Capítulo 038: O Sentinela Robótico

O Último Enxame Meia tigela de carne de porco ao molho vermelho 2432 palavras 2026-02-08 04:34:03

Capítulo 038: O Sentinela Robótico

— Venham também provar um pouco. — Após terminar de comer os afídeos crocantes, com sabor de frango, o Rei Inseto fez um gesto chamando o grupo de semi-insetos que aguardava de pé ao lado.

Afinal, aquele alimento tinha sido preparado especialmente para humanos; nada mais justo que deixá-los experimentar.

Diferente dos demais, que se entreolharam hesitantes, a Senhora Aranha Ana aproximou-se sem pestanejar. Suas patas ágeis perfuraram um afídeo com uma precisão relampejante; ela então levou a pata à frente do rosto e sugou lentamente o mel, arregalando os olhos, surpresa com a doçura daquele néctar.

Quando terminou de sorver o mel, devorou o afídeo em poucos movimentos. A textura lembrava salmão: macio, suculento e surpreendentemente elástico. Se tirassem a carne e a servissem sem mostrar a origem, certamente seria confundida com algum tipo exótico de salmão de um vilarejo longínquo.

Mas… o que era mesmo salmão? Ana hesitou, engolindo o último pedaço do afídeo.

Ninguém percebeu o estranhamento de Ana. Os outros se aproximaram um a um, provaram o afídeo e, ao sentirem o sabor, arregalaram os olhos de surpresa. O gosto superava em muito qualquer expectativa. Chegaram até a invejar o Rei Inseto, que, com um simples gesto, podia criar delícias tão além da imaginação humana.

Era um poder imenso.

Talvez o Rei Inseto não percebesse, ou não tivesse noção disso, mas sua capacidade de modificar plantas, animais e humanos com tamanha facilidade carregava, em certo sentido, um traço divino. Se estivesse em meio à sociedade humana, seria certamente adorado como um deus pelos ignorantes, venerado por nobres obcecados com juventude e imortalidade. No entanto, ali era apenas um monarca tentando sobreviver em um pequeno planeta.

Pensar nisso despertava neles uma certa compaixão.

Afinal, o mundo era vasto — tão grande que os insetos mal podiam imaginar. Mesmo o mais insignificante dos países de uma região distante seria capaz de esmagá-los. No fim, eram apenas pragas.

Talvez causem danos ao futuro da humanidade, mas se os humanos levarem a sério, os insetos seriam exterminados rapidamente.

Por mais arrogante que o enxame se mostrasse, mesmo tendo capturado muitos humanos, continuava limitado àquele planeta. Era como as guerras dos tempos medievais: para quem viveu depois, pareciam meras brigas entre aldeias, no máximo disputas de vilarejos.

A perspectiva dos humanos de agora já era muito mais ampla. Não importava o quão intensa fosse a guerra na superfície ou no subsolo, enquanto não atingisse as estrelas, continuava sendo apenas uma disputa de aldeões armados.

Eles torciam para que o Rei Inseto não percebesse isso — mas, ao mesmo tempo, desejavam que se desse conta. Como prisioneiros, semi-insetos, modificados, como insetos… sentiam-se divididos.

Era como se fossem afrodescendentes que migraram para os Estados Unidos na infância, durante a Idade Média: falavam inglês perfeitamente, viam o país como pátria, mas jamais seriam aceitos pela cultura dominante. Por mais que se esforçassem, a cor da pele os mantinha à parte, como se tudo não passasse de uma piada cruel.

Esses semi-insetos foram transformados em algo tão diferente dos humanos que, mesmo que voltassem, jamais recuperariam a confiança dos seus semelhantes. Eles, inteligentes, sabiam disso, mas ainda não conseguiam abandonar completamente o passado e entregar-se de alma ao Rei Inseto.

Restava-lhes apenas o silêncio… silêncio…

— Acham que este alimento manterá os humanos vivos? — O Rei Inseto buscava a opinião deles.

Apesar de manter traços de humanidade, o domínio dos genes do enxame era cada vez maior, tornando natural que sua humanidade se diluísse. Mais ainda: o tempo dele não era o mesmo dos humanos do universo; o que parecia aceitável para ele, talvez fosse impensável para os humanos modernos.

— Eles ficarão satisfeitos — responderam os semi-insetos quase em uníssono.

— Que bom — disse o Rei Inseto, assentindo levemente.

— Majestade, pretende criar humanos como gado? — indagou o conselheiro de quatro olhos, que já parecia menos intimidado e mais adaptado à presença do rei. Arriscava-se a sondar seus pensamentos.

Ele fazia questão de se distinguir dos novos prisioneiros humanos. Se o pior acontecesse e virassem gado, ao menos os semi-insetos seriam diferentes.

Todavia, sua intuição lhe dizia que não era esse o plano. Se o Rei Inseto só quisesse carne, o valor nutritivo dos humanos não superava o do gás ou do petróleo — talvez fosse equivalente ao do minério de ferro. Se fosse só isso, não valeria o esforço.

Ele queria entender as verdadeiras intenções do Rei Inseto, para poder julgar melhor.

— Quero governar os humanos — respondeu o Rei Inseto, sem hesitar. Não era algo difícil de admitir.

Falava abertamente com os semi-insetos. Ordens puras eram entediantes; com inteligência, vinha a necessidade de socializar, comunicar, dialogar.

Foi por isso que, após a experiência inicial com a Senhora Aranha Ana, não destruiu mais a memória de nenhum humano capturado. Para ele, as lembranças eram o bem mais precioso.

Fragmentos da memória de Ana estavam espalhados e só podiam ser consultados aos poucos; não era como consultar uma biblioteca. Se fosse impiedoso e destruísse todas as memórias, até poderia recompor a estrutura social dos humanos do universo a partir de milhões de lembranças dispersas.

Mas não era esse o propósito. Como dissera: queria governar, não criar gado.

Os semi-insetos arregalaram os olhos diante de tamanho desejo.

Do lado de fora, no final do túnel alargado, sete ou oito robôs de três metros de altura foram baixados lentamente no planalto, suspensos por aeronaves de combate.

— Preparar para desacoplar — soou a voz grave do comandante cicatrizado no canal de comunicação.

— Sentinelas em terra!

— Descida rápida da infantaria!

— Pouso completo!

— Em posição!

Os robôs, altos e imponentes, ergueram a mão esquerda, onde quatro canhões eletromagnéticos acoplados começaram a brilhar.

Mas o mais temível não era a mão esquerda, e sim a direita: canhão eletromagnético superdimensionado de 88 milímetros, projetado especialmente para destruir besouros de plasma!

Os Sentinelas Robóticos, enfim, haviam chegado!

————

Alguém pode se perguntar: o Rei Inseto não tinha bilhões de insetos antes? Por que agora só há dois milhões em combate? Os demais eram espécies antigas, como baratas-ceifadoras, já aposentadas para mineração. Estes dois milhões são o novo exército de combate.

Primeira parte do capítulo; à noite, haverá outra.