Capítulo 20: O Verme Cerebral de Pavlov
Capítulo 20 – O verme cerebral de Pavlov
Na Idade Média, houve um cientista chamado Pavlov que realizava testes de reação com seu próprio cão. Primeiro, oferecia ao cão um osso de carne e media a salivação. Depois, tocava um sino junto com o osso, fazendo com que o cão desenvolvesse um reflexo condicionado. Por fim, retirava o osso: mesmo sem ele, ao ouvir o sino, o cão começava naturalmente a salivar.
Embora os humanos soubessem que o verme cerebral possuía certa inteligência, essa inteligência de nada valia sem comunicação; era necessário ensinar-lhe o significado do reflexo condicionado.
“Tem certeza que isso vai funcionar?” Diante da porta da cela do verme cerebral, um homem de uniforme, bonito e altivo, segurava uma barra de ferro na mão, ao lado de uma mulher de cabelos negros, pequena e de corpo esguio, vestindo meias pretas, que o olhava, preocupada.
“Aquele verme cerebral é de extrema importância para a alta cúpula. Se algo acontecer a ele sob seus cuidados, a responsabilidade...” A mulher, com um rabo de cavalo médio, tinha a cabeça à altura do peito do homem, que aparentava ter entre vinte e trinta anos, com franja loira e uma expressão orgulhosa.
“Fique tranquila. Se algo acontecer, assumo toda a responsabilidade.” Com um passado influente, ele pouco se importava; se conseguisse, seria o novo herói das forças armadas.
Para um civil, realizar tal feito renderia cem créditos, mas para ele, o mérito seria mil vezes maior.
Não deixaria essa glória para ninguém.
Além disso, no espaço, podiam maltratar os vermes cerebrais à vontade, sem medo de represálias do enxame.
E quanto às tropas terrestres serem atacadas pelo enxame? Que lhe importava?
“Abra a porta!” ordenou friamente.
A mulher de cabelos negros, sem alternativa, tocou algumas vezes no tablet que carregava ao peito. Portas de aço se abriram em sequência e, após atravessar três delas, chegaram à cela do verme cerebral. O local era todo revestido de aço, com paredes de vidro temperado, e o verme cerebral, com seus três metros de altura e corpo descomunal, parecia um enorme suíno. Mas esse suíno incomum era a peça-chave de toda a espécie.
Como o destino é caprichoso... Por que um ser tão grotesco teria tamanho poder?
Ele se voltou ao vidro da parede. “Abra a porta.”
“Mas, major, ainda não confirmamos se eles carregam algum vírus desconhecido”, hesitaram os cientistas do outro lado do vidro.
“Então investiguem os soldados que o trouxeram. Alguns ainda estão vivos, vejam se apresentam algum problema!” Talvez pela longa vivência militar, seu tom era enérgico, destoando dos cientistas.
Na verdade, os cientistas não estavam errados. O fato de os paraquedistas do inferno estarem bem não garantia ausência de vírus — alguns deles têm incubação de décadas!
Mas, já que ele insistia, que fosse. Se queria morrer, problema dele.
Abriram então um dos vidros, expondo o verme cerebral ao major loiro.
O jovem exibia um sorriso satisfeito.
Com um giro, a barra em sua mão estendeu-se de trinta centímetros para um metro, e sua ponta começou a emitir faíscas.
“Agora, iniciaremos o treinamento”, disse com um sorriso cruel, aproximando-se do verme cerebral.
O verme tinha dezesseis pares de patas, todas carnosas, apenas as extremidades eram mais rígidas. Movia-se lentamente, desajeitado pelo peso, e, ao ver o major, recuou amedrontado, comprimindo seu corpo gordo contra o vidro.
“Vamos, ponha ovos!” O major loiro, com expressão feroz, descarregou um choque na criatura. Embora pequena, a barra tinha alta voltagem; o verme cerebral estremeceu, uivando, perdendo toda a dignidade de “rei dos insetos”.
No interior do ovo, a rainha estremeceu. Não esperava tamanha pressa dos humanos, partindo logo para a tortura.
Ela não sabia que os humanos viam os vermes cerebrais como cães de Pavlov para serem treinados, achando apenas que tentavam forçá-los à obediência.
Na verdade, eu já pretendia cooperar com vocês... Para que essa brutalidade?
Desligando a comunicação com o verme, a rainha, aborrecida, emitiu uma ordem. Esses humanos eram realmente impacientes.
Mas, já que era assim, era uma boa oportunidade para deixar os insetos, há dias confinados, se exercitarem. Afinal, era um desperdício gastar tantos nutrientes para mantê-los parados.
Seria uma chance perfeita para a Senhora das Aranhas testar o quão poderosos estavam os insetos modificados pelos humanos.
Como uma maré, os insetos irromperam do subterrâneo, avançando sobre as bases humanas.
Desta vez, não eram apenas os pequenos cães; puladores misturavam-se ao grupo, e libélulas suicidas aguardavam ansiosas o voo das armas humanas.
No meio desse enxame, a Senhora das Aranhas, Anna, com seis longas pernas de aracnídeo, destacava-se imponente, empunhando duas lâminas vibratórias à cintura, observando de uma colina distante o acampamento humano.
“O que é aquilo?” Uma das canhoneiras aéreas, descendo do espaço para apoiar as tropas, avistou-a de longe pelos poderosos radares e lentes óticas.
No meio da multidão de insetos, aquela figura era impossível de ignorar, causando calafrios nos observadores.
“Não importa o que seja! Matem-na!” O alcance de ataque das canhoneiras aéreas era muito superior ao de qualquer arma terrestre. No solo, três a cinco quilômetros era o limite; no ar, dez a vinte quilômetros era apenas o início.
Para uma aeronave de ataque ao solo, aquilo era perto demais; o sistema de controle de fogo travou imediatamente na Senhora das Aranhas, pronto para despedaçá-la.
Mas, de repente, uma grande concentração de sinais aéreos em alta velocidade apareceu nos sensores da canhoneira.
Em combate aéreo, o princípio é eliminar quaisquer inimigos no ar para garantir a supremacia aérea. Com tantos sinais, se não fossem eliminados, a própria canhoneira estaria em risco.
Rapidamente, mudaram o alvo e começaram a disparar contra os inimigos voadores que se aproximavam.
No entanto, ao verem as imagens daqueles insetos nas telas, os operadores da canhoneira ficaram horrorizados.
“O que são essas criaturas? Maldição! Uma nova espécie!”
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O notebook foi consertado, saiu por 2300 créditos. Não usem crédito fácil, amigos, aprendam com meu erro! Um matebook de 5000 ou 6000 já basta! Fica a dica.
Amanhã aceleramos o ritmo.