Capítulo 041: Besouro de Armadura Inquebrável
Capítulo 041 - Besouro Blindado
No planeta Terra existe uma criatura chamada besouro blindado, capaz de sobreviver ao peso de um carro passando por cima de seu corpo, sendo necessário até mesmo uma furadeira elétrica para prendê-lo em uma tábua de madeira.
Inspirando-se no besouro blindado e combinando a força mandibular das termitas, a Rainha dos Insetos preparou um verdadeiro banquete para o pelotão de assalto.
No entanto, o grupo não havia parado por estar impressionado com essa nova espécie. O motivo era outro: seus canhões eletromagnéticos de 10 milímetros não conseguiam perfurar o casco do adversário. E se nem os de 10 milímetros eram capazes disso, será mesmo que teriam de recorrer ao canhão eletromagnético de 88 milímetros?
Para eles, essa ideia era inaceitável. Além da quantidade assustadora de besouros blindados que avançavam—mais de centenas—, cada canhão de 88 milímetros só possuía uma única munição. Ou seja, somando as seis unidades móveis de combate, apenas seis tiros disponíveis.
Desperdiçar os canhões de 88 milímetros ali seria um erro fatal. E se aparecesse o Besouro de Plasma, o que fariam?
Essas dúvidas corroíam seus pensamentos, e todos acabaram voltando os olhos para o homem que liderava o grupo.
O rosto marcado por uma cicatriz.
Todos os olhares recaíram sobre ele, aumentando ainda mais sua pressão, mas ele não perdeu a compostura.
— Ainda bem que tive a precaução antes de entrar — murmurou entre dentes. Todos os demais possuíam canhões eletromagnéticos de 10 milímetros com quatro canos, enquanto ele havia instalado três tubos de 10 milímetros e um de 20 milímetros.
Os canhões eletromagnéticos diferem significativamente das armas tradicionais de pólvora. Estas exigem vedação hermética para que a combustão da pólvora gere o máximo de propulsão, já as armas eletromagnéticas não requerem que o calibre e o projétil sejam perfeitamente compatíveis. Assim, mesmo munição de 10 milímetros pode ser acelerada por um cano de 20 milímetros.
Embora a letalidade do projétil seja inferior à de um autêntico de 20 milímetros, seu poder de penetração é ainda maior.
É a brutalidade da tecnologia eletromagnética.
Ainda assim, o comandante sentia o suor frio escorrendo pelo rosto. Não podia afirmar com certeza que o projétil de 10 milímetros acelerado por um canhão de 20 milímetros seria suficiente para atravessar aqueles besouros blindados.
Toda a artilharia disparada até então contra os besouros havia ricocheteado. Algo que não viam havia muitos anos.
Desde a invenção das armas eletromagnéticas pela humanidade, nunca existira armadura que elas não conseguissem perfurar.
Quando surgiram, mesmo com uma bateria portátil capaz de apenas um disparo, um simples soldado de infantaria podia atravessar a armadura de um tanque principal de batalha.
Não importava o quão reforçada ou sofisticada fosse a blindagem, os canhões eletromagnéticos sempre conseguiam atravessá-la com força bruta.
Era como atirar contra um tanque principal com um canhão de 100 milímetros: a defesa se tornava inútil, todos estavam vulneráveis.
Especialmente porque a energia do canhão eletromagnético é extremamente concentrada, insuperável em poder de penetração. Blindagens reativas ou outras inovações não tinham qualquer utilidade.
Mas agora, ricochetes? Ricochetes? Ricochetes?!
Aqueles besouros nem tinham o porte colossal dos Besouros de Plasma, verdadeiros muros de concreto vivos. Como poderiam resistir assim?
Era simplesmente ilógico!
Engolindo em seco, o comandante ajustou o modo para 20 milímetros e mirou nos besouros blindados. Pelo menos, se havia um consolo, era que, talvez devido à incrível defesa, a Rainha dos Insetos não lhes concedera grande velocidade. Eles se arrastavam tão lentamente quanto vacas ou ovelhas, mostrando que aquela defesa tinha seu preço.
Na realidade, o comandante estava enganado. Se a Rainha quisesse, poderia dotá-los de energia suficiente para que corressem como os besouros-tigre. Porém, sendo insetos produzidos em série, não havia necessidade de investir mais nutrientes. O custo de produção deles já era seis vezes superior ao das pequenas larvas (duas por unidade de alimento), igual ao dos insetos suicidas.
Por outro lado, seu valor defensivo justificava o investimento, pois sua presença forçaria a humanidade a renovar todo o seu arsenal.
Não adiantaria aniquilar quantidades imensas de larvas e insetos saltadores. Quando estes besouros se aproximassem, os fuzis eletromagnéticos de 10 milímetros seriam inúteis.
Isso obrigaria a humanidade a aprimorar e modernizar seus equipamentos, colocando ainda mais pressão sobre a logística humana.
Nesse sentido, tratava-se de um investimento extremamente vantajoso.
Como naquele momento.
Se o grupo não tivesse um canhão de 20 milímetros, restaria apenas a fuga desesperada. Agora, porém...
— Perfurou! — O sistema de controle de fogo mirou em um dos besouros blindados e atravessou-lhe o crânio num instante.
Ainda que o besouro continuasse a se mover, balançando a cabeça, suas funções corporais estavam destruídas; era apenas o reflexo do corpo.
Só que os humanos não sabiam disso.
O comandante continuou disparando furiosamente contra o besouro até que parasse de se mexer.
Nesse momento, os outros besouros já haviam avançado.
Mas a lentidão deles acalmou um pouco os humanos:
— Testem as armas de combate corpo a corpo.
Além dos dois grandes canhões, os robôs sentinelas possuíam um braço mecânico entre as pernas, equipado com uma motosserra para enfrentar os insetos em último caso.
A motosserra não era brinquedo: cortava pedras como se fossem tofu.
A lentidão dos besouros blindados permitia aos soldados experimentar sem receio. Se fossem larvas rápidas, já estariam em fuga.
Apesar do avanço lento, a velocidade de ataque dos besouros era impressionante. Quando duas unidades de combate tentaram usar as motosserras, os besouros rapidamente morderam as lâminas com suas mandíbulas.
No choque entre motosserra e as pinças, uma chuva de faíscas irrompeu, e em menos de dois segundos a motosserra foi partida ao meio, calando-se instantaneamente.
Todos ficaram atônitos. As duas unidades recuaram, incrédulas com o que viam.
No plano deles, talvez a motosserra fosse barrada, talvez fosse necessário algum tempo, mas ela deveria funcionar como um abridor de garrafas, arrancando o casco dos besouros.
Agora, tudo se desfez, restando apenas a dura realidade.
— Recuar! — ordenou o comandante, a voz grave.
— Precisamos relatar imediatamente sobre essas criaturas. — Os três soldados que protegiam a retaguarda assumiram a vanguarda, e os outros dois, com as motosserras danificadas, recuaram cuidadosamente. Os soldados comuns já tinham batido em retirada há algum tempo.
— Se a situação ficar crítica, autorizo o uso do canhão de 88 milímetros — avisou o comandante pelo canal de comunicação.
— Sim, senhor! — responderam todos em uníssono.
Estava claro: aquela expedição fracassara.
Mas, ao menos, não voltaram de mãos vazias!
———
Desde ontem à tarde eu já sentia que algo estava errado. No final das contas, peguei um resfriado. Fiquei mal, meu raciocínio prejudicado. Hoje dormi até uma e meia da tarde, acordei de fome. Assustador.