Capítulo 077: O Pescador de Camarões do Universo

O Último Enxame Meia tigela de carne de porco ao molho vermelho 2489 palavras 2026-02-08 04:36:45

Capítulo 077: O Pescador de Camarões Cósmico

O Andarilho do Vazio era, por si só, um inseto de transporte dos enxames, projetado para navegar pelo cosmos. Sua travessia pelo espaço era quase comparável à de um encouraçado humano de trinta quilômetros de comprimento. No entanto, diferentemente dos encouraçados humanos, aptos tanto ao combate quanto ao transporte de tropas, o Andarilho do Vazio era limitado a uma única função estratégica: o transporte de tropas.

Nem todos os insetos do enxame possuíam a capacidade de viajar pelo espaço. Antes do nascimento do Enxame-Rei, as funções dos insetos eram simples e diretas: a Rainha era responsável por pôr ovos, o Escaravelho de Plasma atacava alvos aéreos, a Barata-Falce era usada para combate corpo a corpo e o Andarilho do Vazio para transportar tropas.

Comparado aos outros insetos que já não se adequavam mais à guerra e haviam devolvido seus nutrientes ao Enxame-Rei, o Andarilho do Vazio era uma das poucas espécies originais mantidas no campo de batalha. Contudo, possuía suas falhas: apesar de ser uma raça espacial, não tinha meios de ataque à distância — se é que aqueles tentáculos de dois quilômetros de comprimento poderiam ser considerados armas de combate próximo.

Em batalhas espaciais, ou mesmo em antigas batalhas navais, a ausência de armamentos de longo alcance era fatal. Mas ele não era uma arma de guerra — como nave de transporte, era impossível exigir mais dele.

Sua superfície era composta por placas de carapaça circulares, sobrepostas em camadas tão resistentes que nem mesmo os canhões eletromagnéticos pesados da humanidade conseguiam perfurá-las; quanto mais os canhões de energia concentrada, capazes apenas de danificar a camada externa.

A humanidade nada podia fazer contra ele, e, como não apresentava qualquer ameaça ofensiva, mesmo que permanecesse em satélites próximos, era ignorado, sendo deixado ali para consumir detritos espaciais.

A Rainha estava incubando o Enxame-Rei e, por isso, não pretendia sair dali, permitindo que os Andarilhos do Vazio permanecessem acampados.

Agora, o Enxame-Rei precisava deles para ir até as quatro fragatas, e era aí que entravam em ação.

Ele abriu a boca, da qual se estendeu uma língua — seca, porém carnuda, causando certo repúdio. Todavia, o Enxame-Rei foi o primeiro a avançar.

Logo atrás dele estavam aqueles primeiros meio-insetos. A maioria deles já havia se transformado completamente em híbridos do enxame — por várias razões, renderam-se ao enxame, e, uma vez transformados, a genética acabava por substituir suas antigas convicções.

Restavam apenas oito pessoas. Por diferentes razões e objetivos, recusaram-se a unir-se ao enxame; eram alguns dos primeiros a manter plena consciência. Não esperavam conseguir retornar à forma humana, ficando imensamente surpresos e, ao verem antigos companheiros transformados, sentiram-se aliviados por sua escolha.

Ainda bem que não optaram pelo enxame, do contrário, já teriam perdido a própria identidade.

Ser ou não ser si mesmo — seria isso bom ou ruim? Para a humanidade, a resposta era clara, mas para o enxame, o modo de pensar era outro.

Os híbridos que acompanhavam o Enxame-Rei ignoravam esses oito humanos, seguindo-o firmemente pela “língua” do Andarilho do Vazio.

Os oito humanos trocaram olhares, esforçando-se para conter o nojo e seguiram adiante.

Em aspectos assim, humanos e híbridos diferiam bastante; os híbridos não sentiam qualquer desconforto psicológico. Para eles, aquilo era apenas uma ferramenta. Sentiam-se orgulhosos, convencidos de pertencer à elite administrativa sob o Enxame-Rei, superiores às criaturas comuns.

De certo modo, não estavam errados. A maioria dos insetos não possuía consciência, mas acreditar que o Enxame-Rei dependia deles para gerir o enxame era uma piada.

A vantagem da rede era a velocidade da comunicação. Antes, o Enxame-Rei precisava dar ordens pessoalmente, mas, com a rede estabelecida pela Rainha, tudo se tornou imediato, como num país informatizado que monitora o consumo de água e energia de cada lar.

Com o advento do 5G, cada detalhe do consumo diário ficou registrado e integrado, e a rede do enxame era ainda mais avançada, podendo especificar a tarefa de cada unidade.

Se desejasse, o Enxame-Rei poderia manifestar-se como uma “divindade”, ocupando o corpo de qualquer inseto do enxame para lutar.

O Enxame-Rei tentou separar sua consciência, mas era impossível. Sua existência derivava da soma das consciências do enxame — chamá-lo de Alaya do enxame não seria errado. Sendo uma soma, não poderia dividir-se… ou, ao menos, era o que parecia.

Agora, com esses híbridos, o enxame tornava-se mais flexível e versátil taticamente.

Após entrarem, o Andarilho do Vazio fechou a boca, e o tapete de carne sob seus pés começou a se elevar lentamente, como um elevador.

O interior era vasto e vazio, exigindo essas membranas, que funcionavam como tapetes elevatórios, formando camadas dentro do corpo. Essas membranas subiam continuamente, separando as tropas em níveis distintos.

Assim, podia transportar um milhão de insetos terrestres de uma vez; já os de combate espacial protegiam o Andarilho externamente, tudo de maneira extremamente ordenada.

Ainda que houvesse apenas um Andarilho do Vazio, sob o comando do Enxame-Rei ele era veloz e, nutrido, evoluía constantemente. A região central de seus tentáculos transformara-se em uma vasta e profunda abertura de propulsão, sacrificando espaço para cerca de duzentos mil soldados, mas multiplicando sua velocidade.

Antes, atingia apenas a segunda velocidade cósmica; agora, após o lançamento, seguia direto para a terceira, avançando rapidamente rumo à zona de poeira zero onde os humanos estacionavam.

Seus tentáculos haviam se convertido em radares biológicos, usando ondas eletromagnéticas incompreensíveis aos humanos e a detecção de radiação cósmica para evitar antecipadamente grandes cometas ou meteoritos à frente.

Na verdade, ele não temia tais obstáculos — mesmo cometas maiores que ele não conseguiriam destruí-lo, mas poderiam reduzir sua velocidade, o que o Enxame-Rei não desejava.

Por isso, o outrora pacífico Andarilho do Vazio começou a ziguezaguear no espaço.

Era algo raríssimo de se ver. O Enxame-Rei repousava confortavelmente sobre o tapete de carne, totalmente relaxado.

Naquele momento, se pudesse ouvir a canção do pescador de camarões, não poderia haver cenário mais apropriado.

———

Peço desculpas pela ausência do capítulo de ontem e explico: eu havia combinado de assistir FATE na manhã de hoje, mas achei que era ontem cedo. Acordei muito cedo, fiquei exausto, e de tarde precisei sair. Depois do jantar, já eram oito horas, estava morto de sono e fui dormir direto. Acordei hoje à uma da manhã, sem conseguir dormir de novo, todo meu horário biológico ficou bagunçado. Quase dormi no cinema (aliás, já tinha assistido assim que estreou no Japão), então, ao voltar, dormi até as cinco e só então comecei a escrever… Peço desculpas, mas meu corpo chegou ao limite.