Capítulo 039: A Nova Tática Humana

O Último Enxame Meia tigela de carne de porco ao molho vermelho 2441 palavras 2026-02-08 04:34:08

Capítulo 039 – A Nova Tática Humana

Esses robôs pesados, armados com canhões de 88 mm na mão direita e canhões eletromagnéticos de 10 mm na esquerda, não só exibiam uma altura de três metros como também emanavam um brilho metálico escuro e ameaçador por todo o corpo. Suas pernas eram ligeiramente baixas, com quatro dedos — dois à frente e dois atrás —, cujos oito apêndices cravavam-se firmemente no solo. Apesar da aparência robusta, sua estrutura interna, além de reforçada, havia passado por um processo de alívio de peso. Com três metros de altura, podiam resistir sem dificuldade às investidas das criaturas saltadoras e dos pequenos cães de combate, e, para defesa aérea, traziam ainda um pequeno canhão montado no topo da cabeça. Combinado ao canhão eletromagnético de quatro canos na mão esquerda, tornavam-se verdadeiras fortalezas móveis.

Ainda mais temível era o braço mecânico transversal situado entre os membros principais, equipado em sua extremidade com uma serra elétrica — do tipo que não se intimida com o acúmulo de carne. Estava claro que essas máquinas estavam igualmente preparadas para o combate corpo a corpo.

Eram oito dessas armas de destruição, acompanhadas por vinte soldados equipados com exoesqueletos leves. Empunhavam rifles eletromagnéticos de 10 mm e, presos à cintura, traziam lançadores eletromagnéticos. Não usavam armaduras pesadas, pois com os mechas sentinelas ao lado, já possuíam cobertura móvel suficiente. E, de qualquer forma, se um ataque ultrapassasse a proteção dos sentinelas, nenhuma armadura pessoal resistiria. Assim, preferiam deslocar-se levemente, facilitando longas marchas.

O objetivo tático era claro: utilizar os sentinelas como tanques, avançando lentamente em coordenação com a infantaria. A estratégia era ousada: infiltrar-se diretamente nas cavernas, localizar novos reis-insetos ou besouros de plasma e eliminá-los.

Havia muitos esquadrões como este. Somente o homem de rosto marcado sabia de mais de dez. Era evidente que a humanidade já não suportava mais os insetos e abandonara a estratégia de pressionar os inimigos lentamente na superfície do planeta.

O número de criaturas era excessivo. Construir bases em campo aberto apenas ampliava as vantagens dos insetos, colocando os pontos fracos humanos frente às suas maiores forças. Esse tipo de confronto jamais traria vitória, não importando quantas vezes fosse repetido.

Os líderes da humanidade rapidamente ajustaram sua abordagem tática, tentando, com esses pequenos mas poderosos esquadrões, atravessar as linhas inimigas e executar ataques de decapitação. Não era a primeira investida do tipo. A infiltração de Senhora Aranha Ana fora apenas o prenúncio.

Em comparação à “ousadia” de Ana, o comando humano agora estava decidido a penetrar verdadeiramente no subsolo. Tinham percebido que, no combate individual, os humanos eram superiores, mas em campo aberto essa vantagem se perdia. Já em ambientes estreitos, era a vez dos insetos terem suas forças diluídas.

Entrar nas galerias subterrâneas não era um ato suicida. Tanto Ana quanto o homem marcado já haviam descido antes, e a experiência não fora tão terrível quanto muitos imaginavam. O verdadeiro terror provinha da ignorância. Uma vez superado o desconhecido, o medo desaparecia — e, considerando o sucesso da primeira incursão, em que capturaram um rei-inseto com poucas baixas, não havia razão para hesitar.

Se até um grupo de paraquedistas considerados kamikazes podia invadir os ninhos, essa versão reforçada de esquadrão de assalto poderia, sem dúvida, dominar os túneis dos insetos com audácia.

Entre os oito sentinelas, um era dedicado exclusivamente à logística, carregando suprimentos, água e munição para toda a equipe. Era a alma do grupo. Os outros três atuavam na linha de frente, três na retaguarda, entremeados pelos mais frágeis infantes, e um deles, com funções de engenharia, preparado para abrir caminho em situações extremas.

Com esse poder de fogo, os insetos, de fato, não representavam ameaça. A estratégia humana era precisa: exceto pelos besouros de plasma, as demais criaturas tinham aparência feroz, mas poder de ataque insuficiente. Os insetos suicidas, que explodiam em contato, não podiam usar seu potencial nos túneis estreitos, onde eram facilmente destruídos pelo sistema de controle de fogo humano.

Esses mechas ainda haviam recebido modificações especiais para garantir poder de fogo. Embora compartilhassem o mesmo compartimento de munição, para evitar superaquecimento pelo uso contínuo, as quatro armas eletromagnéticas paralelas podiam varrer qualquer criatura hostil que surgisse.

O enxame realmente carecia de uma unidade pesada capaz de enfrentar combates duros sem perder mobilidade nos túneis. Fabricar tal criatura não era difícil; faltava, porém, a decisão do rei-inseto.

As patas mecânicas dos sentinelas afundavam no tapete fúngico macio, esmagando-o sob seu peso colossal, fazendo jorrar um líquido verde que respingava sobre um soldado próximo, encharcando-o por completo.

“Urgh.” O líquido fétido provocou vômitos imediatos no soldado, deixando claro que nenhum humano jamais consideraria aquilo alimento. O odor era tão repulsivo que só de tocar já era insuportável.

“O que é isso agora?” O homem marcado franziu o cenho. Em menos de um mês, os insetos já haviam desenvolvido outra novidade. A velocidade de evolução dessa espécie superava em muito qualquer coisa já observada pela humanidade.

O potencial era verdadeiramente assustador. Por isso mesmo, era preciso aniquilá-los antes que fosse tarde. Com expressão resoluta, o homem avançou na dianteira. O tapete fúngico não suportava o peso e se rompia facilmente, deixando para trás um rastro de destruição — um verdadeiro caminho de migalhas.

Atrás deles, um inseto, ainda fundido à parede rochosa, abriu os olhos e observou atentamente o grupo. Estava claro que cada movimento humano era monitorado pelo rei-inseto. Não importava a situação, a humanidade nunca escapava desse olhar vigilante. O nevoeiro da guerra era uma desvantagem unilateral, tornando o conflito absolutamente injusto. Mas justiça nunca esteve nos planos do rei-inseto, que, ao contrário, sentia grande curiosidade pelas novas armas humanas.

Seriam equipamentos recém-fabricados às pressas no espaço? Ou já existentes, mas nunca antes utilizados em combate? Talvez reforços de outras frotas? Qualquer que fosse a resposta, o rei-inseto estava fascinado — e, além disso, reconheceu um velho conhecido entre os invasores.

Chegara a hora de criar um novo tipo de soldado, capaz de enfrentar as armas humanas. Tocando o queixo, o rei-inseto fitou profundamente a escuridão, mergulhando em um estado de contemplação.

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Perguntaram-me: “Camarão-mantis não é crustáceo? Qual a relação com insetos?” Na verdade, como já mencionei antes, a tríplice missão do enxame é: obter nutrientes para a colônia, alimentar a mãe-inseto e extrair o máximo de genes de todos os seres vivos, buscando a evolução suprema.

Não sou muito de mergulhar em explicações de ambientação, então apenas menciono de passagem. Quem lê distraidamente pode estranhar e considerar a obra cheia de falhas. Vou esclarecer isso aos poucos nas notas, se perceber a dúvida.

Aliás, o processador de texto quase me deixou sem este capítulo. Quase perdi tudo!