Capítulo 065: Destino Terra!
Capítulo 065 — Destino: Terra!
O planeta inteiro estava em erupção. Parecia ter-se transformado em uma imensa bola de fogo, coberta por chamas densas e incessantes. Inúmeras mães-inseto cavavam túneis sob a superfície, e agora, após o início da ignição, toda a crosta planetária assemelhava-se a um carvão alveolado, expelindo labaredas poderosas de todos os lados, enquanto o solo tremia violentamente.
Os semi-insetos desconheciam completamente os planos da Rainha-Inseto. Eram pouco confiáveis, portanto nada lhes fora revelado. Naquele momento, enquanto a terra estremecia e o planeta inteiro vibrava, eles permaneciam abrigados em uma caverna fortificada, envolta por um tapete fúngico que se amalgamara à rocha, reforçada pela solidificação das secreções dos vermes de areia, formando um verdadeiro bastião, inabalável como uma montanha.
“O que está acontecendo?” gritavam, agarrando-se às paredes ao redor. Sua situação era fundamentalmente diferente da dos humanos capturados: embora a maioria dos metais tivesse sido consumida, eles haviam encontrado cimento e tijolos no acampamento. Utilizando esses materiais, ergueram suas casas, recolhendo também os restos deixados pelos soldados derrotados, desfrutando de condições muito superiores às dos prisioneiros. Por exemplo, cada um deles possuía uma cama de um metro e meio, recuperada dos alojamentos dos oficiais na principal base de desembarque.
Seu papel entre os insetos era embaraçoso: não eram necessários para o combate, e a Rainha-Inseto não confiava neles para se comunicar com os humanos. Ainda assim, eram tratados como membros da colmeia, não correndo risco de vida. Naquele que era o maior planeta dos insetos, circulavam livremente, embora sem grandes tarefas.
Por vezes, controlavam fragatas no universo das naves de guerra com a ajuda de insetos rosa, mas o tremor era tão intenso que os desconectava da rede dos insetos.
“Um milhão de mães-inseto funcionam como motores, todas iniciando a ignição. Preparo-me para ir ao planeta natal de vocês.”
“Farei deste planeta uma nave de guerra.”
Uma criatura de vigilância exibiu sua coloração, tornando-se visível, e a Rainha-Inseto transmitiu suas ordens por meio de sua boca, abrindo e fechando. Os humanos ficaram arrepiados. Não conseguiam compreender tal feito. Algo típico de ficção científica — seria mesmo possível?
“Espere, o que devemos fazer? Vamos morrer?” De súbito, perceberam o perigo e começaram a clamar.
Ali estava o verdadeiro teste: a qualquer momento, poderiam sucumbir à falta de oxigênio, ao frio ou a mudanças bruscas no ambiente.
Quatro-Olhos tocou o tapete fúngico ao seu lado; não endurecera ou alterara sua natureza. Talvez ainda pudessem sobreviver àquelas condições extremas? Infelizmente, quanto mais complexa a forma de vida, maior o risco de perecer. Eles precisavam urgentemente de uma resposta da Rainha-Inseto para sobreviver.
Se a Rainha-Inseto decidisse matá-los, nada poderiam fazer, mas como ela queria que pilotassem as naves, certamente lhes daria uma chance de viver. Quatro-Olhos manteve-se calmo, ao contrário dos companheiros em pânico. Afinal, era apenas o início da ignição, e o planeta ainda não havia partido. Ainda havia tempo.
Eis a diferença entre os inteligentes e os tolos.
“Claro, vocês ainda têm bastante tempo”, respondeu a criatura de vigilância, como se fosse a própria Rainha-Inseto.
Se portassem os insetos rosa da rede, talvez ouvissem diretamente a voz dela. Era como os antigos santos em contato com uma divindade, pensou Quatro-Olhos.
Não, talvez ela fosse mesmo a deusa dos insetos. Apenas não havia registro disso, pois os insetos não possuíam consciência ou escrita, o que explicava o total desconhecimento humano. Afinal, enquanto não fossem mortos, eram imortais; os gigantes do espaço, talvez, tivessem vidas incontáveis, só perecendo se eliminados.
“Podem descer para as profundezas ou, após alguma modificação, permanecer na superfície”, a Rainha-Inseto não se importava com a escolha deles. Uma vez que o planeta partisse, nada mais teria importância; tudo estaria sob seu controle.
Trocaram olhares e decidiram não se submeter a mais modificações. Seguiram o inseto de reconhecimento rumo ao subsolo.
Antes, os milhares de prisioneiros humanos ficavam em uma zona de temperatura amena, a 25° de profundidade. Eles, porém, podiam permanecer um pouco mais próximos da superfície, entre 16 e 18 graus. Agora, precisavam adentrar regiões ainda mais quentes, pois ao mover-se, o planeta faria a superfície resfriar rapidamente, equilibrando-se com o calor interno.
Essa temperatura poderia ser 10, 20 ou 30 graus, mas, de todo modo, já não importava aos humanos.
A sobrevivência dependeria de encontrar a zona ideal para cada um. Contudo, os semi-insetos já não eram exatamente humanos; a faixa de conforto entre 22 e 28 graus era alta demais para eles. Dotados de algumas características dos insetos, suportavam tanto o calor quanto o frio.
No entanto, agora preferiam regiões mais frias, estabelecendo-se nas áreas ocupadas pelos antigos prisioneiros humanos, onde, segundo cálculos, a temperatura cairia para cerca de 15 graus. Protegidos por um tapete fúngico espesso e camadas de rocha, não precisariam descer a profundidades abissais, como em certos romances de ficção científica.
Por ora, não sentiam diferença, pois a sensibilidade à temperatura fora alterada pela transformação em semi-insetos. Eram verdadeiros ratos de laboratório.
Reuniram-se em murmúrios, designando alguém para vigiar o inseto de monitoramento. Este, quieto sobre a parede rochosa, não pretendia se afastar. Era os olhos da Rainha-Inseto, agindo apenas quando requisitado e, do contrário, permanecendo em modo econômico para poupar energia.
O tremor do solo intensificava-se, mas, envolvidos pelo tapete fúngico, sentiam-se estranhamente seguros. Nenhuma pedra ou desabamento os atingiria ali. O tapete fúngico era, de fato, uma invenção extraordinária...
Enquanto murmuravam, longe dali, flutuando no espaço, criaturas sem capacidade ofensiva, mas de defesa formidável, conhecidas pela Rainha-Inseto como Andarilhos do Vazio, lembravam enormes águas-vivas. Vagueavam pelo cosmos, com inúmeros tentáculos capturando detritos espaciais e levando-os à boca; para elas, um simples banquete, mas para outros seres, predadores letais.
Ao pousarem suavemente sobre o planeta, cessando a alimentação, um estrondo colossal ressoou. A maioria das mães-inseto interrompeu a ejeção de chamas. No hemisfério sul, todas intensificaram a força dos jatos, transmitindo empuxo até o manto e, lentamente, deslocando o planeta de sua órbita original...
Terra, aí vou eu!
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Finalmente terminei de ler “Corredor da Luz 21”. Que obra magnífica! Agora, posso dormir em paz.