Capítulo 36: Armando para mim? Dente por dente

Renascido em 2011, conquistando uma vaga na universidade de elite Primavera e Outono sem Embriaguez 2888 palavras 2026-01-30 12:45:30

Diante dos trinta e um credores reunidos a poucos passos de distância, o rosto de Inácio ficou lívido de desespero.

— Walter, você me traiu!

Walter ergueu a xícara de café, sorrindo calmamente:

— Não tive escolha. Você preparou armadilhas para mim nas dívidas, só me restou retribuir na mesma moeda, senhor Inácio.

Seu semblante tornou-se frio:

— Dou-lhe duas opções. Ou seguimos com o acordo: você leva um milhão e quatrocentos e cinquenta mil, e transfere a dívida de quinhentos e cinquenta mil para mim. Ou encerramos a negociação, e você mesmo trata com eles, resolvendo suas dívidas.

— Eu... — Inácio estava desolado.

Resolver? Como resolver?

Se pudesse, não teria fugido com a esposa!

— Passei a vida caçando a águia, e no final fui bicado por ela! — suspirou Inácio. — Está bem, um milhão e quatrocentos e cinquenta mil, eu aceito o acordo!

Logo os contratos foram assinados e os trâmites realizados.

Por dois milhões, Walter adquiriu por completo a Fábrica de Confecções Brilho e Cor. Evidentemente, desses dois milhões, quinhentos e cinquenta mil eram referentes aos débitos com os trabalhadores, que agora passavam para Walter.

— Você foi astuto, Walter! — Inácio saiu do café com o rosto sombrio, nutrindo profunda raiva no peito.

Walter, acha que me enganou? Pois eu também vou te pregar uma peça!

Inácio olhou para os trabalhadores ao redor, zombando:

— Agora, quem deve a vocês é ele. Só que ele só tem um milhão e quinhentos mil, dos quais me deu um milhão e quatrocentos e cinquenta mil. Depois de pagar os impostos, não sobra nada! Hahaha!

— Ele também enganou vocês! O salário que lhes deve, ele não vai pagar! Hahaha!

Ao ouvirem isso, todos se voltaram para Walter, alarmados.

Seu Francisco não se conteve:

— Senhor Walter, o senhor também vai nos enganar e ficar com o nosso suor?

— Por favor, não faça isso! — outros suplicaram.

— Senhor Walter! Minha esposa depende do dinheiro para comprar remédios todo mês!

— Senhor Walter, se não receber o que me deve, como vou pagar a hipoteca do meu filho? Já vamos perder a casa!

Walter acalmou a todos com um gesto:

— Fiquem tranquilos. Embora eu esteja sem dinheiro no momento, ainda tenho a fábrica. Prefiro hipotecar o prédio para conseguir um empréstimo e quitar todos os salários atrasados do senhor Inácio!

— Não sou como certos indivíduos que não pagam o que devem!

— Você! — Inácio ferveu de raiva, percebendo a indireta de Walter.

Mas não teve nem tempo de se irritar: logo foi empurrado para o lado pelos trabalhadores.

— É verdade? — Seu Francisco e os outros ficaram boquiabertos, incrédulos.

Hipotecar a fábrica para pagar nossos salários?

Existe mesmo alguém assim?

A fábrica vale dois milhões; hipotecar por mais de um milhão é fácil, quitar os quinhentos e cinquenta mil é simples.

— Senhor Walter, o senhor vai mesmo hipotecar a fábrica por nossa causa? — insistiu Seu Francisco.

— Claro que sim — Walter indicou um homem ao seu lado. — Este é o gerente João da agência do Banco Popular. Assim que terminar esta papelada, vou tratar do empréstimo. Quando o dinheiro sair, pago imediatamente os cinquenta e cinco mil!

— Se não confiarem, podem voltar à fábrica e me vigiar. Podem também continuar trabalhando lá, recebendo normalmente.

— A fábrica que comprei está lá, não tem como sumir!

Diante dessas palavras, muitos se tranquilizaram, alguns concordando em voltar ao trabalho. Outros hesitaram, ainda temendo novos calotes.

Walter notou a preocupação:

— Façamos assim: quem quiser voltar, recebe o salário no mesmo dia! Quem não quiser, não será forçado.

— O quê? Salário no mesmo dia? Isso existe?

— Eu volto!

— Temos que voltar! E ficar de olho para garantir que o empréstimo saia e a dívida seja paga!

— Faz sentido!

De repente, todos se dispuseram a ficar e trabalhar. Pagamento diário: essa é a maior prova de honestidade.

