Capítulo 056: O Assentamento
Capítulo 056 – O Ponto de Agrupamento
Como pode haver pessoas aqui?
Jack Narigudo e seus companheiros ficaram atônitos por um instante. Contudo, rapidamente se recuperaram.
— Vocês são outros humanos capturados?! — exclamaram com alegria.
De fato, só havia essa explicação. Como um dos humanos capturados, eles não haviam dado um passo sequer fora de sua área de residência em quinze dias, não porque não quisessem, mas porque o tapete de fungos ao redor era sombrio e escuro.
Sem equipamentos de iluminação, sem dispositivos de orientação, sem fonte de água, sair dali só teria um resultado: serem devorados pela escuridão, perdendo-se nos túneis obscuros.
Ali era território inimigo, sem qualquer esperança de resgate.
As chances de escaparem pela terra eram praticamente nulas, então só lhes restava seguir pelo rio. Os outros, provavelmente, pensaram o mesmo. Não, talvez o rio seja realmente a única saída.
Eles não sabiam se os prisioneiros de outros pontos de agrupamento viviam próximos desse grande rio, mas ao verem aquela jovem, mal podiam conter as lágrimas.
Seus olhos se encheram de emoção ao verem a militar de rabo de cavalo castanho. Estavam comovidos. Não eram os únicos sobreviventes!
Antes, isolados pela falta de informações, não sabiam nada sobre o que realmente acontecera ao mundo. Ignoravam que os humanos do lado de fora já haviam lançado um ataque. Não sabiam que o largo canal servia para mobilizar tropas pelo equador. Desconheciam que havia outros pontos de residência a apenas vinte quilômetros dali.
Tinham feito a suposição mais pessimista: que, dentre centenas de milhares, apenas os quinhentos sobreviveram.
Mas, ao contarem os sobreviventes e perceberem um número tão exato, sentiram esperança.
Talvez fossem apenas alguns entre os muitos humanos capturados pelos insetos.
Agora, diante de pessoas reais, as lágrimas corriam livremente.
— Esperem, vocês disseram isso, então... — Ninguém ali era ignorante. A jovem militar de cabelos castanhos não tinha mais que vinte anos, mas, não sendo combatente de linha de frente, devia ser do setor logístico, onde o raciocínio era fundamental numa guerra interplanetária.
Ela deduziu rapidamente de onde eles vinham.
Afinal, era estranho encontrar alguém à beira do rio naquele momento.
— Somos prisioneiros dos insetos, vindos de outro ponto de agrupamento — esclareceu Jack Narigudo.
— Não importa de onde vieram, é maravilhoso ver vocês! — A militar de cabelos castanhos sorriu radiante.
Seu sorriso era como o sol, dissipando as sombras do coração dos presentes.
— Ah, temos muitos outros aqui! — Ela pareceu se lembrar de algo e gritou, virando-se: — Pessoal! Acordem! Venham ver quem chegou!
Seu grito, agudo e penetrante, fez todos ouvirem. Jack e os outros não a impediram; colocando-se no lugar dela, se encontrassem outros humanos de outro acampamento, seriam ainda mais exuberantes.
Sentiam-se felizes por serem a esperança e o alívio de outros.
O grito da garota de rabo de cavalo fez todos se alvoroçarem.
Alguns pensaram que estavam sob ataque dos insetos e levantaram apressados.
Ao verem aqueles dez humanos recém-chegados e ouvirem as explicações animadas da soldado de rabo de cavalo, todos se empolgaram.
— Formem fila, contem-se! — O líder não acreditou imediatamente, ordenando que todos se alinhassem e contassem.
Na verdade, quinhentas pessoas era algo que muitos nunca tinham visto. Em tempos de guerra, as redes de relações eram estreitas: um oficial intermediário conseguir lembrar cem nomes já era notável; um oficial de baixa patente, talvez conhecesse apenas seus subordinados, superiores e alguns pares, totalizando trinta pessoas no máximo.
Oficiais de alta patente conheciam seus colegas e subordinados, talvez uns cinquenta.
Agora, eram quinhentas.
Se não fossem todos do sistema militar, se não tivessem patentes, organizar esse grupo seria mais difícil que reunir quinhentas galinhas.
Galinhas são mais conformadas, mas humanos têm suas próprias ideias, tornando tudo mais complexo.
Após organizar a fila e contar, perceberam que não faltava ninguém, então confiaram de fato que outros sobreviventes podiam chegar ali.
Muitos choraram abertamente.
Claramente, eram tão pessimistas quanto Jack e seus companheiros, achando que, de mais de cem mil, só restavam quinhentos, e que seriam mantidos como gado pelos insetos, sem jamais escapar.
Agora, com mais quinhentos, o grupo chegava a mil pessoas, aumentando muito as esperanças de sobrevivência ou fuga.
Especialmente ao saberem que os recém-chegados vieram de dez quilômetros rio acima, ficaram ainda mais animados.
O véu da ignorância começava a ser dissipado, aquecendo o coração de todos.
Assim é o ser humano, animal social, o terrível macaco ereto.
Basta um fio de esperança para que nunca desistam.
O Inseto-Rei exibiu um sorriso estranho; claramente, o comportamento desses humanos estava sob seu controle. No subterrâneo, entre os cinquenta processadores das mães-insetos, pouco escapava ao seu domínio.
— Devo matá-los? — Anna sabia que o Inseto-Rei observava os fugitivos e perguntou suavemente.
— Não é necessário — respondeu o Inseto-Rei, balançando a cabeça. — Quanto maior a esperança, maior o desespero. Deixe-os continuar a jornada.
Com essa ordem, Jack e os outros passaram a circular livremente pelo mundo subterrâneo.
Gradualmente, deixaram de buscar a fuga, preferindo encontrar tribos próximas ao rio e conectar os humanos.
A fuga de dez pessoas nada mudava no quadro geral, mas como mensageiros, levando esperança aos outros soldados, seu papel tornava-se imenso.
Seguindo o rio, continuaram a jornada e, aos poucos, esqueceram o objetivo inicial.
Isso também se devia ao fato de o rio não ter saída; até então, Jack e seus companheiros não encontraram onde o rio deixava a caverna...
E, ao longo dessas duas semanas de deslocamento, o enxame de insetos também começou a se reunir.
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Primeira atualização do dia.