Capítulo 12: Uma Missão Inacreditável

O Último Enxame Meia tigela de carne de porco ao molho vermelho 2280 palavras 2026-02-08 04:31:10

Capítulo 12 – Uma Missão Inacreditável

A caçadora Ana ativou seu dispositivo de camuflagem e caminhava pela caverna, completamente silenciosa, sem um único ruído. Aquele ambiente subterrâneo era bem diferente do que ela imaginara. Não era úmido, nem lamacento, tampouco havia criaturas estranhas à vista. Os insetos permaneciam escondidos nas profundezas, evitando o bombardeio dos humanos, o que era perfeitamente lógico. Porém, para os humanos, essas cavernas representavam passos cada vez mais profundos rumo ao inferno; o silêncio era ainda mais assustador, pois significava que tudo adiante era desconhecido.

Esse desconhecido pressionava os nervos de Ana a todo momento. Felizmente, ela já estava acostumada a operar sozinha em território inimigo. Mantinha sua camuflagem biológica ativada, ajustando a temperatura do corpo à do ambiente, com o capacete e a armadura biológica integrados de forma a não deixar brechas. Amarradas às coxas, guardava lâminas vibratórias, mais resistentes e eficazes do que os equipamentos padrão. Carregava ainda um dispositivo de localização, um radar pulsante centrado nela mesma, capaz de transmitir o mapa do terreno escaneado diretamente ao quartel-general enquanto avançava. Quanto às necessidades básicas, isso era mais complicado, mas ela dominava tanto o uso de rações comprimidas quanto a busca de água em ambientes hostis, então não havia motivo para preocupação imediata.

Desde o início, sua infiltração estava sob a vigilância do Rei-Formiga. Para espionar os humanos, ele criara, inspirado em formigas, borboletas e abelhas, um tipo especial de inseto explorador que servia como seus olhos. Esses “sentinelas” não possuíam defesa, eram extremamente rápidos, de visão aguçada capaz de enxergar claramente no escuro, e percebiam padrões e fontes de vibração com precisão. Seu olfato apurado distinguia facilmente os mais diversos cheiros. Assim, embora Ana tivesse mascarado todo odor corporal, o cheiro de metal e plástico dos equipamentos humanos permanecia evidente, impossível de ocultar.

Ela não fazia barulho ao caminhar, mas cada passo gerava vibrações mínimas que esses insetos detectavam e reconheciam. Para eles, Ana era como um vaga-lume na escuridão, sem que ela própria tivesse consciência disso.

Contudo, o Rei-Formiga não pretendia agir imediatamente. Estava ocupado criando e planejando suas tropas: os cães de guerra, os saltadores, as libélulas suicidas e agora os sentinelas, todos projetados e produzidos nos últimos dias. Isso lhe proporcionava imenso prazer, como se estivesse jogando um grande jogo. Já identificara várias classes de soldados humanos: os chamados "fuzileiros" (infantaria comum), "pesados" (paraquedistas infernais), a heroína “Caçadora Fantasma” e até mesmo as torres metralhadoras. Para ele, era um gigantesco jogo de estratégia em tempo real, com ele e o comandante humano como adversários.

A única diferença era que podia esperar tranquilamente no subsolo, controlando todo o enxame sem falhas, enquanto o comandante humano jamais teria domínio total do campo de batalha em todo o planeta. Essa era a vantagem do Rei-Formiga: informações mais rápidas e ilimitada capacidade de proliferação, enquanto os humanos possuíam força de combate e tecnologia superiores, além de uma liderança mais eficiente.

Mas nunca existe igualdade na guerra. Assim como a Alemanha, em tempos de conflito, não tinha recursos próprios e dependia de saques e pilhagem, também o enxame não possuía vantagens reais; não perdia tempo em lamúrias, mas se empenhava em criar um exército capaz de virar o jogo pela diferença de informações. Os humanos desconheciam tudo sobre ele, mas ele sabia tudo sobre eles. Isso era a guerra da informação.

Para manter essa vantagem, ampliava constantemente sua rede de coleta. Por exemplo, seus sentinelas: frágeis, incapazes de carregar ou resistir a peso, mas custando três pontos de nutrição cada! Com o custo de um sentinela, poderia criar três cães de guerra, mas mesmo assim já haviam mais de dez mil espalhados pela superfície, tornando impossível escapar à sua vigilância.

E não criara apenas esse tipo de inseto. Já que os humanos fantasiavam sobre o líder do enxame, por que não lhes proporcionar um? Assim, produziu um cérebro-inseto grotescamente avantajado para servir de figura de chefe, correspondendo às expectativas humanas.

Esses cérebros-insetos não eram de fato os líderes do enxame, mas assim como certos estereótipos humanos – como associar inteligência a asiáticos, força física a africanos e odor a europeus – também havia preconceitos sobre os insetos: para os humanos, eram criaturas sujas e incivilizadas, todos escravos do Rei-Formiga e da Rainha, sem vontade própria ou valor. Os únicos de valor seriam o Rei e a Rainha. E, claro, esses não poderiam ser atraentes – como poderia um povo sem civilização desenvolver senso estético?

No geral, esses preconceitos faziam sentido, baseados em deduções de especialistas; só que, quando o Rei-Formiga surgiu, tomando controle do enxame graças a uma alma humana, tudo mudou radicalmente. Essa mudança levou os humanos a perderem pouco a pouco sua precisão de julgamento.

A caçadora Ana, por exemplo, tinha como missão encontrar e capturar o Rei-Formiga. Os humanos cobiçavam a estrutura social do enxame e seus soldados destemidos – guerreiros perfeitos, nunca necessitados de pensão ou auxílio, o sonho de qualquer político humano. Seria como se a tecnologia dos robôs tivesse avançado a tal ponto que os soldados de linha fossem substituídos por máquinas, os oficiais comandassem do topo e só os robôs morressem, enquanto os oficiais prosperavam. Troque-se “robôs” por “enxame” e o raciocínio se mantém.

Por essa razão, a missão da caçadora Ana era ainda mais importante do que o comandante de cicatriz imaginava.

Capítulo extra para a marca de 1500 votos de recomendação. Desculpe a todos pela demora! Vou continuar escrevendo com afinco!