Capítulo 067 – O Primeiro Aliado
Capítulo 067 – O Primeiro Aliado
Logo, Ana já havia chegado à área habitada pelos meio-insetos. Sua postura era sedutora, mas não havia nenhum sinal de ter sido explorada. Todos especulavam sobre a relação entre Ana e o Rei Inseto. Para muitos líderes da base, sua identidade não era segredo, mas o fato de ela seguir tão fielmente o Rei Inseto assustava ainda mais os meio-insetos do que a própria morte.
Ficava claro que o Rei Inseto possuía métodos de lavagem cerebral, capazes de fazer alguém segui-lo de forma absoluta. Para seres humanos com alma e personalidade independentes, isso era inaceitável. Era como apagar sua consciência, mas escravizar seu corpo. Mais aterrorizante e detestável que os senhores de escravos da antiguidade.
Por isso, até agora, aqueles racistas inclinados ao suicídio não haviam tomado nenhuma atitude. Talvez, num deslize, o Rei Inseto apagasse suas consciências, transformando-os em mortos-vivos. Ou, ao provocá-lo, todos os membros das quatro frotas sob seu controle acabariam como Ana.
Eles não podiam aceitar isso, muito menos admitir que teriam sido os responsáveis. Por isso, mantinham-se quietos como galinhas, aguardando o momento certo e oportuno.
O Rei Inseto compreendia perfeitamente seus pensamentos, assim como eles. Também esperava pelo momento certo para, gradualmente, absorver os humanos.
E eis que o momento chegou.
"Majestade." Ele havia caminhado cerca de cinco quilômetros para encontrar Ana. Se não fosse pela modificação de seu corpo pelos insetos, estaria exausto. Mas não estava; não sentia cansaço algum, enquanto Ana, a Senhora Aranha, avançava com ainda mais facilidade, suas seis pernas se movendo pela caverna como se não consumissem nenhuma caloria.
Ao avistar o Rei Inseto, apressou-se a sua frente e ajoelhou-se parcialmente. Neste tempo, tal gesto já não era mais comum; saudar com a mão no peito ou prestar continência já bastava para demonstrar respeito. Mas só o meio ajoelhamento expressava toda a reverência que sentia pelo Rei Inseto.
O Rei Inseto olhou para ele: "A hierarquia dos insetos está gravada nos ossos; não precisa demonstrar, seu corpo saberá sozinho."
"Sim." Silva Quatro-Olhos não argumentou, apenas respondeu em voz baixa e levantou-se do chão.
"Majestade, sabe que muitos deles têm sentimentos de insubordinação?" perguntou. Seus quatro olhos observavam tanto Ana quanto o Rei Inseto; enquanto os olhos humanos focavam no Rei, os outros dois captavam os menores detalhes das expressões faciais de ambos.
Na universidade, estudara psicologia, especializando-se em microexpressões e linguagem corporal, o que sempre o favorecera nas interações humanas. Com dois olhos extras, seu talento multiplicou-se.
Mas percebeu que essas técnicas não funcionavam com os insetos; nem o Rei Inseto nem Ana demonstravam qualquer expressão, como se nada daquilo lhes dissesse respeito.
"Por isso só agora permiti que vocês administrem as naves humanas." As palavras do Rei Inseto o surpreenderam.
Só então percebeu que o Rei Inseto não era incapaz de política ou gestão, apenas ocultara tais conhecimentos dos meio-insetos.
"Por que ainda mantém esses humanos vivos?" perguntou, ousado, mas sem entender.
Parecia imprudente, mas nesses dias já conhecia bem o temperamento do Rei Inseto; sabia que perguntas assim não o irritavam. Na verdade, nem sabia se o Rei Inseto era capaz de sentir raiva ou emoções semelhantes. Mas ninguém ousava testar isso.
"Porque não posso distinguir quem é traidor, e entre eles podem surgir pessoas úteis, como você." O Rei Inseto olhou para ele, com um significado profundo.
Sentiu um frio interior, como se todos seus pensamentos fossem transparentes ao Rei Inseto, e nenhum segredo lhe restasse.
"Quando os insetos consomem algo, absorvem o gene e a memória desse algo. Os genes entram no Banco Genético dos insetos, organizados cronologicamente, mas as memórias são muito mais complexas..." O Rei Inseto não explicou mais, deu apenas uma introdução, deixando o resto para que ele deduzisse.
Era bom que ele entendesse assim.
Imediatamente, Silva exibiu uma expressão pensativa; conversar com pessoas inteligentes era prático, deduções podiam poupar o Rei Inseto de muitos esclarecimentos, verdadeiros ou não.
"Você veio me ver, o que deseja?" perguntou o Rei Inseto.
Parecia casual, como se não desse importância a Silva.
Mas Silva sabia: era importante. Talvez fosse a única ponte entre o Rei Inseto e os humanos. O destino de centenas de milhares dependia dele.
Não podia entregar essas pessoas àqueles racistas suicidas. As pessoas têm direito de escolha, embora o Rei Inseto e os meio-insetos não parecessem oferecer essa oportunidade.
Mas ele precisava ser responsável por elas.
"Se entregar as quatro naves a eles, as consequências serão irreversíveis."
"Irão destruir suas naves."
Primeiro, identificou o inimigo; depois, apontou os interesses; por fim, fez o alerta. Inteligente, um tipo menos astuto não perceberia suas entrelinhas.
Felizmente, o Rei Inseto não era como aqueles de baixa inteligência emocional; com milhões de servidores, sua lógica era mais clara que a de Silva Quatro-Olhos.
As quatro naves eram apenas iscas, descartáveis; ao serem enviadas ao campo de batalha entre humanos e um outro povo, já estavam em perigo extremo. Se fossem vistos como inimigos, serviriam de bucha de canhão.
Morreriam, mas se a morte teria valor ou não era outra questão.
Silva, porém, trouxe um argumento diferente.
"Eles precisam de direito à informação. Nem todos nos hostilizam. Mais importante: sob ameaça de morte, nem todos preferem morrer heroicamente." Escolheu cuidadosamente as palavras, deixando claro que não queria que o Rei Inseto confundisse sua posição.
"Como soberano, sugiro que lhes dê a chance de escolher, de saber seu destino final e então decidir."
"Os que escolherem sobreviver poderão ser sua força. Os vivos têm mais valor que os mortos." Seu gesto era em prol de muitos, mas a decisão caberia a cada um.
Ainda haveria dois meses até chegarem ao campo de batalha; tempo suficiente para refletirem sobre o futuro.
O motivo de Silva era claro: aumentar seu poder e influência entre os insetos. Quanto mais humanos se entregassem ao Rei Inseto, mais ele, como primeiro aliado, teria pessoas para administrar, e seu poder cresceria.
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Primeira atualização do dia; daqui a pouco, tem mais. Ontem meu computador quebrou, mas felizmente mês passado consegui consertar a tela do notebook. Senão, estaria perdido.