Capítulo 043: Jamais Poderia Imaginar

O Último Enxame Meia tigela de carne de porco ao molho vermelho 2317 palavras 2026-02-08 04:34:30

Capítulo 043 – Jamais Imaginado

Na nave-mãe espacial que ultrapassava vinte quilômetros, cada setor parecia uma cidade independente. Todos ali, exceto por seus superiores imediatos, não estavam subordinados uns aos outros, vivendo apenas em suas áreas designadas. Comparados aos insetos subterrâneos, os humanos ali assemelhavam-se ainda mais a um formigueiro. O pessoal de apoio, como operárias diligentes, movimentava-se de um lado para o outro; os soldados, como formigas-soldado, decolavam e pousavam incessantemente; e a rainha, representando o centro de comando, repousava confortavelmente enquanto dirigia todos.

Entretanto, o local de maior interesse para a humanidade era, sem dúvida, o laboratório. Originalmente, não havia nenhum centro de pesquisa estabelecido na nave-mãe, pois levar cientistas para o front de batalha era considerado absurdo. Porém, a raça dos insetos era diferente de qualquer outra criatura do universo; era evidente que esses insetos, assim como os humanos, estavam em constante evolução, com novos tipos de soldados surgindo sempre.

Nessa circunstância, era necessária a presença de especialistas em armamentos e biologia para desenvolver armas específicas, como no caso dos besouros blindados desta vez, que exigiram novos projetos para apoiar os paraquedistas infernais.

Por conta desses especialistas, o cérebro-inseto capturado não foi enviado ao planeta natal dos humanos, mas mantido nas profundezas da nave-mãe, sob rigorosa vigilância, para evitar sua autodestruição ou qualquer outra anomalia. Pouquíssimas pessoas se aproximavam, tamanho era o nível de segurança.

Observar o cérebro-inseto tornou-se parte da rotina diária dos cientistas de armamentos e biólogos, que passavam a manhã analisando seus hábitos. Inicialmente, o cérebro-inseto estava faminto, sobrevivendo apenas graças ao suporte do rei-inseto. Depois, o rei-inseto o fez botar ovos e, em seguida, comer os próprios ovos, revelando à humanidade que o cérebro-inseto não era uma mera máquina. Quando ele não mais botava ovos, começaram a alimentá-lo com todo tipo de substância.

O cérebro-inseto não recusava nada: petróleo, gasolina, fibras sintéticas, consumia o que lhe oferecessem. Exceto por explosivos nucleares e descargas elétricas, ele parecia capaz de digerir tudo, o que deixou os humanos eufóricos, vislumbrando a possibilidade de domá-lo. Afinal, se a humanidade conquistou bois, ovelhas, porcos, cães e cavalos, por que não conseguiria domesticar um cérebro-inseto? Além disso, sua inteligência sugeria que o custo de treinamento seria até menor do que o de outras criaturas.

No entanto, o cérebro-inseto parecia ainda manter conexão com seus semelhantes subterrâneos. Dias atrás, começou a excretar um tapete fúngico que, ao se espalhar pelo solo, rapidamente fugiu do controle. Este tapete era capaz de absorver radiação e ondas eletromagnéticas do ar para se desenvolver; a fotossíntese era garantida pela iluminação constante fornecida ao rei-inseto, fazendo com que o tapete crescesse desenfreadamente. Em dois ou três dias, cobriu completamente todos os vidros à prova de balas, impedindo os cientistas, que estavam em uma sala adjacente, de enxergar o interior.

Apesar de ainda haver uma camada metálica separando-os do vidro, se não pudessem observar, qualquer pesquisa se tornava inviável.

“Devemos entrar e limpar aquilo?”, indagou um cientista.

Pelos relatórios dos paraquedistas infernais, sabiam que o tapete era inofensivo e não liberava gases perigosos; alguns até suspeitavam que ele melhorava a ventilação. Ademais, sua capacidade de absorver ondas eletromagnéticas era impressionante, praticamente isolando sinais por completo — o que complicava ainda mais a situação.

“Deveríamos remover ao menos uma parte, para podermos visualizar o interior. Também podemos levar amostras para análise”, murmuraram os cientistas.

Uma equipe de soldados entrou, abriu o compartimento de vidro e começou a limpar. Mesmo protegidos por trajes especiais, os respingos e pedaços do tapete fúngico voaram para fora do vidro. Dias depois, nem a segunda sala do laboratório pôde ser vista pelos cientistas.

Ainda assim, levaram as características do tapete aos comandantes da frota.

“É um tipo de planta, semelhante a suculentas, adora luz solar, absorve radiação, muito primitiva, completamente desprovida de consciência e impossível de controlar”, relataram os cientistas.

A resposta não agradou aos oficiais.

“Quer dizer que, se houver qualquer brecha, isso pode se espalhar por toda a frota?!”, questionaram.

“Sim”, responderam prontamente os cientistas.

“Procedam imediatamente com a destruição. Se não for possível, eliminem também o cérebro-inseto”, ordenou o general, com voz gélida.

Apesar de capturar um cérebro-inseto ser motivo de celebração, se isso colocasse em risco a sobrevivência da nave-mãe, então seu valor seria nulo em comparação. Os cientistas ficaram alarmados, mas, como membros das forças armadas, diante do comandante supremo, não tinham voz ativa. Em tempos de guerra, mesmo raramente usado, o general tinha autoridade para executar qualquer um sob a alegação de insubordinação.

Logo, um grupo invadiu o recinto do cérebro-inseto, vestidos com trajes químicos, e, com extintores de alta pressão, pulverizaram por todo lado. Os tapetes fúngicos foram carbonizados e perderam toda a atividade. Eram, afinal, produtos de produção em massa, incapazes de regeneração. O cérebro-inseto tremia ao assistir, mas, ao fim, os humanos, não querendo desperdiçar todos os seus esforços, pouparam-lhe a vida.

Contudo, rapidamente, o tapete começou a se espalhar pelo convés de pouso da nave-mãe, com tendência de invadir toda a frota. Mais de vinte equipes humanas haviam penetrado nos túneis subterrâneos para combater. Nem todos tinham preocupação com esterilização e desinfecção. Haviam lutado contra os insetos por tanto tempo sem problemas; a missão atual dos paraquedistas infernais era apenas rotina. Ninguém, nem humanos nem o rei-inseto, imaginou que os fragmentos dos tapetes trazidos pelos paraquedistas germinariam dentro das naves de aço.

O rei-inseto jamais poderia prever que o verdadeiro fator decisivo desta guerra não seria ele, nem o besouro de plasma, nem o novo tipo que estava prestes a nascer, mas sim esse insignificante tapete fúngico! Como a hera japonesa na Europa, sem predador natural, ou o coelho europeu na Austrália, sem controle, essas "espécies invasoras", às vezes por mero acaso, podem infligir danos irreparáveis aos "nativos".

Agora, chegou o desastre do tapete fúngico.

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Primeira atualização. A segunda dependerá do estado — estou resfriado, principalmente com tontura.