Capítulo 8: Nada de Mais?
Capítulo 008 – Nada de mais?
O homem de rosto marcado por cicatrizes tirou a couraça superior da armadura motorizada, revelando um tronco musculoso coberto apenas por uma roupa justa. Com um charuto entre os lábios, não usava as mãos para segurá-lo; bastava abrir e fechar a boca para que a brasa acendesse e apagasse, num ar de pura autoconfiança.
Ele tinha motivos de sobra para se gabar: era um dos poucos que saíram vivos e inteiros de uma caçada à Rainha-Mãe, sem perder braços ou pernas. Só isso já bastava para inflar seu orgulho. Hoje, era uma peça central entre os Paraquedistas do Inferno, cuja pressão em combate diminuíra muito graças ao apoio das tropas convencionais.
— Mais insetos vindo! — alguém gritou no canal público de comunicação.
Era o aviso de um observador da torre de vigia não tripulada. Imediatamente, a base mergulhou em frenesi; soldados revisavam suas armas, conferindo se ainda funcionavam direito e se as munições de esferas de aço estavam em quantidade suficiente. A próxima batalha era questão de vida ou morte, e ninguém ousava relaxar.
Ali, a diferença entre veteranos e recrutas ficava evidente. Os antigos já tinham empunhado seus fuzis e tomado posição; suas armas eletromagnéticas estavam em perfeito estado, prontas para uso imediato, sem necessidade de ajustes de última hora.
O homem da cicatriz postou-se em um dos nichos da estação de equipagem, que imediatamente encaixou a armadura motorizada sobre seu torso, unindo-a perfeitamente à parte inferior. Um capacete transparente ampliou seu campo de visão.
Na primeira descida, usaram fuzis eletromagnéticos de pequeno calibre, ideais contra enxames de mosquitos. Mas, uma vez em terra firme e com a retaguarda assegurada, trocaram naturalmente para os pesados "Martelo de Ferro", mais eficazes contra as baratas.
Durante todo esse processo, o charuto do homem permaneceu aceso, alternando luzes e sombras dentro do capacete. Ele exalou uma nuvem de fumaça, prontamente sugada pelo sistema de circulação de ar, e caminhou decidido rumo ao ponto mais alto da fortificação.
Entrincheirar-se contra os insetos seria insensato; mas, com a tecnologia de que dispunham, erguer barreiras elevadas era uma tarefa simples. Essas muralhas de aço a céu aberto abrigavam quatro canhões automáticos com orientação eletromagnética, preparados para a defesa aérea. Em cada direção, dois canhões isolados protegiam o perímetro, e, atrás deles, como sentinelas, os infantes construíam a segunda linha defensiva.
Só esse arranjo já tornava a posição quase inexpugnável. Havia nada menos que cinquenta desses pontos de aterrissagem erguidos em locais de fácil defesa e difícil acesso para o inimigo! Com o tempo, esses pontos seriam conectados, eliminando os insetos da região, até que, por fim, viesse a ofensiva final contra a Rainha-Mãe.
Embora ainda não visse os insetos, o homem da cicatriz já franzia o cenho, tomado por uma sensação incômoda.
Algo estava errado. Muito errado. Mas não sabia dizer exatamente o quê...
O som... o ritmo... a velocidade...
Conforme os insetos se aproximavam, ele bradou de repente, em alta frequência pelo canal geral:
— Atenção! Desta vez, os insetos estão diferentes!
Em estado de guerra, todos deviam manter silêncio absoluto nas comunicações (mesmo que o nome já não fosse mais "rádio"), mas poucos tinham o privilégio de quebrar essa regra. O homem da cicatriz era um desses poucos.
Chamarem-no de "rosto marcado" era pouco; "herói" seria mais justo. Sobreviveu à busca pela Rainha-Mãe, enfrentando as novas baratas recém-nascidas. Dos Paraquedistas do Inferno que davam cobertura na retaguarda, quase nenhum sobreviveu, e os restantes em sua maioria se aposentaram ou ficaram inválidos. Só ele persistiu, saindo cada vez mais forte das adversidades. Era um dos raros veteranos com experiência real contra os insetos, e suas advertências tinham peso ainda maior que as do próprio comandante do ponto de descida.
Ao ouvir seu alerta, todos ficaram tensos. Sabiam que ele não falava por nada; certamente notara algo importante.
Só quando o enxame se aproximou a cinco quilômetros e apareceu nos monitores, os humanos prenderam o fôlego.
Eram criaturas muito diferentes das baratas: ágeis, velozes, cruzando a planície em disparada e reduzindo rapidamente a distância. Além disso, eram menores, tornando o trabalho do sistema de mira automática ainda mais complicado!
Para os soldados comuns, acertar qualquer tiro já seria sorte, quanto mais atingir pontos vitais.
— Novos insetos! Nunca vimos nada assim! — gritou o comandante.
Nessa hora, os canhões automáticos começaram a girar, fazendo uma rotação completa para verificar os sistemas. O controle de tiro entrou em ação, travando nos alvos a cinco quilômetros.
Sem necessidade de armamento tradicional, as bocas retangulares negras dos canhões cuspiram relâmpagos eletrificados.
Os besouros-tigre pareciam ser esmagados por marretas invisíveis, despedaçando-se em carne e sangue num instante.
Com sorte, um projétil atravessava um besouro e ainda acertava outro atrás. Com mais sorte, até um terceiro podia ser abatido. Ainda assim, a energia cinética dos canhões não se esgotava logo: ou os projéteis sumiam no céu, ou explodiam no solo, levantando lama, sem causar mais vítimas.
Havia também projéteis de fragmentação terminal, capazes de explodir antes de atingir o alvo, criando uma zona mortal de dez metros. Mas essas munições eram caras demais e, contra os insetos, não compensavam o custo.
Assim, no máximo, cada disparo matava um besouro-tigre.
Mesmo que, teoricamente, pudessem disparar até 8.000 tiros por minuto, na prática os canhões não podiam liberar todo esse poder, pois interceptar mísseis e balas desviadas era muito diferente de mirar nos insetos em movimento.
Felizmente, no auge da era interestelar, os sistemas de mira dos humanos eram assustadoramente avançados. Ainda assim, só conseguiam manter uma cadência de cerca de 100 tiros por segundo. Mas, com os besouros-tigre avançando a 150 metros por segundo, cruzar cinco quilômetros levaria apenas 33 segundos!
As duas torres de canhões daquele setor só garantiam eliminar 3.300 besouros-tigre; o resto teria de ser enfrentado pelos soldados.
Ainda bem que o ataque veio de um só lado. Se milhares de besouros-tigre atacassem de todos os flancos, nem mesmo as tropas convencionais seriam necessárias para aniquilá-los facilmente.
Mas, como era apenas um teste, o ataque maciço de um único lado já era aterrorizante.
Os soldados sobre a muralha engoliram em seco, nervosos, e começaram a atirar...
E então perceberam...
Que não era nada de mais, afinal?!
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