Capítulo 10: Unidade Heroica

O Último Enxame Meia tigela de carne de porco ao molho vermelho 2417 palavras 2026-02-08 04:31:01

Capítulo 10 – Unidade Heroica

O homem de rosto marcado arrancou seu capacete protetor com um só movimento. Experiente, sabia que diante de um ataque capaz de despedaçar seu escudo, manter o capacete seria apenas proporcionar ao inimigo uma oportunidade para estilhaçá-lo. Com o “Martelo de Ferro” em mãos, permanecia no alto da torre atrás da muralha de aço, disparando contra os insetos abaixo. Em outras ocasiões, essas criaturas já teriam invadido o recinto, causando danos consideráveis aos humanos no interior; mas, por ora, a plataforma elevada em que estavam ainda lhes garantia segurança. Para que os insetos subissem, precisariam primeiro destruir os quatro canhões automáticos, que alternavam entre alvos aéreos e terrestres.

Na verdade, isso não era tarefa fácil para eles, pois inúmeros humanos no solo seguiam dizimando-os a tiros. Da posição elevada, era possível despejar fogo sem restrições, e os insetos, por enquanto, não lhes davam atenção.

Contudo, dessa vez, guiados pelo Verme-Rei, os insetos não deixariam passar alvos tão óbvios. Logo, enxames de besouros-tigre avançaram, golpeando as barras de aço com socos poderosos; em poucos instantes, os pilares e vigas foram despedaçados, tornando precária a posição dos humanos amontoados sobre eles.

— Maldição! Como esses insetos ficaram tão astutos? — O homem de rosto marcado foi o primeiro a notar a mudança, mas pensou ainda mais rápido. — Todos, saltem agora!

A plataforma tinha dois metros de altura, mas isso não representava real perigo nem para pessoas comuns, tampouco para as armaduras motorizadas.

O grande problema era a massa de insetos que se espremia logo abaixo. Os baratas-foice já eram suficientemente aterrorizantes; agora, com os besouros-tigre, cuja velocidade e força de ataque superavam qualquer outra, até os antigos pontos fracos dessas criaturas tornavam-se irrelevantes.

No momento em que os humanos desceram, sequer conseguiam sobreviver a um único embate com os besouros-tigre, ao contrário do que ocorria com as baratas-foice. A velocidade de ataque dos besouros era tamanha que mal podia ser seguida a olho nu; os soldados armados com espadas vibratórias mal tinham tempo de atacar antes de terem a cabeça ou o peito esmagados, morrendo instantaneamente. Os paraquedistas de elite, protegidos pelas armaduras, resistiam um pouco mais, mas após dois ou três golpes já estavam à beira da destruição.

A essa altura, os humanos começaram a perceber o quão apavorantes eram esses insetos, outrora considerados fáceis de matar — verdadeiras máquinas de morte, criadas para aniquilar pessoas!

Talvez não tivessem garras afiadas ou aparências assustadoras, mas somente em força e velocidade já eram capazes de esmagar a maioria dos humanos.

Sim, a maioria...

O homem de rosto marcado, ainda no ar, já havia lançado fora seu “Martelo de Ferro” e sacado a pistola eletromagnética e a espada vibratória presas à cintura. Com um chute, esmagou a cabeça de um besouro-tigre distraído e, num só golpe, cortou outro inseto.

O besouro reagiu rapidamente, respondendo com um soco que, como uma mola tensionada, atingiu a lâmina da espada vibratória. Mesmo sendo feita de material especial, capaz de resistir ao uso em alta frequência, o impacto foi tão brutal que quase fez o homem perder a arma das mãos.

Agora entendia por que tantos morriam em um só confronto; sem o auxílio do exoesqueleto, um humano comum jamais poderia competir com tais criaturas.

Com a mão esquerda, disparou um tiro certeiro, perfurando a cabeça do inseto, que caiu convulsionando, morto.

Ao redor, paraquedistas de elite também saltavam, limpando uma pequena área segura, mas as ondas intermináveis de besouros-tigre, somadas aos que já haviam invadido, excediam cinco mil!

Enquanto o campo base se via prestes a ser engolido por esse mar de insetos, um estrondo elétrico ecoou nos céus.

Quase como uma chuva de meteoros, múltiplas explosões detonaram ao redor da zona de pouso. Os humanos imediatamente reconheceram o que era aquilo: a moral disparou, muitos gritaram de júbilo.

Os besouros-tigre, ignorando as explosões atrás deles e sem saber quantos companheiros morriam, mantinham o único objetivo: avançar, matar todos os humanos no acampamento.

Porém, os estrondos vindos do céu frustrariam seus intentos.

Uma aeronave colossal surgiu, pairando no ar com uma cauda incandescente. O compartimento inferior se abriu, revelando uma torre de canhões gêmeos, armada com potentes projéteis eletromagnéticos de detonação terminal — um verdadeiro flagelo terrestre, conhecido pelos humanos pelo apelido carinhoso de “Inseticida”.

No líquido amniótico, o Verme-Rei se surpreendeu com o tamanho da aeronave, mas logo entendeu: era feita para subir ao espaço, e as naves rápidas e ágeis de outrora nada podiam contra um enxame de mosquitos. Para dominar os céus, os humanos precisavam de fortalezas voadoras, resistentes e poderosas, capazes de resistir aos ataques dos enxames e prover fogo de apoio para todas as tropas em terra e ar.

Para ser franco, nem mesmo se os humanos construíssem um robô gigante o surpreenderia.

Esse conceito de “fortaleza aérea” nasceu da necessidade dos humanos em combate. Se enfrentassem outros humanos, suas armas certamente evoluiriam em outras direções.

Os insetos, nesse aspecto, ainda estavam atrasados — mas o Verme-Rei já tinha um plano assim que viu a aeronave.

Enquanto isso, a fortaleza aérea, o “Inseticida”, começava a mostrar seu poder. Primeiro, limpou os besouros-tigre remanescentes do lado de fora do acampamento com seus projéteis de grande calibre; depois, as torres menores foram eliminando sistematicamente os que restavam dentro do perímetro.

A partir desse momento, a batalha terminou rapidamente: em apenas dois minutos, todos os besouros-tigre haviam sido exterminados, e os sobreviventes erguiam armas aos céus, celebrando.

A aeronave pairou lentamente sobre o acampamento; então, alguém saltou do alto antes mesmo que a plataforma descida tocasse o solo.

Alta e imponente, a mulher não vestia nenhuma armadura pesada, mas sim um exoesqueleto leve, ágil e prático. Ao aterrissar, jatos de propulsão auxiliaram-na suavemente, estabilizando sua postura.

O homem de rosto marcado aproximou-se com uma gargalhada, abraçando-a. Sabia que, com a chegada dela, o clarim do ataque humano soava oficialmente.

— Bem-vinda, Caçadora!

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PS: Perdão, perdão! Dormi só às duas da manhã ontem e acabei acordando só às 16h. Vou comer algo e volto a escrever para vocês. Sinto muito mesmo.