Capítulo 100: O Senhor da Cidade Subterrânea
Capítulo 100 – O Senhor da Masmorra
Enquanto os habitantes do continente de Faerun baixavam a cabeça e murmuravam em silêncio o nome da divindade em que acreditavam, aquele que havia derrotado seus deuses não voltou a dirigir o olhar para Faerun, nem por um instante.
Sem perder tempo, iniciou imediatamente a perseguição às naves de guerra humanas.
Suas naves-inseto eram um pouco mais rápidas do que as naves humanas.
No entanto, ele já havia passado uma noite inteira lidando com os deuses de Faerun. Talvez tenha sido uma vitória sem precedentes, mas, infelizmente, além de deixar Faerun para ele, os deuses não lhe trouxeram nenhum benefício imediato.
Ou seja, dessa vez, a guerra foi um prejuízo puro para o Senhor dos Insetos.
Isso contrariava suas expectativas para um conflito.
É claro que, talvez, em Faerun haja tesouros esperando para serem desenterrados, mas, por ora, o interesse mais imediato eram as mais de dez naves de guerra principais humanas e mais de vinte naves secundárias.
Depois de convertidas em naves-inseto, ele poderia facilmente tomar posse dessas naves.
Aliás, após a modificação biológica dos insetos, as naves-inseto tornavam-se ainda mais poderosas do que eram originalmente.
O Senhor dos Insetos havia sido impulsivo ao partir ao meio a nave capitânia humana, tornando quase impossível seu reaproveitamento.
Mas, das outras três naves capitânias danificadas, somente as salas de comando foram destruidas, poupando-se os reatores de energia.
Para os humanos, danos assim seriam irremediáveis, mas para as naves-inseto, bastava unir as partes separadas e o tapete fúngico das criaturas agia como adesivo, restaurando o casco da nave.
Os humanos não compreendiam tais métodos, mas, em hipótese alguma, abandonariam seus reatores de fusão controlada.
Afinal, são reatores de fusão de centenas de metros quadrados de pura potência – qualquer um que os obtivesse e soubesse manipular energia nuclear poderia tentar decifrar os segredos da fusão humana controlada.
Porém, isso só seria possível se os humanos tivessem vantagem estratégica, podendo recuperar os reatores por meios próprios.
Se não houvesse tal vantagem – como era o caso agora – restava-lhes apenas fugir desesperadamente, sem pensar em recuperar os reatores. Na verdade, estariam com sorte se conseguissem voltar vivos, dependendo apenas se o Senhor dos Insetos desistisse da perseguição.
Na era interestelar, o senso comum de que objetos menores voam mais rápido não se aplica.
Na verdade, quanto menor o objeto, mais vulnerável ele é aos detritos espaciais, por isso a maioria dos veículos pequenos não consegue empreender longas viagens. Competir em velocidade com naves maiores é impossível – nem sequer sobreviver conseguem, quanto mais participar de corridas.
Enquanto grandes naves podem atravessar detritos espaciais menores sem problemas, as pequenas precisam desviar.
Nessa diferença, não há dúvida sobre quem é mais veloz.
Além disso, as grandes naves possuem reatores de fusão e propulsores mais potentes.
No espaço, quanto maior a nave de guerra, mais rápida ela é – um fato incontestável.
Os humanos poderiam construir naves ainda maiores, mas, devido à escassez de zonas livres de poeira, a maioria dessas regiões não comporta naves acima de trinta quilômetros capazes de saltos espaciais. Assim, o padrão das naves resultou de múltiplos fatores combinados.
As naves-inseto do Senhor dos Insetos, embora fossem apenas quatro naves secundárias de vinte quilômetros, eram mais rápidas que as naves humanas de trinta quilômetros, graças ao incremento de potência.
Com tamanha velocidade, duas das naves-inseto tentaram cercar os humanos pelos flancos, avançando em direção ao ponto de salto, enquanto as outras duas perseguiam diretamente as naves humanas.
Já haviam se passado vinte e quatro horas desde o início da fuga (vale lembrar que um dia em Faerun dura mais de quarenta e oito horas, então uma noite equivale a vinte e quatro horas). Agora, nem sinal das naves humanas podia ser visto, mas bastava seguir as zonas livres de poeira para encontrá-las.
O Senhor dos Insetos sabia bem que uma nave humana equivalia a uma pequena cidade, abrigando de quarenta a cem mil pessoas; as naves secundárias levavam cerca de quarenta ou cinquenta mil soldados e pessoal de apoio, enquanto as naves principais de trinta quilômetros abrigavam ao menos cem mil. Para suprir tantos guerreiros, boa parte do interior das naves era destinada a armazéns de comida e água.
A tecnologia das naves humanas já avançara a ponto de que, mesmo consumindo apenas gel de nutrientes insípido, dificilmente morreriam de fome – claro, somente em casos de extremo bloqueio de suprimentos. Agora, bastava que um comandante sensato soubesse se esconder no espaço, e nem o Senhor dos Insetos conseguiria encontrá-lo.
Na verdade, muitos recorriam a essa tática, cientes de que o Senhor dos Insetos não poderia vigiar para sempre as zonas livres de poeira. Assim, evitavam apenas as terríveis criaturas do Olho Mágico.
Porém, nem todos tinham tal capacidade de raciocínio. Não lhes ocorria que o Senhor dos Insetos viera justamente das zonas livres de poeira – mas os comandantes dispersos e suas naves já haviam deduzido isso pela direção de onde vinham as naves-inseto.
Por isso, a maioria das naves, inclusive as de apoio e suprimento, avançavam desesperadamente para as zonas livres de poeira.
Usavam sua velocidade máxima, alinhando-se em várias fileiras: à frente, as naves principais; no meio, as secundárias; por fim, as de suprimento.
As naves principais abriam caminho, destruindo todo o lixo espacial à frente; assim, as naves menores podiam escapar com mais facilidade.
Enquanto a frota humana fugia, o Senhor dos Insetos mantinha a perseguição implacável. No fim das contas, quem menos sofria era o próprio continente de Faerun, mesmo tendo perdido tudo – um capricho do destino.
Sentado em seu trono, o Senhor dos Insetos acompanhava atentamente o progresso das quatro naves-inseto. Seu campo de visão era incomparavelmente mais amplo que o de qualquer humano, nem mesmo a nave principal humana se igualaria a um décimo de sua percepção.
— Senhor — aproximou-se Silval, um meio-inseto. Desta vez, ele e os outros pouco puderam contribuir, mas presenciaram o poder do enxame na guerra cósmica e estavam totalmente convencidos da supremacia do Senhor dos Insetos. Nada mais tinham a dizer; bastava assistir sua majestade triunfar.
Mesmo assim, como se considerava o principal conselheiro do Senhor dos Insetos, achou melhor discutir os próximos passos:
— E quanto à utilização do continente de Faerun daqui para frente?
— Os deuses de Faerun são formas de vida muito singulares. Eu pretendia negociar com eles para desvendar os segredos de sua existência, mas, como agora estão mortos, terei de buscar outros caminhos — o Senhor dos Insetos mantinha o olhar distante, perdido no vazio do espaço, sem sequer olhar para Silval, mas sem hesitação em suas palavras. Falou calmamente:
— Enviarei escavadores e rainhas para o subsolo de Faerun, onde cavarão masmorras para atrair a atenção dos aventureiros locais. Assim, poderemos aprender sua tecnologia e converter os humanos ao nosso serviço.
— E a tarefa de vocês será construir esses níveis de masmorras.
———
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