Capítulo 009: Faltou apenas um pouco
Capítulo 009: Faltou Só Um Pouco
Seja em quantidade, qualidade ou em ameaça real, os inúmeros besouros-tigre à frente não podiam se comparar às baratas de antes. Pareciam uma versão inferior das baratas-ceifeira, incapazes de representar grande perigo para os humanos.
O homem de rosto marcado ainda segurava o charuto entre os dentes, a brasa oscilando entre claro e escuro, mas sua testa continuava franzida. Todos os soldados humanos haviam relaxado; até o soldado mais raso, com o rifle eletromagnético de pequeno calibre chamado "Beijo", conseguia explodir aqueles insetos — apenas mirar era um pouco difícil.
Vale mencionar que o rifle de pequeno calibre ganhou o nome "Beijo" porque, ao atingir um inseto, parecia apenas um carinho superficial, sem dor ou incômodo. Com o tempo, todos passaram a chamá-lo assim.
Ao ver que até o "Beijo" era capaz de matar aqueles insetos, o ânimo humano cresceu. Mas, somente o homem de rosto marcado não relaxou. Ao contrário, continuou com a testa franzida, disparando meticulosamente contra os insetos que se destacavam.
Ele sabia que algo estava errado. Aqueles insetos deviam ter alguma característica especial para terem sido criados.
Seriam suicidas? Ácidos? Venenosos?
O que ele nunca imaginou foi que a principal característica desses insetos era… o baixo custo!
Com um décimo quinto do valor de produção, desde que tivessem algum poder destrutivo, garantiriam sua posição entre os próprios insetos, eliminando as baratas-ceifeira!
Tudo aconteceu muito rápido. Em apenas trinta segundos, ao custo de mais de quatro mil vidas, os insetos já estavam diante do canhão sentinela.
Só então os humanos perceberam o motivo da criação daqueles insetos.
Seu poder destrutivo era imenso.
O canhão sentinela, com dez metros de altura, tinha um pequeno reator de fusão na base, um radar circular no topo, e uma tubulação de aço ligando o reator à torre, protegida por uma armadura robusta. Os pequenos projéteis, do tamanho de um polegar, ficavam armazenados sob a torre, fora do alcance direto dos insetos.
Ou seja, mesmo que os insetos tivessem alcançado a base do canhão, ele ainda poderia resistir por algum tempo.
As baratas-ceifeira tinham dois metros de comprimento e pesavam cerca de 1,5 tonelada, porém quem entende de armas brancas sabe que a capacidade de perfuração de uma lâmina não é a mesma de um martelo. Diante de armaduras espessas, as baratas-ceifeira precisavam de tempo para abrir uma brecha.
Mas quando o punho do besouro-tigre bateu no casco do reator, uma vasta área da armadura afundou e, num instante, foi lançada longe, fragmentando-se por completo!
Simples assim!
O canhão sentinela estava a menos de quinhentos metros; com os sensores dos Paraquedistas do Inferno era possível ver claramente o "boxe" dos besouros-tigre. Num instante, seus punhos saltaram, demonstrando o poder devastador capaz de destruir facilmente quaisquer conchas ou carapaças no fundo do mar.
As pupilas do homem de rosto marcado se contraíram. Ele viu nitidamente: três insetos cercaram o canhão e, com alguns golpes desordenados, desmontaram a blindagem externa.
Logo, avançaram em massa, despedaçando o reator de fusão.
Muita gente pensa que a fusão nuclear explode ao menor impacto, mas não é assim: antes de ser ativada, não ocorre nenhuma explosão nuclear ao ser destruída.
Porém, se o reator de fusão, que fornecia energia ao canhão eletromagnético, explodisse em pleno funcionamento, o resultado seriam duas bolas de fogo de duzentos metros de diâmetro, varrendo todos os besouros-tigre próximos, interrompendo momentaneamente o ataque.
Isso deu aos humanos sobre a muralha um tempo precioso.
Duas das quatro torres sentinelas da base foram erguidas às pressas como pontos de fogo temporários, mas mesmo assim os soldados estavam tensos. A explosão nuclear não só bloqueou os insetos, como também sua visão, impedindo-os de ver o inimigo.
E, para ser sincero, não havia como saber quantos insetos haviam morrido na explosão!
"Preparem suas granadas. Assim que eles romperem a parede de fogo, lancem-nas", ordenou o homem de rosto marcado. "Só haverá uma chance. Não joguem uma segunda!"
Todos entenderam: aqueles insetos não dariam oportunidade para um segundo lançamento.
Se eles atravessassem a muralha de fogo, depois da primeira granada, só restaria o corpo a corpo.
Veteranos já tinham ativado suas lâminas vibratórias. Por limitações técnicas, essas armas não podiam ser longas — no máximo um metro de lâmina — mas ainda eram a única arma capaz de enfrentar os insetos em combate próximo.
Com uma mão segurando a lâmina vibratória, a outra a granada, a essa distância os insetos precisariam apenas de um instante para avançar. Afinal, eram criaturas capazes de percorrer cento e cinquenta metros em um segundo — algo totalmente diferente das baratas-ceifeira!
Poucos segundos depois, as chamas diminuíram e inúmeros besouros-tigre irromperam, chegando instantaneamente diante dos defensores.
Já estavam junto à muralha, golpeando-a com força com seus "martelos".
Diante disso, até o comandante dos insetos, o Rei Inseto, franziu a testa. Só então percebeu que nem os besouros-tigre nem as baratas-ceifeira tinham meios de saltar sobre a muralha diretamente. Só podiam destruí-la à força, o que lhe pareceu tolice — até um comandante de dez mil soldados deveria saber resolver isso.
Mas, com o inimigo às portas, recuar era inviável; só restava avançar com tudo!
Cada golpe dos besouros-tigre fazia tremer toda a estrutura de aço da muralha.
Ficava claro que a fortificação não era tão sólida quanto parecia. A parede externa improvisada era feita de uma grossa chapa de aço, sustentada por uma passarela de estrutura metálica. Bastaram dois golpes para que a chapa cedesse, e ao terceiro já estava deformada.
Quão velozes eram os golpes dos besouros-tigre! Em um segundo, qualquer chapa atacada por dois ou mais deles era destroçada, caindo ao chão e abrindo brechas por onde os insetos avançavam, encontrando os humanos frente a frente.
Nesse momento, a primeira leva de granadas explodiu violentamente, separando os besouros-tigre da linha de frente dos demais.
Os humanos mostraram os dentes: alguns disparavam freneticamente, outros, equipados com armaduras motorizadas, avançavam com suas lâminas vibratórias…
Faltava só um passo para que o posto avançado fosse tomado!
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Mil recomendações e capítulo extra! Meu Deus, escrevendo desde cedo até agora…