Capítulo 001: O Rei dos Insetos
Capítulo 001 – O Rei dos Insetos
Morri.
E então, revivi.
Incontáveis informações inundaram minha mente, como se todo o conteúdo de um computador tivesse sido forçado a entrar no meu cérebro. Era difícil imaginar como meu cérebro conseguia armazenar tanta coisa com tamanha facilidade.
E então, um novo mundo.
Compreendi, enfim, minha situação. Eu era um embrião, ou melhor, um embrião muito especial. Tinha acabado de me formar, mas tudo já fora inserido diretamente em minha mente através de fragmentos genéticos. De fato, eu estava, de verdade, à frente na largada.
E alguém que nasce com essa vantagem, evidentemente, não pode ser uma pessoa comum. Na verdade, nem sequer posso mais ser chamado de humano.
Eu era um inseto.
Ainda não desenvolvido, ainda sem forma definida. Ou, para ser mais exato, uma larva.
Mas não era uma larva qualquer; era uma com fragmentos genéticos, dotada de memória e talentos inatos desde o nascimento.
Eu era o Rei dos Insetos.
O mais elevado entre todo o grupo, soberano supremo de todos os insetos, o ser chamado Rei dos Insetos.
Ainda nem tinha nascido, mas já havia sido designado como rei.
Agora, minha tarefa era me desenvolver ao máximo e nascer o quanto antes.
Normalmente, meu desenvolvimento seria guiado pela minha mãe, a Rainha dos Insetos, que ajustaria meu crescimento até eu nascer e ganhar consciência. Só então, eu seguiria meu próprio caminho evolutivo, conforme minha vontade.
Só que, desta vez, tudo era um pouco diferente. Quase desde o estado embrionário, eu já tinha consciência. Não só possuía meu próprio senso de identidade, como também todas as memórias da minha vida anterior. Era uma sensação maravilhosa e indescritível.
Através dos fragmentos genéticos, compreendi que minha principal missão era me desenvolver, amadurecer meu corpo e, depois de nascer, liderar o enxame.
Normalmente, o jovem Rei dos Insetos deveria seguir instintos gravados nos genes para construir seu corpo, herdando a aparência da mãe.
Mas agora, tudo parecia diferente.
Vasculhei minhas memórias e, para minha surpresa, lembrava-me perfeitamente de tudo que vira antes de morrer. Sendo um fã de romances online, acabei absorvendo muito conhecimento extracurricular. Por exemplo, um livro chamado “O Trono da Alquimia” misturava muita química e física. Embora nunca tivesse dado muita atenção a esses detalhes, agora recordava tudo, palavra por palavra.
Evidentemente, esse era o benefício da minha travessia.
Comparado aos talentos e habilidades com os quais agora eu nascia, a capacidade de não esquecer nada era um complemento formidável.
Agora eu podia, de acordo com minha vontade, construir meu próprio corpo.
Um cérebro inteligente era fundamental.
Ao concentrar minha consciência, uma enorme quantidade de nutrientes afluía para minha cabeça, fazendo com que o cérebro se desenvolvesse rapidamente.
Era como distribuir pontos em um jogo, mas, neste caso, o cérebro se desenvolvia naturalmente. Isso estava programado, mas, se faltasse nutrição, outras partes do corpo poderiam ser prejudicadas.
Se, por um descuido, gastasse todo o nutriente no cérebro, acabaria com o resto do corpo subdesenvolvido e, quem sabe, com pernas curtas antes mesmo de nascer.
Só que eu ainda não percebia isso, pois a nutrição fornecida pela Rainha dos Insetos era abundante como um oceano sem fim.
Quem é sustentado com amor e dedicação jamais pensa em economizar para a mãe. Assim, levei três dias para nutrir meu cérebro até o tamanho de um adulto. Embora eu ainda fosse um embrião, meu cérebro já era maior do que o de um bebê humano comum.
Os insetos da minha espécie já eram grandes por natureza, e, sem referência, acabei tornando meu cérebro maior do que devia.
Com um cérebro desse tamanho, meu raciocínio ficou mais rápido, minha percepção mais ampla e lógica.
Mais importante ainda: no quarto dia, despertei outro talento inato da minha raça.
Poder mental!
Esses poderes mentais se expandiam ao redor como olhos invisíveis. Eu ainda não tinha olhos e, mesmo que tivesse, não veria fora do líquido amniótico, mas com o poder mental, isso era possível.
Sentia o calor do líquido ao meu redor e, ao expandir minha consciência, percebi que estava envolto por uma casca dura, com cerca de um centímetro de espessura, demonstrando o quanto a segurança do ovo era importante para a nossa espécie.
Segui o limite dessa carapaça com minha consciência e, inesperadamente, deparei-me com outras duas presenças mentais.
Essas duas consciências trocavam impressões por meio de pensamentos, sem qualquer linguagem, apenas comunicação pura de intenções.
Eu ainda não sabia como me comunicar por pensamentos, então só conseguia sentir passivamente as trocas entre elas.
Com minha chegada, ambas expressaram intensa surpresa e alegria, e logo começaram a conversar.
Não era língua falada, mas pura troca de consciência. E, rapidamente, entendi o conteúdo do diálogo.
Uma das presenças era minha mãe, a Rainha dos Insetos.
A outra, o Comandante de Dez Bilhões.
Em nossa hierarquia: comandante de dez, de cem, de mil, de dez mil...
E, acima de todos, o comandante de dez bilhões.
Ou seja, sob seu comando havia mais de dez bilhões? Ou seria cem bilhões?
Com minha matemática falha, fiquei confuso. Mas, graças ao meu cérebro desenvolvido, calculei rapidamente: cem bilhões de insetos.
Cem bilhões! Mesmo que fossem insetos, com esse número, poderiam devorar até elefantes!
Ainda não havia aceitado totalmente minha identidade como membro da espécie dos insetos, meus pensamentos ainda presos à Terra.
Mas, logo, o conteúdo da conversa entre as consciências me deixou sem palavras.
“A batalha na superfície do planeta está perdida, e o avanço dos humanos torna-se impossível de conter. O que faremos, Rainha dos Insetos?”
“Levarei nossas crias para o subsolo. Não precisamos enfrentá-los diretamente. Esperaremos o nascimento de nosso Rei.”
“Quando nosso Rei nascer, ele nos liderará e derrotará esses malditos humanos!”
As palavras da Rainha fizeram minha mente estremecer.
O quê? Há humanos neste mundo?
O quê? Eu sou o inimigo da humanidade neste mundo?!
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