Capítulo 045: A Primeira Vitória dos Insetoides

O Último Enxame Meia tigela de carne de porco ao molho vermelho 2336 palavras 2026-02-08 04:34:36

Capítulo 045: A Primeira Vitória dos Insetos

"Retirada, a nave-mãe deve recuar temporariamente." Vatoniev deu a ordem com certa aflição, claramente ciente de que aquele era o momento decisivo para a sobrevivência da nave-mãe. Se o tapete de fungos invadisse seu interior, o funcionamento de toda a nave estaria ameaçado.

Nesse instante, a questão não era mais sobre retirar ou não, mas sim sobre a possibilidade da nave-mãe retornar. Todos no comando se perguntavam se as portas seladas do convés seriam capazes de conter a propagação do tapete de fungos.

Precisavam resolver esse problema na retaguarda. Caso contrário, se o tapete tomasse o convés principal e se espalhasse por outros setores, a situação seria catastrófica.

E mesmo que conseguissem voltar ao planeta natal, seria impossível pousar a nave-mãe, construída com os recursos de todo o planeta — se o tapete de fungos se proliferasse por acidente ali, ninguém poderia arcar com tamanha culpa.

Só lhes restava usar o espaço como barreira, transportando combustível para queimar e neutralizar o fungo. Infelizmente, o tenente-general Vatoniev, apesar de seu prestígio e competência, que poderia lhe garantir uma ascensão imediata ao posto de marechal, agora, após um erro diante dos insetos, provavelmente seria convocado para uma reunião de reprimenda, e o sonho de se tornar marechal parecia mais distante do que nunca.

Essa foi uma derrota absoluta.

Os soldados de baixa patente sentiam-se desolados e unidos contra o inimigo. Mas, na verdade, os oficiais superiores compartilhavam um consenso: a situação era melhor do que nunca.

Foi nesse contexto que o recém-nomeado general Erickson fez um discurso motivador para todo o exército.

No aeroporto, na oficina de manutenção, no refeitório, na sala de controle de danos, milhares de oficiais e soldados humanos assistiam em silêncio ao general magro de nariz aquilino falando na tela.

O general, já com mais de cinquenta anos, era até mais velho que o próprio Vatoniev, que já havia se retirado. O cabelo rareava, a linha capilar avançava além das orelhas, e sua farda impecável, junto do nariz aquilino e olhos penetrantes, lhe conferia um ar de ave de rapina. Suas sobrancelhas grossas poderiam facilmente interpretar o Rei Águia de uma novela de artes marciais.

"Alguém disse que fomos derrotados pelos insetos?"

"Alguém disse que nossa base foi arrasada pelos insetos?"

"Alguém disse que nossa nave-mãe foi obrigada a recuar pelos insetos?"

"Isso é absurdo!"

O general, do alto de sua patente, raramente recorria a palavrões, o que despertou o ânimo dos oficiais de baixa patente, trazendo de volta sua atenção.

"Essas criaturas, essas gafanhotos cósmicos — não, lobos do espaço — são inimigos como nunca vimos antes, os mais grandiosos."

Sua afirmação fez todos assentirem. Reconhecer a força do inimigo era reconhecer o valor da própria vitória. Se o adversário fosse insignificante, que mérito haveria? Subjugar nativos não era uma glória.

"Elas devastam o cosmos, mas fomos nós! Nós as expulsamos para o subterrâneo! Fomos nós! Libertamos inúmeros planetas das garras delas! Fomos nós! Eliminamos as gafanhotos do universo, permitindo que outros humanos vivam seguros em seus mundos, crescendo felizes!"

Sua voz ressoava com fervor.

A cada "fomos nós", toda a frota respondia com um grito de "yeah!" e, ao final, a moral estava no auge: todos aplaudiam, celebravam e assobiavam.

Esses aplausos eram para o general Erickson, para seus companheiros, para os camaradas sacrificados, para si mesmos.

Só eles sabiam o quanto haviam lutado, isolados no espaço, tudo por suas famílias, por seu país, para garantir tranquilidade e paz.

"Agora, os insetos cósmicos são apenas insetos subterrâneos! Nós os fizemos baixar a cabeça! Continuamos a atacar!" Suas palavras elevaram ainda mais o espírito da frota.

Sim, estávamos atacando! Por que se entregar ao desânimo?

Fracassos na ofensiva são normais, especialmente na guerra, onde cercar dez vezes é uma estratégia usual.

Além disso, os insetos tinham muito mais tropas terrestres que os humanos. Os humanos dependiam da superioridade técnica, da força de suas naves e armas. Ser repelidos não era nada vergonhoso.

Enquanto os insetos não conquistassem o espaço, os humanos mantinham o domínio espacial — um fator tão importante quanto o controle aéreo numa guerra. Isso garantia uma retaguarda segura.

Podíamos perder mil vezes, mas com o domínio espacial, podíamos suportar mil derrotas.

Já os insetos, mesmo com mil vitórias, bastava uma derrota para que, como da última vez, seu cérebro fosse capturado como troféu humano.

Como dizia o provérbio amargo: "Atrás de nós só restam os insetos-rei, não há mais para onde recuar; agora, é a hora de sacrificar-se pela pátria!"

Essa ideia ressoava na mente de todos os oficiais, renovando o vigor de seus espíritos.

"Mesmo que a nave-mãe volte ao porto, isso não importa." Erickson ergueu a cabeça, mostrando o nariz e olhos afiados sob o boné.

"A vitória será do Império!" Levantou o braço, proclamando em voz alta.

"Viva o Império!"

Todos os humanos se levantaram, ergueram os braços e gritaram juntos: "Viva o Império!"

A atmosfera de desânimo causada pela retirada da nave-mãe dissipou-se em toda a frota humana, restando apenas oficiais entusiasmados e otimistas.

Ainda assim, a capacidade ofensiva humana sofreu um duro golpe. Com a base anterior destruída pelos insetos, faltava material de construção e meios para uma nova ofensiva de grande escala.

Após o reconhecimento dos paraquedistas infernais, era esperado que os humanos enviassem mais de cem mil soldados para atacar os túneis, eliminar os insetos e estabelecer uma logística segura, evitando confrontos em campo aberto e levando a guerra para as galerias subterrâneas, onde os insetos não podiam expandir-se.

Era uma estratégia assustadora, mas correta.

Agora, porém, o tapete de fungos interrompeu esse objetivo estratégico, cortando a ofensiva humana ao meio e oferecendo aos insetos uma oportunidade preciosa.

Quando o inseto-rei recebeu a notícia, não sabia se ria ou chorava.

Jamais imaginara que aquilo que os insetos mais precisavam — tempo — seria conquistado por um tapete de fungos aparentemente insignificante.

Um sorriso frio surgiu em seu rosto.

Os humanos acreditavam que detinham a iniciativa estratégica, mas se não pressionassem os insetos imediatamente, da próxima vez que encontrassem a nave-mãe, os insetos não seriam tão simples.

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