Capítulo 032: Admitindo a Derrota
Capítulo 32 – Admitindo a Derrota
Os demais observavam a cena atônitos, sem proferir uma única palavra. Era evidente que o avanço da linha de defesa humana por meio do gigantesco Besouro de Plasma, uma unidade de classe heroica dos insetos, parecia algo saído de um filme de fantasia, tão surreal e inacreditável que era.
O Besouro de Plasma avançava rapidamente com passos pesados, usando seus enormes chifres para abrir lentamente o antigo ninho e adentrando-o em seguida. Talvez estivesse agora a centenas de metros sob a terra, mas os humanos não tinham meios de enviar tropas em seu encalço. Sem métodos de ataque eficazes, nem mesmo canhões fixos de 20 milímetros ameaçavam o besouro; até que armas mais poderosas fossem desenvolvidas, era quase impossível confrontá-lo.
A introdução desse novo armamento pegou a humanidade totalmente de surpresa. Sua linha de defesa foi esmagada à força, e, mesmo que armas capazes de destruir o Besouro de Plasma fossem produzidas rapidamente, restava a dúvida se poderiam ser transportadas até o campo de batalha ou utilizadas dentro das cavernas. No momento, os humanos estavam completamente impotentes diante dessa criatura.
Agora, o grande ponto de aterrissagem estava irremediavelmente perdido. Cem mil pessoas lutavam em pequenos setores, mas era claro para todos que já não havia esperança de reverter a situação. Os pilotos que sobrevoavam o local já haviam batido em retirada, fugindo mais rápido do que qualquer um — afinal, ao contrário dos soldados em terra, ainda tinham uma rota de escape e lhes faltava coragem para lutar até o fim contra o enxame.
Sem cobertura aérea, os insetos suicidas tornaram-se aterrorizantes. Fortalezas e abrigos outrora motivo de orgulho para a humanidade eram reduzidos a escombros em segundos sob seus ataques em mergulho. Parecia que a colmeia acabara de aprender a solicitar apoio aéreo: o solo era tomado por insetos, e o interior da base humana, invadido por milhões de criaturas, lembrava uma metrópole superlotada, com humanos e insetos se espremendo lado a lado.
Nesse caos, nem as armas de fogo nem as lâminas vibratórias humanas eram eficazes. Pelo contrário, o ataque direto dos insetos tornava-se ainda mais devastador, esmagando soldados resistentes num único golpe.
A bordo da nave-mãe, todos no Estado-Maior tinham os rostos carregados de preocupação. Jamais imaginaram que a base de desembarque, planejada com tanto esmero, seria tomada antes mesmo do disparo de um segundo canhão orbital. Era uma derrota sem precedentes.
Vergonha! Humilhação! Insensatez!
Sentiam-se tomados pela autocensura, chegando a pensar que não valiam mais do que as próprias criaturas.
— O que faremos agora? — indagou o comandante, um general de cabelos grisalhos e curtos, cuja expressão aguçada como a de um falcão não se desviava da tela.
Ninguém soube responder. Quem poderia prever que, em apenas vinte e cinco minutos, a situação desmoronaria tão rapidamente? Mesmo que tivessem reagido a tempo, poderiam, por acaso, inventar do nada uma arma capaz de destruir o Besouro de Plasma e lançá-la sobre o campo de batalha?
— A única opção agora é abandonar a base terrestre.
— Já que os insetos se concentram lá dentro, por que não acabar logo com tudo, reduzindo-os e a base a cinzas? — sugeriu um conselheiro de cabelos verdes.
— Ficou louco?! — exclamou uma conselheira de cabelos dourados e curtos. — Além de não darmos apoio aos soldados em terra, pretende matá-los também?!
— Compaixão não comanda exércitos! — retrucou friamente o conselheiro de cabelos verdes, encarando-a. Sua fisionomia era marcante — as sobrancelhas verdes e os olhos azuis, sob arcadas acentuadas, davam-lhe um aspecto sombrio, reforçando o ditado de que o rosto revela o coração. Era o mais ferrenho dos falcões entre os oficiais, alguém que não atribuía valor algum à vida dos soldados comuns.
— E você, por acaso, frequentou a academia militar para nada? — disparou ele, apontando para a tela diante da conselheira loira. — Nosso objetivo estratégico fracassou por completo. Não importa por quanto tempo resistam: não podemos, nem conseguimos, resgatá-los!
As imagens transmitidas pelos satélites próximos à órbita eram claras: nuvens densas pairavam sobre a base, enquanto insetos suicidas rondavam, à espera de ordens do Besouro-rei para atacar os últimos focos de resistência humana.
No solo, saltadores e bestas menores já cobriam quase toda a base, avançando incessantemente. As linhas de defesa, outrora compactas, estavam agora praticamente dizimadas, sem sinal de resistência. Os humanos haviam se entrincheirado nos edifícios, esperando que a solidez das construções lhes permitisse resistir ao ataque dos insetos.
Ignoravam que seus superiores já haviam decidido abandoná-los. Eles mesmos, porém, não pretendiam desistir; planejavam lutar até o último homem para levar consigo tantos inimigos quanto fosse possível.
Desconheciam também que os insetos haviam adotado uma política de “rendição, e não matança”, embora não existisse comunicação direta para convencê-los disso. Assim, o número de mortos “por engano” superava em muito o de prisioneiros. Diante da certeza de que render-se era morrer, resistiam ferozmente até o fim.
— Basta... — suspirou o comandante da frota, o general de cabelos brancos. — Por ora, não tomaremos nenhuma medida — disse ele, erguendo a mão para calar o conselheiro de cabelos verdes. — Se não dispararmos, talvez muitos sobrevivam; se atacarmos, temo que restem apenas alguns.
A arquitetura das instalações não permitia outra conclusão: apesar de resistentes, poucas possuíam sistema interno de circulação de ar. O canhão de energia era fatal tanto para insetos quanto para humanos abrigados nos prédios. Fora o abrigo sob o comando central, dificilmente alguém sobreviveria a esse ataque.
Surge então a questão: vale a pena sacrificar cem mil vidas para eliminar um milhão de insetos? O ataque anterior já dizimara mais de quinhentos mil inimigos, mas a colmeia parecia não sentir falta alguma, pois o campo de batalha não comportava dois milhões de unidades e, assim que meio milhão caía, outros rapidamente tomavam seu lugar.
Trocar cem mil vidas humanas por um milhão de insetos: valeria a pena? Nem se cogitava responder: não, não valia.
Se dependesse apenas da defesa dos próprios soldados, talvez os insetos não conseguissem exterminá-los completamente; mas, se o canhão da nave-mãe fosse disparado, seria aniquilação total. Para a humanidade, tal ato era absolutamente inaceitável!
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Primeira publicação do dia.