Capítulo 025 - O Rei
Capítulo 025 – Rei
Quando emergiu do líquido amniótico, os insetos alados abriram suas asas e começaram a emitir sons estridentes. Os insetos sem asas também soltaram gritos, acompanhando os demais. Todos juntos, produziram um ruído tão intenso e sincronizado que fez a terra tremer.
Aqueles que outrora foram humanos, agora transformados em criaturas híbridas, deveriam saudar a chegada do rei do fundo de suas almas. Contudo, por ainda conservarem traços de humanidade e não terem sido completamente doutrinados como a Senhora Aranha, era impossível para eles sentirem qualquer alegria diante daquele evento. Sua condição era muito mais complexa, uma confusão interna maior do que decidir quem salvar primeiro numa tragédia envolvendo esposa e mãe.
Com olhares carregados de perplexidade, contemplavam atentamente o rei-inseto que, ao sair do líquido, já se encontrava em seu ápice. Abriu a boca e emitiu sons incompreensíveis, totalmente desprovidos de significado.
Diante deles, o rei-inseto possuía cerca de dois metros de altura, longos cabelos negros caindo sobre a cabeça, e duas antenas grossas na testa, mais largas que dedos humanos, cujas pontas vibravam suavemente, claramente aptas a captar sons distantes no ar. Todos sabem que o som nasce de vibrações.
O pescoço e o tronco não apresentavam grandes diferenças em relação ao corpo humano, mas a partir dos ombros era possível notar as divergências. Ali, duas placas de quitina, semelhantes a ossos, estendiam-se para trás como o dorso de um besouro, protegendo o corpo até as coxas, como escudos firmes. Uma cauda longa, entre um metro e meio e um metro e oitenta, emergia entre as placas, balançando de maneira inconsciente, exalando uma aura maléfica e sedutora.
Dos ombros até as mãos, a estrutura mudava radicalmente. Os cotovelos eram como articulações de marionetes, encaixados aos braços, e dali partiam antebraços robustos de cor branca cadavérica, que transmitiam uma sensação de solidez. Essas placas ósseas envolviam completamente as mãos, fornecendo defesa e poder de ataque formidáveis.
A humanidade nunca conseguiu analisar com precisão a composição da quitina dos insetos, mas sabia que ela podia bloquear facilmente radiações espaciais, permitindo aos insetos vagar pelo cosmos. Mesmo armas de corte vibratório tinham dificuldade para marcar essas placas.
Então, havia aquela parte que deixava todos os homens presentes constrangidos... Um membro tão longo que, mesmo sem reação, já era suficiente para provocar vergonha, digno apenas de certas produções cinematográficas. Se soubessem que sua dimensão podia variar conforme a vontade, talvez ficassem ainda mais perplexos.
Abaixo, vinham duas pernas grossas e compridas, terminadas em placas de quitina, assim como as mãos, claramente capazes de gerar força descomunal, seja para saltar, correr ou atacar.
Mas por que mãos? Se fosse uma foice de barata ou as patas dos cães... Agora fazia sentido. Os antigos líderes e estrategistas humanos rapidamente entenderam: a versatilidade das mãos era justamente a razão pela qual a humanidade conseguira competir com outras espécies do universo.
Observavam o rei-inseto, que repetidamente apertava e soltava as mãos, com semblante grave. Diferente deles, a Senhora Aranha, completamente doutrinada, avançou um passo, ajoelhou-se naturalmente, colocou as mãos sobre o peito e juntou suas pernas de aranha junto ao corpo, compondo um adorno estranho e belo.
"Rei", ela disse.
Embora antes o rei só tivesse se comunicado com ela por meio de vontade, nunca dominou esse tipo de interação, recebendo apenas mensagens unilaterais. Agora, com o rei diante de si, sentia uma alegria igual à dos insetos à sua volta.
"Ah, Ana", foi a primeira frase do rei, fazendo o corpo da Senhora Aranha tremer suavemente.
"E senhores", virou-se para o grupo de capturados humanos, acenando com a cabeça.
Os corpos deles estremeciam ainda mais; era evidente que o rei-inseto possuía inteligência muito além do que imaginavam possível para um ser da espécie.
"Comecem", disse ele, com voz indiferente, acenando.
Mas para quem estava dando ordens?
Os humanos só tiveram tempo de pensar nisso, quando o chão começou a tremer. Todos os insetos levantaram-se e correram para a saída da caverna como uma onda. Incontáveis libélulas suicidas voaram como morcegos acima da caverna, em bandos, rumando para fora.
Cães, pulgas e outros insetos recém-criados seguiram a multidão, cada um com seu objetivo, conforme designado pelo rei.
"Vamos também", disse o rei, voltando-se principalmente para Ana.
"Sim", respondeu Ana, vestida com roupas humanas, duas facas vibratórias penduradas na cintura. Suas pernas de aranha se estenderam, enormes, fixando-se nas paredes e no teto, permitindo que ela seguisse o rei rapidamente.
Os humanos apressaram-se a acompanhar, mas muitos ficaram para trás logo no início. Sendo experimentais, nem todos tinham aprimorado as mesmas habilidades. Alguns, com poderes de camarão, besouro, pulga ou barata, eram velozes o suficiente para seguir o rei e Ana. Outros, com mutações estranhas como braços extras, cabeças duplicadas, pernas triplas ou olhos múltiplos, só podiam caminhar cada vez mais devagar, até restarem sozinhos na caverna.
Atrás deles, pulgas e cães passavam em ondas, ultrapassando-os e avançando para o campo de batalha. A mãe-inseto, no comando, não economizava pontos de nutrição, produzindo soldados incessantemente.
Nesse momento, todos os humanos híbridos tiveram um pensamento nunca antes considerado:
"Será que realmente podemos vencer?"
Alguém murmurou, incapaz de conter o que sentia.
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