Capítulo 087: A Metamorfose do Inseto Real
Capítulo 87 — A Metamorfose do Inseto Rei
O Inseto Rei não compreendia absolutamente nada do que havia do outro lado, tampouco se importava, pois durante esse mês inteiro as quatro fragatas saltavam incessantemente pelo espaço, utilizando uma tecnologia e manipulação de energia que o Inseto Rei era incapaz de entender, viajando entre diversos sistemas estelares.
Para ser sincero, o Inseto Rei não se surpreendia minimamente com tal avanço tecnológico. Chegava a pensar que a humanidade, mesmo na Idade Média, antes da era das colônias, já era capaz de construir telescópios na Terra e, por meios que desafiavam as leis da física, observar o Big Bang, os buracos negros e até mesmo criar colisores de partículas para simular o universo em aparelhos diminutos.
Depois de tantos anos, se esses seres tridimensionais ainda não soubessem manipular o espaço, isso sim lhe pareceria inacreditável. Pelo raciocínio lógico, os humanos já deveriam ter desenvolvido buracos negros artificiais; a tecnologia atual deles parecia, na verdade, atrasada, o que lhe causava certo estranhamento.
O que realmente o levou à contemplação e ao entendimento foi justamente a capacidade humana de utilizar o espaço. Tradicionalmente, alguns insetos possuem uma percepção espacial muito superior à dos humanos, mas isso é como um instinto — algo que se sabe utilizar sem conhecer o princípio por trás.
Já a manipulação do espaço é uma habilidade raríssima: mesmo sabendo de sua existência, não é certo que se consiga utilizá-la. Agora, o Inseto Rei evoluía seus próprios órgãos para se adaptar a esses saltos espaciais.
A cada salto junto à nave, o Inseto Rei aprofundava sua compreensão sobre a travessia pelo espaço. Talvez outros insetos jamais tivessem tentado algo assim, nem sabiam dessa capacidade, mas, se seus órgãos altamente desenvolvidos percebessem esses saltos...
Dado o espantoso desenvolvimento cerebral e a capacidade de aprendizado do Inseto Rei, parecia apenas uma questão de tempo até que dominasse o salto espacial.
Além disso, não era apenas um salto; em viagens pelo cosmos, um mês mal seria suficiente para sair do aglomerado estelar do próprio sistema, quanto mais cruzar um braço espiral da galáxia. No entanto, saltando continuamente pelas zonas limpas, era possível atravessar vários sistemas e aglomerados, até mesmo cruzar um braço inteiro.
Talvez a civilização humana não tivesse ultrapassado esse braço espiral, mas os aglomerados dentro dele já bastavam para sustentar o desenvolvimento de uma poderosa civilização interestelar: os recursos obtidos ao deixar o planeta natal superavam em muito a imaginação dos comuns.
Enquanto isso, o Inseto Rei, com talentos e dons incompreensíveis para a humanidade, começava a decifrar as barreiras tecnológicas erguidas pelos humanos ao longo de milênios.
Isso era assustador; contudo, assim como quando o Inseto Rei instalou o propulsor da Rainha Mãe sob a terra, os humanos não faziam ideia do nível que ele já havia alcançado em silêncio.
Até que, após um mês, o Inseto Rei ergueu-se abruptamente do leito formado por esporos parasitas.
O espanto e alegria dos Insetoides foram imediatos; até mesmo os humanos capturados puderam perceber claramente a expressão de júbilo em seus rostos. Era impossível disfarçar, pois esse contentamento vinha do próprio nível genético e biológico.
Antes, os Insetoides não demonstravam emoção alguma, pois não havia perigo para o Inseto Rei; agora, no entanto, sua alegria era resultado do despertar do Inseto Rei — tinham novamente seu líder.
— Majestade! — exclamou Silva, ajoelhando-se diante do Inseto Rei, tomado de entusiasmo.
Sua aparência mudara bastante. Mantinha os quatro olhos que recebera do Inseto Rei, mas agora ostentava várias escamas pelo corpo. Era evidente que a maioria dos sábios priorizava a autoproteção, tornando suas defesas sempre superiores às dos demais. Isso era perfeitamente normal; por isso, as escamas não eram motivo de estranhamento, mas o faziam parecer um meio-dragão.
Um tanto imponente, um tanto frio, um tanto dracônico.
Acrescentara ainda uma cauda ao próprio corpo, inspirado pelo Inseto Rei — talvez antes por curiosidade, julgando que havia algum segredo na cauda do Rei, mas ao tê-la, percebeu sua utilidade.
Os humanos possuem cauda, que com o tempo regrediu ao cóccix, pois já não precisavam dela após descerem das árvores.
Porém, a cauda não serve apenas para manter o equilíbrio em galhos; em combate corpo a corpo, funciona como um terceiro membro. Ao correr, serve de contrapeso, aumentando a velocidade.
A evolução humana estava correta: tornavam-se cada vez mais trabalhadores intelectuais, não físicos; uma cauda seria incômoda ao sentar ou deitar. Mas, em batalhas, era uma vantagem inegável, tornando-se uma extensão natural do corpo.
Quando seus corpos e escamas externas fossem resistentes o bastante para enfrentar armaduras exoesqueléticas, aí sim a cauda seria sua verdadeira cavalaria.
Como um legítimo draconato, Silva recebia o Inseto Rei com humildade. Atrás dele, um grupo de Insetoides e, ainda mais atrás, uma multidão se apressava pelos corredores da nave.
— Levantem-se — ordenou o Inseto Rei, com voz neutra e serena, fazendo com que todos se erguessem.
Os Insetoides o fitavam com respeito. O Inseto Rei dormira por um mês e despertara justamente na véspera da batalha iminente. Certamente, preparava-se para a grande guerra que estava por vir.
O Inseto Rei, porém, não lhes deu atenção; girou o pescoço lentamente. Havia obtido enormes benefícios com essa migração, restando apenas um último véu para conquistar o que os humanos levaram milênios para alcançar: a capacidade de saltos espaciais.
Ou, para indivíduos isolados, a “capacidade de salto espacial” seria uma denominação mais apropriada.
Porém, tal habilidade era dificílima; indivíduos comuns jamais conseguiriam gerar tanta energia. Apenas o Inseto Rei, soberano dos insetos dotado de energia inesgotável, era capaz de tal façanha.
— Quanto falta até a outra frente de batalha dos humanos? — Uma última barreira se impunha; nesse estágio, o Inseto Rei sabia que não era simples de transpor. Era um véu, uma muralha de concreto, uma parede de aço; impossível avançar em curto prazo. Por isso, voltou sua atenção à guerra.
— Faltam dois saltos. Em cerca de três dias alcançaremos o campo de batalha humano — respondeu Silva, que vinha pilotando a nave-inseto e sabia perfeitamente a situação e a distância.
— Ótimo, prossiga. — Um leve sorriso surgiu no rosto do Inseto Rei. A cada novo aprendizado, sua compreensão sobre o universo e sobre o enxame tornava-se ainda mais profunda.
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P.S.: As dores nas costas estão melhorando.