Capítulo 108: Sua Majestade Imperial
Capítulo 108: Sua Majestade, o Imperador
O Governador caminhava a passos largos e decididos em direção à câmara central do edifício mais alto daquele planeta.
Em uma guerra interestelar, a transmissão de informações é de suma importância, superando até mesmo o valor das armas. Por isso, a segurança ali era mais rigorosa do que nas fábricas de armamentos ou nos estaleiros navais. Postos de guarda a cada dez passos e sentinelas a cada cinco eram o procedimento padrão.
Contudo, o Governador não era um homem comum. Embora todos o recebessem com expressões solenes e saudações impecáveis, ele sentia algo diferente.
"Estão relaxados demais", suspirou o Governador em seu íntimo.
Ele compreendia a atitude daqueles soldados. Durante séculos, o planeta Nanduxing não conhecera guerras em seu próprio solo. Como poderia um império em constante expansão sofrer ataques em seu território central? Naturalmente, essa paz duradoura levava aqueles jovens, que nunca haviam participado de conflitos interestelares, a uma falta de vigilância, mesmo em um local estratégico.
Mas a guerra estava se espalhando.
A expansão belicista, de estilo espartano, acabaria por encontrar um obstáculo, ou pior, ver o conflito retornar para casa. O Governador sabia que aquela estratégia era falha, quase um esquema de pirâmide disfarçado.
No entanto, na era espacial, tal esquema não seria facilmente desmascarado. Era como o antigo conceito do Bitcoin na era da rede primitiva: teoricamente, se a bolha estourasse, causaria um colapso econômico colossal. Os primeiros a entrar lucravam e partiam, deixando o prejuízo para os que chegavam por último. Isso era o que deveria acontecer. Mas a internet era um conceito infinito, capaz de conectar quase todo o mundo, e com a popularização de dispositivos baratos, enquanto houvesse tolos que não compreendessem a tecnologia e continuassem a aderir ao esquema, a pirâmide nunca cairia.
No sistema solar original, isso seria impossível, pois não havia outros planetas habitados por humanos ou raças humanoides. Mas, ao voltarmos o olhar para a galáxia e além, o número de humanos e humanoides tornava-se vasto. O universo era infinito, e enquanto houvesse novos "investidores" para absorver o prejuízo, o esquema poderia continuar.
Porém, seres humanos não são como capital financeiro.
Havia uma desvantagem crucial. O Governador não sabia se o Planeta Central já havia percebido, mas essa falha era a mesma que a criatura conhecida como "Rei Inseto" descobrira: a guerra exige seres humanos para lutar.
Essas populações recém-incorporadas precisavam de dez ou vinte anos para serem treinadas, qualificadas e integradas. E as naves espaciais não podiam ser operadas por qualquer pessoa; era necessário um mínimo de uma década de educação especializada. A seleção começava por volta dos quinze ou dezesseis anos de idade. Apenas instituições técnicas de alto nível podiam formar operadores de naves profissionais. Já a infantaria de combate exigia menos conhecimento técnico e mais preparo físico — um ramo de baixa complexidade, ideal para os povos subjugados.
Os postos de comando e as funções de elite eram monopolizados pelos nativos. Mas os nativos não eram infinitos. Embora, em guerras espaciais, raramente se perdessem naves inteiras com facilidade, um encontro com um inimigo poderoso, como o Rei Inseto, poderia resultar na perda de dez ou mais naves instantaneamente. Cada nave comportava de vinte a cinquenta mil pessoas; dez naves significavam meio milhão de vidas. Mesmo para a população de Nanduxing, perder meio milhão de soldados de elite em uma única batalha era inaceitável.
O que aconteceria depois? Se o exército sofresse derrota após derrota, os veteranos experientes diminuiriam constantemente. A força militar humana poderia até manter dados impressionantes no papel, mas o poder de combate real seria uma farsa que todos, no fundo, conheceriam. O inimigo parecia já saber disso, ou talvez não, tratando a captura de humanos vivos como um mero capricho.
Mas homens inteligentes sempre consideram o pior cenário.
Ele parou diante da porta, que se abriu para os dois lados. Ao entrar, todos os funcionários presentes desviaram o olhar. Estabelecer uma comunicação que cruzasse anos-luz não era algo que se fazia com o simples apertar de um botão. Dez minutos de preparação mal eram suficientes. Assim que a ordem fora dada, o sistema entrou em operação, e quando o Governador chegou, a conexão estava pronta.
— Conectem-me ao Planeta Central — ordenou ele.
Este era o verdadeiro sentido de uma ligação telefônica. Uma chamada que atravessava incontáveis anos-luz começou a soar.
*Tu... tu... tu...*
O Governador divagou. Aquele tom de chamada parecia não ter mudado em eras. De repente, o som cessou, indicando que a conexão fora estabelecida. Todos os funcionários engoliram em seco; claramente, nem mesmo eles haviam visto o Imperador, que estava a anos-luz de distância. Afinal, não era estranho que, na era interestelar, ainda existisse uma figura de poder tão inexplicável quanto um imperador?
A tela iluminou-se. Todos prenderam a respiração enquanto observavam a silhueta no telão. Uma figura oculta nas sombras começou a emergir, revelando o rosto. Um jovem de aparência magra e pele levemente pálida surgiu, exibindo um leve sorriso.
— Não pode ser... Dietrich?
— Realmente, faz muito tempo, não é?
— Já se passaram sessenta anos desde que você deixou o Planeta Central, não é mesmo?
— Sim, Majestade. Sessenta anos. Como tem passado? — O homem mais poderoso de Nanduxing, um ancião chamado Dietrich, curvou o corpo, perguntando com respeito e temor.
— Haha, estou bem, estou bem. Ainda não morri — o jovem do outro lado da tela riu com alegria e acenou com a mão. — Deixe de formalidades, sua velha raposa.
O jovem imperador, que parecia jovem até demais para o posto, foi direto ao ponto:
— O que aconteceu para você entrar em contato direto comigo para um relatório?
— Sim, Majestade. Nanduxing chegou a um momento de vida ou morte, por isso fui obrigado a interromper seu descanso! — O Governador não perdeu tempo com rodeios.
— Oh! — O Imperador inclinou-se ligeiramente para frente, saindo das sombras do trono, demonstrando genuína curiosidade. — O que diabos aconteceu para que você, outrora o "Leão da Academia de Estratégia", pudesse ficar tão desesperado?!