Capítulo 049: Frente Oriental
Capítulo 049 – Frente Oriental
Utilizar o enxame como arma era uma ideia que Vatonief já havia concebido no campo de batalha, imaginando as possibilidades após adestrar essas criaturas para o combate. Essa proposta recebeu, inclusive, o apoio entusiástico de todos os demais. Haveria algum motivo para não apoiar tal plano?
A capacidade de reprodução humana e a sobrevivência dos filhotes eram, de fato, únicas no universo. Contudo, devido às condições da linha de frente, o adestramento das criaturas cerebrais não progrediu como esperado. Alguns radicais até provocaram os enxames, levando ao fracasso da principal zona de desembarque naquele planeta.
Ainda que os fatos não fossem exatamente esses, o sistema social humano exigia sempre um responsável. Seria justo colocar a culpa nos soldados mortos em combate? Ou recair tal responsabilidade sobre os generais de alta patente? Assim, alguém acabaria levando a culpa, inevitavelmente.
No entanto, o ponto central não era esse. Se, agora, os cientistas do planeta natal conseguissem realmente domesticar as criaturas cerebrais, possibilitando à humanidade um exército de soldados do enxame, a vantagem humana seria estabelecida imediatamente.
Os benefícios de possuir o enxame eram evidentes: o alto custo de mobilização e compensação dos soldados comuns, o tempo dispendido para formar um combatente competente e, acima de tudo, as vidas humanas—tudo isso demandava fortunas.
Com o enxame, as forças armadas poderiam ser reorganizadas. Imagine um paraquedista do inferno acompanhado por três saltadores e dez cachorros, ou bombardeiros aéreos equipados com zangões suicidas. Um exército de milhões poderia se expandir para dezenas de milhões.
Seria como na era pós-antiga, quando um caça servia de nave líder, seguido por enxames de drones não tripulados, que, em combate, se destacavam para enfrentar o inimigo, transformando o caça em uma espécie de porta-aviões voador. Mais tarde, esse método foi superado pelas armas eletromagnéticas e sistemas de controle de fogo, tornando o número de drones irrelevante, e a humanidade retornou à era dos grandes encouraçados...
A história sempre avança em espiral.
Se agora o enxame pudesse ser integrado às forças humanas, o número de combatentes aumentaria para centenas de milhões, até bilhões, em questão de instantes. Então, diante da vastidão do universo, haveria algum lugar inalcançável?
Contudo, essa questão exigia deliberação cuidadosa. Todos os generais presentes tinham o olhar brilhando de excitação, mas mantinham-se serenos, sem reações impulsivas. Todos os olhares se voltaram para os três anciãos sentados ao centro.
Embora um deles fosse magro como um galho ao vento, outro gordo como um suíno, e o terceiro de compleição comum, todos demonstravam um vigor surpreendente, sem qualquer traço da decrepitude típica da velhice.
“Qual é a probabilidade de sucesso disso?” perguntou suavemente o ancião magro, acariciando sua longa barba de bode.
Na sala de conferências circular, onde mais de vinte generais estavam reunidos, reinava uma ordem impecável. Sempre que alguém falava, os demais silenciavam; jamais havia sobreposição de vozes. Ficava claro que ali não havia uma turba desorganizada, mas sim militares disciplinados, forjados desde a base, com a guerra e a ordem impressas nos ossos, mantendo a compostura até mesmo em reuniões.
“É altíssima, pelo menos oitenta por cento. A inteligência deles não é desprezível; já há registros de adestramento por choques elétricos e, agora, ainda mais...” O cientista de meia-idade, com mais de cinquenta anos, discursava com fervor—era o seu domínio.
“Se a inteligência deles não é baixa, como garante que não estão apenas encenando para você?” O velho gordo ao lado, de rosto liso e aparência de rico burguês dos tempos antigos, interveio calmamente. Todos sabiam que ele nem sempre fora assim; após curar-se de diabetes, jamais conseguiu se livrar do excesso de peso. Mesmo assim, era um dos três homens mais temidos das forças armadas, conhecido como General Raposa, um dos últimos marechais de cinco estrelas.
A pergunta o deixou sem palavras. Jamais considerara tal hipótese, tão razoável.
E se tudo não passasse de uma encenação para iludir a humanidade? Um dia, poderiam criar um tigre que se voltaria contra o próprio domador.
A humanidade não era tola; mesmo sem considerar o enxame como “seres inteligentes”, não os subestimava por completo. Menosprezar essas criaturas, responsáveis por tantas mortes, era desrespeitar os soldados caídos—e a si mesmos.
O cientista calou-se por um instante, mas logo reagiu: “Eles podem servir de bucha de canhão! Produzimos um lote, enviamos para morrer, depois fazemos outro, mantendo sempre uma quantidade sob controle, assim diminuímos drasticamente as baixas humanas!”
Suas palavras silenciaram a todos. Evidentemente, tocou no ponto crucial. Todos os generais ali presentes sabiam que o momento mais letal era o de contato inicial com o inimigo.
Por que os paraquedistas do inferno tinham o melhor equipamento, as armas mais avançadas e o suprimento mais abundante? Porque realizavam as missões mais difíceis, os saltos mais perigosos, abrindo caminho para os demais com as próprias vidas.
A morte os acompanhava como o vento... mas ninguém, em sã consciência, buscaria tal coisa.
Com a estatística avançada dos dias atuais, quem ignora que a taxa de mortalidade dos primeiros a enfrentar o inimigo chega a 83%?
Os paraquedistas do inferno eram verdadeiros heróis; chamá-los de bucha de canhão seria um insulto.
Para outras unidades, a taxa de mortalidade poderia chegar facilmente a 95%.
Mas, se essas tropas de vanguarda fossem substituídas por insetos, que importaria se morressem todos? Eram apenas insetos—ninguém se importava!
Taxas de mortalidade de 100% ou 200% não significavam nada para eles, menos ainda para os humanos! Se a morte de alguns insetos reduzisse a taxa de mortalidade inicial para 50%, a humanidade aceitaria sem hesitar.
Uma oportunidade dessas não era para ser desperdiçada.
Porém...
“E se, ao usar insetos para lutar contra outros insetos, eles se rebelarem e se voltarem contra nós?” O último marechal de cinco estrelas finalmente quebrou o silêncio. De aparência comum, jamais parecera militar; contudo, quem já o subestimou pagou caro.
O cientista, sem a menor hesitação, já tinha resposta pronta: “Se houver risco de fuga ou rebelião no fronte ocidental, podemos transferi-los para a frente oriental.”
Um sorriso se desenhou em seu rosto ao dizer isso.
Naquele instante, os olhos de todos na sala brilharam.
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Primeira atualização do dia, mais uma em breve.