yi, você está indo bem — Wang Qingzhi voltou para dentro, ainda repetindo: — Terminou, terminou; o próximo é melhor.

Quanto mais pensava, mais parecia certo.

Mas quando Wang Shulin ouviu, entendeu outra coisa: — Terminou? Com quem você quer terminar?

Wang Qingzhi ficou sem palavras.

— Wang, está pensando na sua namorada da cidade de novo?

Wang Qingzhi não respondeu.

— Hoje você não vai dormir!

Com um estrondo, Wang Qingzhi ficou desolado ao ouvir a porta se fechar.

Wang Yi entrou no QQ, Lin Shu lhe enviara várias mensagens, todas com fotos de viagens.

Wang Yi respondeu algumas, depois foi dormir.

Na manhã seguinte, foi direto para a Fábrica de Calçados Zheng.

Os tênis de numeração ruim já haviam sido vendidos; agora era hora de pegar os sapatos de couro.

Se Zheng Yun não cumprisse o acordo, não importava. Wang Yi podia ir até Chen Fenfen e carregar um caminhão de roupas.

Hoje em dia, para fazer negócios, é preciso ter alternativas.

Ao chegar à fábrica, Wang Yi ligou para o contador Xu, explicou o motivo, e foi liberado pelo segurança.

Xu estava esperando na entrada do depósito, sorrindo: — Você veio mesmo!

— Claro, palavra é palavra.

— Ótimo. Aqui está o contrato, veja se está tudo certo, assinamos.

Xu Hui era uma mulher de trinta e poucos anos, trabalhava na fábrica desde que se formou, já era uma espécie de gerente.

O salário era apenas três mil e quinhentos, mas o trabalho era leve e estável.

Além disso, fazia alguns serviços particulares, supervisionando pequenas fábricas. Levava uma vida tranquila.

O principal era não correr risco de ser presa!

Contadores que ganham muito também enfrentam grandes perigos.

Neste ramo, cada benefício vem com um risco.

Wang Yi conferiu o contrato, não havia problemas, assinou imediatamente.

Zheng Yun era rígida, mas levava a parceria a sério.

Com tantos sapatos de numeração ruim, sem Wang Yi, ela teria estoque parado.

Diziam que Wang Yi estava levando vantagem, mas Zheng Yun também saía ganhando; era bom para ambos.

— Vamos, carreguem o caminhão para o irmão Wang!

Xu Hui deu ordem, alguns trabalhadores começaram a carregar.

— Obrigado — Wang Yi sorriu. — E a diretora Zheng?

— Ela? Não veio à fábrica esses dias, ninguém sabe no que está ocupada. Quando a vi, parecia cansada. Ah...

Wang Yi entendeu: Zheng Yun provavelmente estava enfrentando problemas em casa, recolhendo provas para lutar no tribunal contra o marido e a amante!

Na idade deles, quem não tem dinheiro vive uma confusão. Quem tem, enfrenta problemas de outra natureza.

Entre os que estão no meio termo e são satisfeitos, esses sim podem ser felizes.

Wang Yi pagou pelo lote, levou duas mil caixas de sapatos de couro.

Depois distribuiu nos mercados da região, recolhendo o dinheiro do dia anterior.

Em oito dias, vendeu cerca de dezesseis mil e quinhentos pares de tênis de numeração ruim, com lucro de mais de quatrocentos e noventa mil!

Somando aos cem mil que Chu Chuanjun lhe dera, mais os dez mil dos pais, seu capital chegava a um milhão e quinhentos mil!

Não tinha tempo para acompanhar a venda dos sapatos de couro.

Hoje era o dia de assinar contrato com o dono da fábrica de roupas, então foi direto para lá.

Na loja, os sapatos eram vendidos a oitenta, Wang Yi vendia por cinquenta, então não devia ser difícil.

Ainda na estrada, recebeu uma ligação do dono, avisando que o contrato seria assinado numa cafeteria perto do centro imobiliário, não na fábrica.

Wang Yi entendeu: o dono queria evitar que os funcionários cobrassem dívidas quando recebesse o dinheiro.

Assim como na vida anterior, mesmo recebendo duzentos mil, Yin Zhixing não queria pagar os cinquenta e cinco mil de salários atrasados.

Estava armando um grande problema para Wang Yi.

Wang Yi concordou, mas enviou uma mensagem para o senhor Feng.

Meia hora depois, Wang Yi entrou no Starbucks.

— Vai comprar a fábrica? Tão jovem! — Yin Zhixing ficou surpreso.

— O valor de alguém não depende da idade — respondeu Wang Yi friamente.

— Hehe, coragem não lhe falta!

Yin Zhixing exibiu o contrato: — Veja, se estiver tudo certo, assinamos e fazemos a transferência!

Wang Yi leu, não havia grandes problemas, exceto pela forma de pagamento: — Os duzentos mil não vou te entregar todos, preciso descontar os cinquenta e cinco mil de salários atrasados para pagar aos funcionários.

Yin Zhixing se alterou: — Não pode! Você me dá os duzentos mil, eu vendo a fábrica e acabou. Por que se preocupar com eles?

Descontando os cinquenta e cinco mil, só restava cento e quarenta e cinco mil, o que era inadmissível para ele.

Wang Yi sorriu com desprezo: — Fácil falar, se eu te der todo o dinheiro, você desaparece e eles vão me pressionar, não consigo abrir a fábrica!

Uma armadilha tão óbvia, Wang Yi não cairia.

— Você... — Yin Zhixing sentiu um frio na espinha, percebendo que não podia enganar Wang Yi.

— Mesmo assim, não concordo, os cinquenta e cinco mil não serão pagos!

— Então, me desculpe, só trouxe cento e cinquenta mil, não tenho mais!

— Está brincando comigo! — Yin Zhixing ficou furioso.

Wang Yi deu de ombros: — Só quero garantir que eles recebam o salário. Assinamos, transferimos, você leva cento e quarenta e cinco mil, os cinquenta e cinco mil de dívida ficam comigo, eu pago a eles!

— E se eu não aceitar? — Yin Zhixing riu, elevando a voz.

— Olhe para fora — Wang Yi apontou pela janela.

Yin Zhixing olhou e ficou pálido.

Do lado de fora, mais de trinta pessoas estavam paradas, olhando de forma hostil.

Eram exatamente os operários aos quais ele devia salários!