Capítulo 26: Chu Chuanjun está acabado!
O vídeo continuava a ser exibido, e Chu Chuanjun, em estado de quase delírio, exclamava:
— Wang Yi, um Mercedes Vito velho para mim é só um brinquedo grande! Para você, é o fruto do trabalho duro de seus pais durante dez anos!
— Poder quebrá-lo em pedaços e ver você sofrer é um prazer! Hahaha!
— Que arrogância! — murmuravam todos, revoltados, com o rosto carregado de indignação.
De um lado, um jovem empreendedor, batalhador, símbolo de esforço e perseverança; do outro, um herdeiro mimado, insolente e sem limites. O contraste era claro, a superioridade evidente.
Xu Hou bradou furioso:
— Que absurdo! Por causa de um romance, ele destrói o carro de outro! Arrogante, desrespeitoso, sem respeito algum pelas regras!
— Esse tipo de pessoa, quando entra na sociedade, é um parasita! Um tumor social! Nossa equipe da Vanke precisa processá-lo e garantir que ele pague!
Era claro que não havia outra escolha senão processar. Primeiro, o prejuízo de centenas de milhares deveria ser arcado por Chu Chuanjun ou seus pais; o condomínio não queria assumir essa responsabilidade. Segundo, era uma forma de mostrar a Wang Yi que o condomínio estava do seu lado, evitando que o caso ganhasse proporções e prejudicasse a reputação da Vanke. Terceiro, Chu Chuanjun causou problemas no território de Xu Hou, quase lhe custando o emprego.
Arruinar o futuro de alguém é como matar os pais de uma pessoa; não havia como não retaliar com força. Processar era inevitável, sem discussões!
— Vocês, do condomínio, também têm direito de processar! — confirmou o policial, antes de se voltar para Wang Yi:
— Chu Chuanjun foi cauteloso, evitando as câmeras, limpando as impressões digitais e descartando as ferramentas do crime. Mas, infelizmente, não previu que você instalou uma câmera escondida no carro!
O gravador veicular era novidade no país em 2009, poucos usavam. Nem mesmo o carro de Lin Shu tinha um. Só anos depois, com o aumento dos golpes de trânsito, o uso se popularizou.
Chu Chuanjun foi cuidadoso, mas ainda assim caiu na armadilha.
Após ver o vídeo, o policial voltou-se para Wang Yi:
— Com essa prova, tudo está claro. O carro será levado à concessionária da Mercedes para avaliação de danos. E vamos prender o responsável. Depois, pedimos que você nos acompanhe para registrar o depoimento e formalizar o caso. O condomínio também deve ir junto.
— Está bem! — Wang Yi assentiu. — Posso guardar uma cópia do vídeo?
— Claro!
Wang Yi copiou o vídeo para o celular e enviou para seu perfil alternativo no QQ.
A família Chu tinha um patrimônio de centenas de milhões, com grande influência em Qingyun; Wang Yi precisava se prevenir. Mas, dessa vez, nem todo o poder seria suficiente para salvar o filho.
— Vamos prender o suspeito!
Com a localização do celular, era fácil encontrar Chu Chuanjun, que estava ali mesmo, na rua comercial. Com o monitoramento interno do shopping, localizaram-no rapidamente.
— Vamos ajudar também! — Xu Hou trocou contatos com Wang Yi e, junto com os seguranças, seguiu para ajudar. Não podiam deixar o suspeito escapar.
Em pouco tempo, o enorme estacionamento ficou apenas com Wang Yi e Lin Shu.
— Wang Yi, eu... me desculpe — Lin Shu, com os olhos vermelhos, estava cheia de remorso.
— Boba, isso não tem nada a ver com você — Wang Yi segurou o rosto dela e enxugou as lágrimas do canto dos olhos. — Foi Chu Chuanjun quem causou tudo, você não tem culpa.
— Mas... se não fosse por mim, ele não teria quebrado seu carro — Lin Shu ainda se sentia responsável.
— Então, eu deveria agradecer a você. Se ele não tivesse destruído meu carro, eu não teria a chance de trocar por um novo, não acha? — Wang Yi sorriu.
— ??? — Lin Shu ficou surpresa. — É mesmo?
— Claro! Veja: ele quebrou meu carro, vai ter que pagar, não é? Para eu perdoar, ainda vai precisar dar uma compensação extra. Somando tudo, é uma ótima quantia, não? Estou saindo no lucro! — Wang Yi riu.
Lin Shu pensou um pouco:
— Parece que é isso... Que tal eu pedir para meu pai negociar por você? Uma compensação de um milhão está bom?
Wang Yi ficou boquiaberto.
Na família dos ricos, tudo começa em milhões!
Aquele Mercedes Vito era usado, e Wang Yi o havia recuperado ao emprestar trinta mil ao tio. Agora, com toda essa confusão, uma compensação de cinquenta mil já seria lucro. Mas Lin Shu sugeriu logo um milhão!
— Está pouco? Então posso pedir para meu pai exigir dois milhões! Eles não vão ousar recusar! — Lin Shu falou, cheia de confiança.
