Capítulo 99: Tribo Hanliu, acabou!
— Anqing, preste atenção à segurança e leve consigo algumas pessoas de confiança! — alertou Wang Yi. — Segurança em primeiro lugar!
— Pode deixar, obrigada, obrigada mesmo, mano! — respondeu Xiao Anqing, emocionada. — No fim de semana, faço questão de te levar para um banquete, daqueles que custam um mês inteiro do meu salário!
— Ora, não precisa disso! — Wang Yi não pôde deixar de admirar o profissionalismo de Xiao Anqing. Algumas pessoas trabalham apenas pelo dinheiro. Outras, porém, exercem a profissão por verdadeiro amor ao que fazem. São raras, e Xiao Anqing era uma delas.
— Agora, sim, o Clã Coreano está acabado! — pensou Wang Yi, pegando uma cerveja gelada e aguardando os desdobramentos. Já que o Clã Coreano foi o primeiro a se pronunciar, era preciso dar uma boa lição. O mundo dos negócios é um campo de batalha: se não demonstrar firmeza e coragem, todos vão achar Wang Yi fácil de intimidar. Ao contrário, só impondo respeito e mostrando que a Meiyou não é empresa para ser afrontada, é que evitaria problemas futuros!
Com isso em mente, Wang Yi ligou para Zhao Xuan:
— Gerente Zhao, preciso que você investigue alguém para mim: Hu Zixuan, dono do Clã Coreano. Quanto mais detalhes, melhor.
A relação entre Wang Yi e Zhao Xuan talvez não fosse tão profunda, mas os interesses de ambos estavam fortemente entrelaçados. A aliança mais confiável é sempre a que envolve interesses mútuos. O futuro de Zhao Xuan — uma possível promoção a vice-diretor da agência do condado — dependia totalmente do sucesso da Meiyou de Wang Yi.
— Deixe comigo, senhor Wang! — respondeu Zhao Xuan, radiante, sem perder a chance de agradá-lo. Para ele, Hu Zixuan ameaçar a Meiyou era cortar sua própria trajetória profissional. Se a Meiyou fracassasse, quanto tempo mais Zhao Xuan teria que esperar para subir de cargo? No setor financeiro, não basta competência; tudo depende de contatos e recursos. Tirar o futuro de alguém é como matar os próprios pais! Zhao Xuan, então, mobilizou toda sua influência para, naquela mesma noite, investigar a fundo o Clã Coreano e Hu Zixuan.
Ao mesmo tempo, Xiao Anqing desceu apressada, entrou no carro e ligou para o editor-chefe:
— Chefe Yang, houve novos avanços no caso do espião industrial da Meiyou. Estou a caminho para uma reportagem no local!
Yang Junyi, o editor, exultou:
— Excelente trabalho, Anqing! Envie-me o endereço e tenha cuidado. Vou destacar uma equipe para te apoiar. Quanto à gráfica, aviso pessoalmente para segurar a impressão até novo aviso seu!
— Entendido, chefe. Ah, sobre a irmã Min, melhor não avisá-la, não é? — comentou Xiao Anqing, preocupada com possíveis vazamentos.
Yang Junyi ficou furioso:
— Aquela traidora que só pensa em si mesma! Já descobri tudo, foi ela quem avisou a emissora de TV e deixou que roubassem nossa notícia exclusiva! Finge lealdade ao jornal, mas pelas costas age como uma traidora. E pensar que eu confiava nela...
— Fique tranquila, qualquer um que mantenha laços com Sun Minmin será afastado! Ela perdeu até o destaque da segunda página de amanhã!
Xiao Anqing ficou perplexa. Sabia que, daquela vez, Sun Minmin estava realmente acabada. A menos que o chefe caísse, ela jamais teria outra chance. Nenhum executivo toleraria traições e deslealdade dentro da equipe.
Yang Junyi continuou:
— Anqing, de agora em diante, você será a principal repórter do nosso jornal. Capriche!
— Obrigada por confiar em mim, chefe! — respondeu Xiao Anqing, aliviada e surpresa pela reviravolta. Naquela tarde, ela estava aflita sem saber como explicar o vazamento. Agora, o verdadeiro culpado fora desmascarado, ela estava limpa e ainda ganhou reconhecimento do chefe!
— Irmão Wang Yi, você é meu amuleto da sorte! Te adoro! — murmurou ela, animada, acelerando rumo à fábrica do Clã Coreano.
