Capítulo 29: Unidade Pesada dos Insetoides
Capítulo 29 – Unidade Pesada dos Insetos
– Eu também posso fazer isso? – perguntou para si mesmo em tom de dúvida.
A Rainha não desperdiçou palavras, apenas afirmou:
– Sim, você também pode.
O Rei dos Insetos demonstrou interesse. Em seu corpo, especialmente nas mãos, havia grandes áreas cobertas de placas bioelétricas; uma habilidade típica de enguias elétricas. Contudo, agora que exibia uma forma de mamífero, não era surpreendente adicionar outras funções ao próprio corpo. Misturando essas placas elétricas a certas substâncias viscosas, surgia um novo material – o princípio por trás do qual os besouros elétricos podiam lançar plasma.
Ele próprio não sabia o nome desse material nem se preocupava em batizá-lo; era simplesmente uma arma útil em batalha.
Instigado pelas palavras da Rainha, não pôde se conter: um lampejo percorreu sua mão, e um jato de plasma disparou do pulso. Felizmente, sua anatomia havia sido adaptada para isso, pois disparar plasma diretamente da pele seria infinitamente mais repulsivo.
A massa de plasma voou por cerca de dez metros antes de cair; não era muito poderosa, mas isso se devia à estrutura fisiológica. Em outras palavras, se lhe entregassem o enorme canhão energético do céu, ele também seria capaz de utilizá-lo totalmente.
Deveria capturar o canhão energético humano, ou construir um próprio?
O Rei dos Insetos ponderava sobre isso, sem deixar de comandar as tropas. Ainda teve tempo de perguntar ao ciborgue meio-inseto atrás de si:
– Quanto tempo falta para o canhão energético disparar novamente?
– Em breve – respondeu o assessor de semblante pessimista, que agora ostentava mais dois olhos de águia sobre as sobrancelhas, fruto de experimentos genéticos entre humanos e animais.
– O frio do espaço facilita o resfriamento do espelho, mas a recarga leva cerca de trinta minutos – explicou, sentindo-se aliviado. Apesar de ter se tornado subordinado do Rei dos Insetos, sendo agora um ser híbrido e assustador, ainda torcia pela humanidade.
A situação favorecia os humanos: se o Rei dos Insetos se intimidasse com a arma orbital e decidisse recuar, a vitória humana estaria garantida. Eles poderiam consolidar posição na superfície, pousar a nave-mãe sem pressa, e erguer muralhas e cidades fortificadas tanto no céu quanto no solo, bloqueando os insetos do perímetro urbano. Os objetivos estratégicos dos insetos seriam frustrados e, quem sabe, os humanos pudessem reverter o ataque durante a retração inimiga.
Mas o Rei dos Insetos permaneceu impassível.
Apenas sorriu levemente.
– Trinta minutos – murmurou. Desde que construiu seu próprio cérebro, nada mais o abalava; além disso, contava com três cérebros auxiliares e cinco Rainhas servindo como “servidores”. O enorme poder de cálculo lhe conferia autoconfiança e tranquilidade.
Nada mais lhe tirava o controle; nunca mais se deixaria dominar pelo pânico como um humano.
– Sendo assim, resolveremos tudo em trinta minutos – declarou calmamente.
Estalou os dedos.
No monte ao lado, um estrondo surdo começou a ecoar.
A visão do local era excelente, mas eles estavam a mais de vinte quilômetros do acampamento humano; mesmo os canhões eletromagnéticos de grande porte não poderiam atingi-los ali.
Do alto da colina, era possível ver com clareza que a brecha aberta pelo disparo do canhão energético voltara a ser tomada por uma torrente de insetos. Era como se as perdas de mais de quinhentas mil criaturas não tivessem feito diferença; parecia que os humanos nunca haviam destruído ser algum.
E, de fato, era assim.
Frente ao exército de dois milhões preparado pelo Rei dos Insetos, a perda de quinhentos mil indivíduos era irrelevante.
Mas, além das multidões, o Rei preparara uma arma especial para os humanos.
Essa superarma não era a Senhora das Aranhas, mas sim algo que o Rei concebeu após ver as naves de combate humano destruírem milhares de insetos suicidas sozinhas.
Os caninos e os insetos suicidas eram baratos e eficientes, mas na guerra, nem sempre o custo-benefício é o fator decisivo.
Tome-se, por exemplo, os tanques: cem soldados podem destruir um tanque, mas em espaços apertados, há espaço para tantos soldados operarem? As batalhas no antigo Afeganistão pareciam facilmente destruir tanques, mas, na verdade, eram operações arriscadas e calculadas, onde a sorte e o sacrifício se misturavam.
Os vídeos de tanques sendo destruídos eram divulgados; os outros, mostrando os soldados aniquilados pelo fogo dos tanques, jamais eram exibidos.
Em espaços confinados, os caninos, diante de munição humana incessante, dificilmente romperiam as linhas inimigas, tal como se viu em pequenos pontos de pouso. Se não houvesse números suficientes, as baixas seriam enormes e inúteis.
Nessas situações, era preciso uma unidade pesada para liderar o ataque, absorver o impacto das armas inimigas e abrir caminho para as demais tropas.
A gigantesca criatura que fazia o solo tremer e erguia uma colina nas costas era a unidade pesada experimental do Rei dos Insetos.
A grossa carapaça a protegia contra os canhões automáticos e naves de combate humano. Enquanto toda a atenção estivesse nela, as demais unidades teriam tempo e liberdade de ação.
Mas antes de avançar, o Rei planejava retribuir o ataque humano com igual intensidade.
Erguendo o monte nas costas, a criatura sacudiu o corpo e o transformou em pó. Suas asas se abriram e, sob os olhares aterrorizados dos meio-insetos, sua glândula traseira elevou-se como um imenso cano de artilharia, apontado para o céu.
Os insetos possuíam um sistema natural de cálculo de trajetória, talvez graças às antenas – cada besouro elétrico era um arremessador preciso.
Esse gigante, alimentado com cem mil unidades de energia, com 120 metros de altura e 200 de comprimento, não era exceção.
Na extremidade de seu corpo, uma luz azulada pulsava e se concentrava na glândula traseira.
Então, como um projétil viscoso e colossal, uma massa de plasma azulado misturado ao branco foi ejetada com violência, subindo alto e indo em direção às linhas de defesa humanas...
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Primeira parte.