Capítulo 47 — Fugaz como o Vento
Capítulo 047 – Efêmero
A ideia de utilizar um planeta diretamente como defesa, escudo e lar provém de um filme muito conhecido no último planeta da Rainha dos Insetos. Claro, quem fez isso foram os humanos e, ao impulsionar a Terra, acabaram provocando consequências desastrosas: a temperatura superficial caiu para valores negativos, os oceanos congelaram, o nível do mar subiu e, por fim, até o conceito de “mar” desapareceu.
Na prática, tal feito talvez causasse ainda movimentos e deformações na crosta. O plano dos insetos para transformar o planeta errante, contudo, parecia ser mais seguro que o dos humanos.
Primeiramente, não havia oceanos na superfície deste planeta, o que significava que todas as placas estavam unidas. Essa placa continental sólida provia um suporte firme e confiável para todo o planeta. Isso aumentava ainda mais a viabilidade do plano.
Por fim, havia a estrutura especial da raça inseto. Eles se alimentavam de energia, e o calor do planeta era uma das formas dessa energia. O planeta era, em si, um gigantesco corpo aglutinador de energia. Se fossem grandes o suficiente, poderiam envolver o núcleo do planeta e transformá-lo num imenso cadinho, fornecendo energia incessante para os insetos?
O reator de fusão nuclear dos humanos foi a primeira experiência da Rainha dos Insetos. Ficou comprovado que a rainha podia assumir variadas formas, podendo inclusive carregar o reator consigo como fonte de energia móvel. Diferente dos humanos, ela só precisava botar ovos e mover-se, sem distrações, com uma mente simples e obediente apenas à Rainha dos Insetos — tornando-se a executora perfeita.
Assim, o plano ganhou seu terceiro pilar. No filme e no romance, a humanidade criou um grande governo global para coordenar as operações e gerir o motor planetário — uma decisão acertada, pois só com um governo “planetário” seria possível mover o planeta. Ainda assim, a comunicação entre as bases humanas era cheia de ruídos e obstáculos, como mostrado no filme.
Os insetos não sofriam desse problema. Se tivessem doze mil rainhas para operar os motores, a capacidade de manobra do planeta seria mais ágil que a de qualquer nave-mãe humana. Ao contrário das naves humanas, em que o general transmite ordens, os subordinados executam, o sinal passa por processadores e só então chega aos motores e partes específicas, os insetos atuavam de maneira muito mais simples: a Rainha dos Insetos ordenava, as rainhas executavam, missão cumprida, fim.
E essas ordens não sofriam qualquer atraso — algo que a Rainha dos Insetos já testara com insetos controlados a milhares e até milhões de quilômetros do planeta.
O quarto pilar estava completo. O plano se erguia sustentado. Quando o avanço humano inexplicavelmente cessou devido ao tapete de fungos, a primeira camada de solo da Rainha dos Insetos foi escavada. O plano começava a tomar forma.
Acima, as rainhas já rastejavam lentamente, iniciando a postura de ovos; suas camadas de carne branca comprimiam-se como ondas, quase como uma serpente mudando de pele.
Na verdade, estavam botando ovos. A Rainha dos Insetos já planejara novas rainhas, apenas aguardando que os vermes abridores de túneis completassem seu trabalho.
Sentiu intensamente aquele calor abrasador; seus filamentos sensoriais secaram de imediato, como se fossem grama — apêndices especializados para condensar a umidade do ar em ambientes extremos, agora quase em combustão. As asas finas às suas costas enrugaram, prestes a se encolher e incendiar por falta de água.
Se não fosse pela nutrição abundante que o enxame fornecia constantemente, talvez não resistisse. Contudo, a Rainha dos Insetos podia absorver energia diretamente se quisesse. Podia ter todos os poderes do enxame — se assim desejasse.
Os insetos a criaram, a gestaram, esperando dar origem a um “soberano” supremo, detentor de todos os genes conquistados pela espécie. Mas, ao atravessar para este mundo, tornou-se mais racional, cautelosa e sábia.
Não buscava expansão cega, nem poder bruto, nem força individual, mas comandava o enxame com inteligência, em confronto estratégico contra os humanos, mudando gradualmente a maré da guerra.
Agora, pretendia fazer o enxame decolar. E, diante disso, o que faziam os líderes humanos? Preocupavam-se em contar seus recursos.
Mesmo que a nave-mãe retornasse ao planeta natal, ainda manteriam forças para lutar contra os insetos. Mas, em vez de se desgastarem em táticas de atrito, preferiam aguardar reforços vindos de trás, para avançar de uma vez.
Ao contabilizarem seus recursos, percebiam que não tinham forças para esmagar os insetos e, assim, a ofensiva perdia fôlego.
Ambos os lados entraram numa longa estagnação. Na linha de frente, os humanos sentiam falta de tropas, mas na retaguarda comemoravam: a captura de novas espécies de insetos entusiasmava os cientistas, quase como uma grande vitória.
Desde que deixaram seu planeta natal, os humanos não colecionavam mais amostras genéticas das plantas, animais ou seres vivos locais. Afinal, a biodiversidade de outros planetas era geralmente superior à do planeta natal humano, especialmente os seres visíveis a olho nu, capazes de transformar a dieta humana de forma simples e direta.
Por exemplo, a Rainha dos Insetos já criara pulgões que secretavam melada e tinham sabor de salmão. Ou, em outro planeta, descobriram uma vaca superleiteira, com carne superior ao melhor gado terrestre...
Além disso, os cientistas humanos eram poucos; abandonar espécies nativas e focar nas exóticas mais valiosas era necessário e sensato.
O valor dos insetos estava entre os maiores do universo. Primeiro, sua capacidade de sobreviver no espaço, tão desejada pelos humanos. Depois, sua capacidade de reprodução e o uso eficiente de energia, superando de longe a humanidade.
Não viam os insetos como uma espécie superior, por falta de inteligência, mas nem mesmo hoje os humanos correm mais que uma chita ou voam como uma águia. É natural não superarem os insetos. Quando desvendaram todos os segredos deles, poderiam criar carros mais velozes que chitas, aviões mais rápidos que águias e armas mais poderosas que o enxame.
Agora, com espécimes vivos e cerebrais trazidos pela nave-mãe, os cientistas tinham uma chance de ouro para estudar a espécie.
Com o avanço das pesquisas sobre os insetos cerebrais, o recesso da nave-mãe e o acúmulo de forças na linha de frente, o mundo parecia subitamente em paz, e o tempo corria veloz.
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