Ser jornalista é estar sempre de plantão. Diante de notícias urgentes, não importa onde estejam ou o que estejam fazendo: correm para o local atrás da matéria exclusiva. Depois, voltam para fazer hora extra, redigem reportagens, editam vídeos... Quando falta tempo, escrevem no laptop à beira da estrada ou editam vídeos em cafés — tudo normal. Ela já estava acostumada a tudo isso desde que escolheu a profissão. Claro, há veículos de imprensa sem escrúpulos que trabalham só por dinheiro, mas isso é outra história.
Na fábrica de roupas do Clã Coreano, Hu Zixuan se arrependia de ter contratado um espião tão incompetente. Mas não havia alternativa: o estilo de vestidos “doce e inocente” era uma categoria ampla, com muitos subtipos — vestidos de alças, vestidos inteiriços, conjuntos, vintage, estilo fada... Diferentes estilos dentro do mesmo conceito. Embora Hu Zixuan não entendesse muito dessas teorias, percebia que as 35 peças da Meiyou, à venda no momento, derivavam de três modelos originais, levemente modificados.
Isso significava que aqueles três modelos estavam saturados no mercado. Por isso, ele contratara Zhu Chenguang para roubar os novos protótipos da Meiyou — o quarto, o quinto modelo. Bastava pequenas alterações e venderiam muito! No entanto, após conseguir o quarto protótipo e começar a produção, tudo foi descoberto antes mesmo de chegar ao mercado. Que situação embaraçosa!
— Só espero que Zhu Chenguang consiga fugir, o resto veremos depois — suspirou Hu Zixuan.
Um Mercedes-Benz preto deixou a fábrica em direção ao aeroporto. Mas, logo ao virar na estrada, deparou-se com viaturas policiais bloqueando o caminho. O motorista, Xu Heming, entrou em pânico e freou bruscamente:
— A polícia chegou tão rápido, já montaram uma blitz! Acabou, Zhu, não vamos conseguir escapar. Ou...
— Ou o quê? — Zhu Chenguang, de boné, mudou a expressão. — Vai me abandonar?
— Não é isso! — Xu Heming estava visivelmente nervoso. — Sou só motorista, não vale a pena arriscar por dois mil iuanes! Se não tem como fugir, é melhor se entregar!
— Se entregar? Você não tem nada a temer, mas eu estou acabado se me pegarem! Sabe quantos anos de prisão posso pegar? — respondeu Zhu Chenguang, sacando uma faca e encostando-a no motorista. — Sem conversa, dá meia-volta!
— Zhu, eu... — Xu Heming suava frio, as mãos tremendo no volante. Estava apavorado. Zhu Chenguang estava completamente fora de si!
— Se não quer morrer, vire logo! A polícia está vindo! — Zhu Chenguang pressionou a faca contra a cintura do motorista, gritando.
Xu Heming, aterrorizado, engatou a ré e deu meia-volta. A manobra chamou a atenção dos policiais, que gritaram:
— Parem! — e cercaram rapidamente o carro.
Mas Xu Heming foi mais rápido, acelerou e saiu em contramão. Os policiais montaram uma perseguição, alguns de moto, outros de viatura, e informaram pelo rádio:
— Suspeitos fugindo pela Yongchang Road, em sentido contrário, bloqueiem imediatamente!
Cercado, Xu Heming tremia de medo:
— Zhu, vamos nos entregar! Não matamos ninguém, não vale a pena ir até o fim!
— Não! Se me entrego, estou perdido! Só preciso sair do país, aí estarei livre! — insistiu Zhu Chenguang, desesperado.
Se fosse preso, não era só questão de alguns anos de cadeia ou multa pesada. Tudo que fez como espião industrial viria à tona, acumulando penas e multas que destruiriam sua vida. Restava apostar tudo na fuga.
Porém, logo à frente, havia mais viaturas bloqueando a via.
— E agora? Tem polícia dos dois lados, não há saída! — Xu Heming estava em choque, suando em bicas.
Zhu Chenguang, apesar de tudo, manteve a frieza de espião:
— Vira à esquerda, entra na rua lateral!
— Certo! — Xu Heming obedeceu e desviou para uma rua menor, retornando aos arredores da fábrica.
Agora, o som das sirenes vinha de todos os lados: estavam cercados.
— Maldição, a polícia já tinha tudo planejado! — murmurou Zhu Chenguang, tentando esconder o medo. — Vira à direita, pare no cruzamento!
