Capítulo 063: A Rede dos Vermes Reais

O Último Enxame Meia tigela de carne de porco ao molho vermelho 2353 palavras 2026-02-08 04:36:21

Capítulo 063 – A Rede dos Insetos-Reis

Os dispositivos de combate humanos, mesmo para leigos, são facilmente distinguíveis: as armas de guerra espacial, em sua maioria, têm formato circular. Esse design oferece melhor velocidade no espaço, maior capacidade de defesa e mais espaço interno, características inegavelmente adequadas para batalhas fora da atmosfera.

Já as naves de uso duplo, tanto para o espaço quanto para o ar atmosférico, obedecem à aerodinâmica: possuem a dianteira pontiaguda e o corpo em linhas suaves e alongadas.

O chamado canhoneiro aéreo, apesar do nome, era bastante espaçoso por dentro, comportando quatro paraquedistas infernais. Embora a capacidade fosse semelhante à das cápsulas blindadas de descida forçada, estes canhoneiros permitiam lançamentos precisos e, além disso, garantiam poder de fogo durante a aterrissagem, protegendo a vida dos paraquedistas até tocarem o solo.

Esses quatro paraquedistas infernais eram verdadeiros gigantes, cada um ultrapassando dois metros e vinte de altura com a armadura exoesquelética. Juntos, ocupavam mais espaço que oito pessoas comuns.

Na missão atual, tratava-se apenas do transporte de prisioneiros e refugiados, então todos se amontoavam como podiam. Assim, num compartimento projetado para doze pessoas, estavam agora espremidas vinte.

Apesar do aperto, o ambiente era de alegria e alívio; ninguém reclamava. Após um mês de convivência, já estavam perfeitamente entrosados. Como poderiam criar desavenças com os colegas na véspera da vitória?

Afinal, quanto mais gente coubesse, menos viagens os pilotos teriam de fazer. Com esse pensamento, todos os prisioneiros embarcaram no caminho de volta para casa, apertando-se o máximo possível.

Entretanto, quando a nave deixou a atmosfera e se aproximou da nave de escolta, um dos passageiros junto à janela gritou alarmado.

— O que é aquilo? Ei, ei! O que aconteceu com a nossa nave-mãe?

Seu grito foi como um estopim. Todos à janela voltaram os olhos para fora e logo começaram a exclamar em choque.

Do lado de fora, o grande globo prateado que irradiava um brilho suave e servia de guia para os canhoneiros havia se transformado completamente. Agora parecia um imenso globo ocular negro, com uma textura viscosa, orgânica, totalmente diferente do brilho metálico habitual.

— São os insetos... — murmurou alguém, trêmulo.

O pânico tomou conta do compartimento.

— E a nossa nave de escolta? — alguém gritou, quase fora de si.

— Lamento, mas nossa nave de escolta foi tomada pelos insetos. Agora, não são só vocês: nós também somos prisioneiros deles — responderam os pilotos pelo intercomunicador, com um sorriso amargo.

Aos poucos, do medo, todos passaram à resignação. No fim das contas, ser prisioneiro num ambiente limpo e aquecido era melhor do que ficar nos subterrâneos úmidos e escuros. Aquilo era muito mais confortável. Aceitaram a nova realidade, deixando para trás os dilemas interiores.

Ao menos, agora tinham água quente, luz elétrica e muitos companheiros.

No entanto, outros mantinham o semblante carregado. Eram os mais sensíveis e inteligentes, que percebiam a gravidade da situação. E a nave-mãe? Onde estava a “Patrulheira Galáctica”, de trinta quilômetros de comprimento? Todos sabiam que a liderança humana subestimara os insetos, já que haviam sido expulsos para o subsolo do planeta, mas ninguém imaginava tamanho descuido. Após perderem a base na superfície, ainda retiraram a “Patrulheira Galáctica”? Isso era colocar as quatro naves de escolta em risco! Era criminoso.

Ardiam de raiva, mas não podiam descontar em ninguém, o que lhes dava um olhar sombrio e ameaçador. Muitos culpavam a alta cúpula humana por seu sofrimento. Outros eram mais práticos.

— Subestimaram demais esses insetos, lá de cima — disse um jovem de aparência comum e queixo largo, passando a mão pela barba rala.

— E agora, o que faremos? — perguntou alguém ao lado, concordando com um aceno.

Eles pertenciam a outro assentamento e seguiam as decisões do jovem de queixo largo. Seu cabelo ruivo, agora longo e amarrado em um pequeno rabo-de-cavalo, destoava do restante. Mas, sem produtos de higiene nas cavernas, cortar o cabelo era impossível; homens com barba e mulheres com pernas peludas eram comuns por lá.

— O melhor é entrarmos na frota e observar a situação. Seja como for, é melhor do que ficar nas cavernas — disse ele, convencendo os demais de que o momento exigia cautela e adaptação. Sem entender o quadro geral, era preciso agir com prudência.

Quando desembarcaram pela escura escotilha e pisaram de novo no chão metálico da nave de escolta, muitos não contiveram as lágrimas e beijaram o convés.

Os engenheiros e pilotos observavam com estranheza aqueles que se ajoelhavam e beijavam o chão; se soubessem o que havia sob seus pés, talvez vomitassem ali mesmo. Mas até o vômito provavelmente seria absorvido pelas criaturas abaixo.

O arrepio percorreu a espinha de todos ao pensarem nisso.

Ninguém, porém, lhes contou a verdade. A maioria da tripulação das quatro naves de escolta observava os vinte ou trinta mil prisioneiros com extrema desconfiança. Se os insetos conseguiram tomar a nave tão facilmente, não seria estranho se alguns “humanos-insetos” estivessem infiltrados entre eles...

O que ignoravam era que os verdadeiros híbridos ainda estavam na superfície, parados, observando a nave com olhar perdido.

— Majestade, vamos deixá-los ir assim? — estavam perplexos. Sem modificação corporal, sem lavagem cerebral, simplesmente permitiam que mais de trinta mil humanos partissem?

Isso era compaixão demais. Seria possível que os Insetos-Reis agissem assim?

E quanto a eles? O que fariam? Ainda nem haviam embarcado!

— Coloquem — disse a majestade dos insetos, cercada por águas-vivas cor-de-rosa, que flutuavam com seus tentáculos no ar como se estivessem no oceano.

“Coloquem” significava vestir as águas-vivas na cabeça. Diferente dos híbridos hesitantes, a Senhora Aranha Ana, já completamente submetida à lavagem cerebral, colocou a água-viva em sua cabeça com leveza, como se fosse um belo chapéu, tornando-se até mais charmosa.

Mas os outros híbridos sabiam: não era apenas um adereço bonito.

Nesse momento, Ana exclamou de surpresa.

Obviamente, ela acabara de ver um mundo totalmente diferente.

———

Estou exausto. Continuarei a ajustar a linha do tempo.