Walter olhou ao redor:

— Muito bem, por hoje retornem à fábrica. Se alguém não confiar, pode designar um responsável para me acompanhar. Assim que tudo estiver pronto, começaremos, e o pagamento será feito no mesmo dia.

Um homem se adiantou:

— Façam o que o chefe diz, pessoal. Quando for a hora, aviso todos.

Diante disso, foram se dispersando.

Inácio, ao presenciar a cena, rangeu os dentes até quase quebrá-los:

— Esse garoto, apesar da pouca idade, sabe mesmo se virar. Controlou a situação e ainda conquistou a confiança de todos! Maldito!

— Pena que, assim que finalizar a transferência e receber o dinheiro, vou desaparecer.

E aqueles credores não eram os únicos.

Na cidade de São Clemente, ele não poderia mais ficar.

Na verdade, nem na metrópole de Jizhou seria seguro.

— Chefe, prazer, sou Mário. Fui eu que gerenciei a produção da fábrica até agora.

Walter assentiu:

— Ótimo. Continue responsável. Se fizer um bom trabalho, aumento seu salário em cinquenta por cento. Se não, pode arrumar suas coisas e ir embora.

— Cinquenta por cento? Isso dá quatro mil e quinhentos! — Mário abriu um largo sorriso, empolgado. — Pode deixar, chefe, vou trabalhar com afinco!

— Veremos.

Concluídos todos os trâmites, Inácio fugiu com o dinheiro, temendo ser cercado pelos credores, sem nem tempo de sabotar Walter.

Este, por sua vez, voltou à Fábrica de Confecções Brilho e Cor com Mário.

A partir de agora, a fábrica era inteiramente sua!

E seria ali que daria início à sua empreitada no comércio eletrônico da Ameixa Rosa!

Walter planejava cuidadosamente: nos próximos meses, poderia se dedicar à produção de vestidos no estilo angelical.

Quando chegasse outubro e fosse decretado o congelamento para desapropriação, começaria a negociar a indenização.

Na vida anterior, a fábrica estava paralisada, e a compensação pela desapropriação foi de pouco mais de dez milhões.

Desta vez, Walter manteria a produção ativa e, assim, a indenização seria muito maior.

Só a compensação pela paralisação e pela perda de giro já seria uma fortuna!

Quanto será o total? Walter mal podia esperar!

Decidido, resolveu: iniciaria a produção o quanto antes.

Mário guiou Walter por toda a fábrica, apresentando cada setor e, ao final, entregou-lhe um grosso volume:

— Chefe, aqui está o inventário atual: equipamentos, materiais e aquele lote de roupas encalhadas.

Walter conferiu: tudo registrado nos mínimos detalhes — modelos, tamanhos, quantidades.

Mário demonstrava responsabilidade, o que agradou Walter.

O lote de roupas encalhadas somava mais de trinta e quatro mil peças. Na cidade não tinham mercado, mas nos vilarejos poderiam render mais de dez mil, o que já era excelente.

Walter tirou um desenho e entregou a Mário:

— Veja esse modelo de vestido.

Mário analisou, franzindo a testa:

— Tem alguma dúvida? — perguntou Walter.

Mário hesitou:

— Chefe, eu... eu...

Walter sorriu:

— Aqui, quero transparência. Pode falar sem reservas.

— Sim! — Mário assentiu. — O vestido que desenhou é muito bonito e chamativo, mas talvez seja avançado demais. Tenho receio de que o público não aceite!

— Não se preocupe. Os tempos mudam rápido. Não limite a visão à cidade pequena. Quando tiver chance, visite as grandes capitais.

Aqueles modelos encalhados eram justamente fruto de uma visão ultrapassada.

Walter deu um tapinha no ombro de Mário:

— Providencie o molde e faça um protótipo.

— Pode deixar, chefe. Eu mesmo cuido disso.

— Você? — Walter se surpreendeu. — Não é gerente?

— Chefe, em fábrica pequena não existe só gerente administrativo. Todo mundo faz de tudo. Sou modelista de formação. Quando acabo os moldes, aí sim gerencio a produção.

— Entendi.

De fato, em pequenas fábricas, o importante é cortar custos — não há espaço para funções muito especializadas.

Como na Fábrica de Calçados Família Costa, onde Rita, a contadora, acumulava diversas funções e economizava vários salários.

— Muito bem, faça o quanto antes. Se precisar de funcionários, pode chamar quem quiser.

— Não precisa, chefe. Temos material e eu mesmo resolvo.

— Sabe economizar, é um homem prático — Walter formou uma boa impressão.

Afinal, se chamasse mais dez pessoas, teria que pagar o dia para todos.

Walter preferia esse tipo de colaborador dedicado, a bajuladores ineficazes!