— Sim! — Xu Heming assim fez.
Zhu Chenguang saiu do carro levando o dinheiro e ordenou:
— Continue dirigindo, rápido!
— Ok! — Xu Heming acelerou, sendo seguido de perto pelas viaturas.
Enquanto isso, Zhu Chenguang tomou a rua lateral, buscando despistar a polícia. Conhecia bem os arredores, essa era sua vantagem.
— Acho que consegui escapar, ufa! — suspirou aliviado, continuando a pé.
Se conseguisse sair do perímetro policial, bastava deixar Jizhou e estaria salvo!
Sem Zhu Chenguang no carro, Xu Heming parou, ergueu as mãos e se rendeu:
— Senhores policiais, fui forçado! Ele me ameaçou com uma faca!
Para frustração dos agentes, não havia suspeito algum no carro.
— Onde está Zhu Chenguang?
— Ele desceu no cruzamento da rua lateral! — respondeu Xu Heming, tremendo.
— Malandro, escapou por pouco! Vamos atrás!
Dois policiais ficaram com Xu Heming, os demais correram atrás do espião. Zhu Chenguang, desviando por ruas e becos, murmurava:
— Não posso ir ao aeroporto nem à estação de trem, a polícia já deve ter bloqueado tudo! Melhor ir à rodoviária, pegar um ônibus de viagem do lado de fora e sair de Jizhou!
Com o plano traçado, seguiu em direção à rodoviária. Mas, ao sair de um beco, um Toyota Camry acelerou na sua direção. Mesmo freando, não conseguiu evitar o atropelamento.
Zhu Chenguang empalideceu, tomado pelo desespero.
O carro finalmente parou, mas Zhu Chenguang já havia sido lançado longe, caindo pesadamente no chão.
— Ai meu Deus! Desculpe, desculpe! Eu matei alguém! O que faço agora? — esganiçou-se Li Na, saindo do carro em pânico.
Zhu Chenguang mal conseguia se mexer, a cabeça zunindo, a perna latejando de dor.
— Ufa, você está vivo! Que alívio, vou ligar para o resgate agora! — exclamou Li Na, pegando o celular.
— Não, por favor, não faça isso! — Zhu Chenguang entrou em pânico. Se chamasse o resgate, a polícia seria alertada e ele estaria perdido.
— Não precisa, estou bem! Pode ir.
Com esforço, Zhu Chenguang levantou-se e saiu mancando.
— Como assim está bem desse jeito? Acho melhor eu ligar para o resgate! — insistiu Li Na.
— Não vai ligar! Não entendeu? Eu estou bem, vá embora! — gritou Zhu Chenguang.
— Tão machucado assim, não quer chamar a polícia nem aceitar dinheiro? Estranho... — Li Na murmurou, desconfiada.
Zhu Chenguang ficou sem palavras.
— Anda, vá embora antes que eu me arrependa! — berrou ele, com olhar feroz.
— Tá bom... — Li Na voltou ao carro, mas, olhando para trás, achou tudo muito suspeito.
— Será que ele me mandou embora só para depois me denunciar por fuga? Se ele me acusar de fuga do local, toda a culpa cairá sobre mim! Com certeza, é isso! Que sujeito ardiloso, não vai me enganar!
Então, Li Na pegou o telefone e chamou a polícia:
— Alô, polícia? Eu estava dirigindo normalmente quando um homem pulou na frente do carro, foi atropelado e não quer que eu chame a polícia...
— Não quer que chame a polícia? — suspeitaram os agentes. — Pode descrever como ele era e o que vestia?
Li Na descreveu: — Jaqueta preta da Nike, calça de moletom cinza, boné, óculos escuros...
— É ele! Trata-se de um foragido, você nos ajudou muito! Tranque-se no carro e aguarde nossa chegada!
— Certo, certo! — Li Na obedeceu, assustada.
A polícia chegou rapidamente e, mesmo tentando fugir mancando, Zhu Chenguang foi capturado.
Li Na saiu do carro:
— Eu só estava dirigindo normalmente, ele apareceu do nada. Se precisar pagar indenização, eu pago!
— Fique tranquila, você não cometeu infração. Mesmo que ele tivesse morrido, a responsabilidade seria toda dele. Mas venha conosco para registrar tudo — explicou o policial.
Zhu Chenguang olhou furioso para Li Na:
— Eu disse que não precisava de indenização, por que chamou a polícia?