— Não, não é isso — Wang Yi riu, sem saber o que dizer. — Lin Shu, não precisa se preocupar, nem envolver seu pai. A família Chu vai negociar diretamente comigo, eles farão uma proposta.
Wang Yi não queria que Lin Shu se envolvesse demais, nem recorrer ao poder da família dela. Se Chu Chuanjun era mesmo filho legítimo, a família Chu cuidaria disso.
— Certo — Lin Shu assentiu, ainda se sentindo culpada. — Desculpe...
— Você não tem culpa. Com um lunático como Chu Chuanjun atrás de você, você também é vítima.
— Mas ainda assim, eu me sinto mal... Se eu não tivesse vindo te ver, isso não teria acontecido.
— Pois é, se você não tivesse vindo, não teria acontecido essa coisa boa! — Wang Yi sorriu.
— ??? — Lin Shu ficou surpresa, mas finalmente sorriu. — Você sabe mesmo como consolar alguém! Você é ótimo!
Lin Shu estava radiante, sentindo Wang Yi cada vez mais próximo.
— Só não me chame de “bom moço” à toa! — Wang Yi brincou. — Que tal algo mais concreto, um beijo?
— Você... você... sonhe! — Lin Shu mudou de cor na hora, desconfiando das intenções dele.
“Mas... por que estou um pouco feliz com isso?”
“Ah, meu Deus...” Lin Shu pensou, sentindo o rosto ainda mais vermelho, deu um passo atrás:
— Não pode, ainda não estamos nesse nível de relacionamento!
— Então, um abraço serve — Wang Yi tentou negociar.
Primeiro se pede algo impossível; ao receber um “não”, pede algo mais simples, que geralmente é aceito. Psicologicamente, isso se chama “efeito de concessão” ou “técnica do portão”.
E, de fato, Lin Shu achou que, depois de tudo que Wang Yi passou, e sentindo simpatia por ele, assentiu:
— Só uma vez!
— Ótimo, venha! — Wang Yi abriu os braços.
— ??? — Lin Shu hesitou. — Quer que eu tome a iniciativa? Que safado...
Mas deu um passo à frente e o abraçou:
— Pronto, só um abraço, depois já soltamos.
Mas quando tentou se afastar, Wang Yi não soltou:
— Sim, só um abraço. Mas você não disse quanto tempo duraria!
Lin Shu ficou embaraçada.
— Que safado, você me enganou de novo! Que maldade!
Ela suspirou, sentindo-se injustiçada, mas logo se encostou no ombro de Wang Yi.
— Estranho... por que é tão bom?
— E por que meu coração está batendo tão rápido?
Depois de muito tempo, Wang Yi finalmente a soltou.
O rosto de Lin Shu estava corado, quase escorrendo de tão vibrante, e ela parecia um pouco debilitada.
— Você é terrível! — Lin Shu exclamou, ainda segurando a mão de Wang Yi. — Vamos, te levo à delegacia para registrar o caso! Assim conseguimos a compensação logo.
— Certo, quando receber, eu te levo para um SPA!
— Um SPA?
— Sim, um SPA, uma sauna.
— Ah — Lin Shu assentiu, sem notar nada estranho.
Ao sair do estacionamento, viu que o carro da polícia ainda estava lá, e Lin Shu estacionou atrás.
— Quer que eu veja Chu Chuanjun sendo preso? — Wang Yi perguntou, intrigado.
Lin Shu sorriu maliciosa:
— Quero tirar uma foto para mostrar aos meus pais, para eles verem o “bom partido” que me apresentaram: um criminoso!
— Assim, ninguém mais vai me arranjar pretendentes à toa! Cansei disso!
Wang Yi ficou sem palavras.
Essa pequena milionária guardava rancor!
Mas seu gesto era quase cruel, não apenas atacando, mas humilhando.
Se Chu Chuanjun visse, ia ficar furioso.
Mas Wang Yi gostava disso.
No salão privado, Chu Chuanjun se divertia com os amigos, brindando e rindo.
De repente, a porta se abriu e alguns policiais entraram:
— Você é Chu Chuanjun?
Chu Chuanjun sentiu um frio na espinha, mas tentou manter a calma:
— Sim, o que querem comigo?
— Você está acusado de destruir o veículo de terceiros, causando grande prejuízo material. Está detido, por favor, colabore!
Antes que terminassem, dois policiais já avançaram, tirando as algemas.
— Me soltem, eu sou inocente, não fui eu! — Chu Chuanjun resistia, recusando-se a confessar.
Ele sabia que, se confessasse, a situação ficaria grave. O estacionamento não tinha câmeras; se ele negasse tudo, só pela suspeita não seria condenado.
— Só acredita vendo o caixão! Você não sabia que o carro tinha gravador? Está tudo registrado! — gritou Xu Hou atrás dele.
— O quê? Gravador de carro?
Chu Chuanjun começou a suar frio, sentindo-se arrasado:
— Um carro velho como aquele, tinha gravador?
Naquela época, o gravador era raro, nem carros novos de cem mil tinham. Wang Yi, com seu Mercedes Vito usado, tinha instalado um? Só podia ser brincadeira...
— Maldição, Wang Yi me ferrou! — Chu Chuanjun se arrependeu profundamente, com o rosto sombrio.