— E se você me acusasse de fuga? Não vou cair nessa! — retrucou ela.
O policial sorriu:
— Fez bem em ligar. Se ele a acusasse de fuga, você seria a única responsável.
— Pois é! Não caio nessa! — Li Na ainda estava nervosa.
Nesse momento, Xiao Anqing chegou, apresentou-se e rapidamente fez entrevistas, incluindo Li Na. Mais um ponto para a cobertura jornalística.
Logo depois, seus colegas chegaram. Xiao Anqing sentou-se na calçada, laptop no colo, e começou a escrever a matéria. Manteve o essencial do caso do espião industrial, relatou o desenrolar recente e enviou ao editor-chefe. Este, aprovando tudo, mandou refazer o layout do jornal. A matéria principal ocupou o dobro do espaço, empurrando para a segunda página a notícia seguinte. O antigo destaque de Sun Minmin foi simplesmente eliminado.
Assim, tudo ficou resolvido. A matéria foi para a gráfica e começou a reimpressão da edição do dia seguinte do Diário da Noite de Jizhou.
Wang Yi também recebeu notícias:
— O suspeito foi capturado perto da fábrica do Clã Coreano, junto do motorista e trinta mil em dinheiro. A polícia segue investigando.
— Que desfecho excelente! O Clã Coreano está acabado! — suspirou Wang Yi, dormindo tranquilamente.
Na manhã seguinte, abriu o laptop para conferir os resultados financeiros. As vendas do dia 5 de agosto haviam sido fracas: 14 milhões, menos 3 milhões em devoluções, lucro líquido de apenas 6 milhões. Mas, graças ao noticiário da TV local, a Meiyou recebeu uma enxurrada de novos clientes. O faturamento saltou para mais de 19 milhões, lucro líquido superior a 11 milhões! Agora, Wang Yi tinha 39 milhões em caixa, além de mais de 10 milhões em vendas pendentes em plataformas de terceiros. Havia recursos de sobra para comprar mais fábricas e expandir ainda mais.
O número de usuários da Meiyou ultrapassava 1,37 milhão! O poder de atração da TV não podia ser subestimado. Como a matéria foi exibida à noite, a repercussão continuava e o faturamento seguia crescendo. Com o reforço da manchete do jornal, as vendas, lucros e número de usuários certamente bateriam o recorde anterior, estabelecido durante a polêmica das celebridades.
Wang Yi estava radiante. Embora o velho Feng tivesse causado problemas, o resultado final foi ótimo. Não fosse por ele, talvez nunca teria ocorrido esse efeito dominó que fez Wang Yi lucrar mais de 10 milhões em dois dias. De fato, há males que vêm para bem.
Após o café da manhã, Wang Yi se preparava para visitar a fábrica quando recebeu uma ligação de um número desconhecido. Só de olhar, já sabia quem era.
— O que tem de ser, será — pensou, atendendo.
Do outro lado, uma voz sombria:
— Senhor Wang, acredito que já sabe quem sou.
— O dono do Clã Coreano, Hu Zixuan — respondeu Wang Yi, friamente. Hu Zixuan havia investigado Wang Yi, e ele retribuíra a pesquisa. Nessas disputas, é fundamental conhecer o inimigo.
— Irmão Wang Yi, admito que errei. Peço que seja magnânimo, e prometo dar-lhe uma satisfação que o agrade. Que tal resolvermos tudo por aqui? — Hu Zixuan adotou um tom humilde, mas Wang Yi não acreditou em uma palavra. Segundo informações de Zhao Xuan, Hu Zixuan era flexível, mas implacável e sem escrúpulos. O sucesso do Clã Coreano se devia à sua crueldade e astúcia, tendo levado vários concorrentes à falência. Muitas fábricas foram absorvidas por ele graças a manobras e conspirações. Mandar um espião à Meiyou era brincadeira de criança perto do que já fizera.
Agora, sua humildade não passava de estratégia para ganhar tempo e escapar da crise. Assim que tudo se acalmasse, certamente buscaria vingança.
Wang Yi não caiu na armadilha e sorriu:
— Uma satisfação? E como pretende fazer isso, senhor Hu?
Hu Zixuan deu uma risada franca:
— Não existem inimigos eternos, apenas interesses eternos. Pode-se dizer que agora nos conhecemos de verdade. O senhor Wang quer expandir a Meiyou e vai precisar de fábricas...
(Fim do capítulo)