Capítulo 055: A Nova Espécie dos Insetoides
Capítulo 055 – Uma Nova Espécie de Inseto
Assim, com o apoio dos mais de quinhentos habitantes do acampamento, os Dez Valentes se uniram, cada um com o peito coberto de bolsas infláveis, decididos a seguir o fluxo do rio em busca de uma saída.
Poucos humanos conseguem nadar cinco quilômetros sem pausa numa piscina, mas se apenas flutuarem, quinze quilômetros por dia é o mínimo. Estavam conectados uns aos outros; bastava relaxar, segurar a corda e acompanhar o fluxo, seguindo a silhueta do companheiro à frente para avançar rapidamente.
Claro, o primeiro da fila enfrentava algum perigo; afinal, nem mesmo os vermes de areia são tão meticulosos a ponto de limpar todos os pedregulhos e recifes das margens. Essas áreas perigosas justificavam o título de Dez Valentes.
Felizmente, era um “Grande Canal” recém-escavado pelos insetos; em um ou dois anos, o acúmulo de lodo e pedras tornaria o fundo totalmente diferente, e o que de fora parece apenas um redemoinho poderia ser fatal para um indivíduo comum.
Mas, amarrados e equipados com bolsas de flutuação, ao relaxar braços e pernas, a força de flutuação os protegia dos redemoinhos mais comuns. Em dez horas, avançaram cerca de dez quilômetros em um ritmo surpreendentemente tranquilo.
Não podiam calcular a distância exata; a corrente não era forte, e além de cuidar da postura, pouco esforço foi exigido nesses dez quilômetros em dez horas.
Contudo, flutuar não significa ausência de desgaste físico. Manter o equilíbrio dentro d’água consome muita energia, ainda mais após dez horas. Se não fosse pelo relógio no pulso do líder, Ricardo, até contar o tempo seria difícil. Quanto à distância, só podiam adivinhar.
Encontraram um banco de areia, pisaram nos cascalhos e subiram à margem, respirando fundo. O ar na água entra em pequenas quantidades, a flutuabilidade reduz a capacidade pulmonar. Agora, livres, sentiam o peso de uma prisão sendo retirado.
“Depressa, tirem as roupas, coloquem para secar. Ricardo, leve três para buscar pulgões.” A água era potável, pois todo o excremento era consumido pelo tapete de fungos, tornando a água subterrânea ainda mais limpa que riachos comuns. Afinal, areia e pedras filtram bem.
Uns bebiam água, outros torciam as roupas, outros buscavam pulgões. Os dez valentes dividiam tarefas com ordem e disciplina. Eram todos oficiais do exército, embora prisioneiros, conheciam o valor da honra; depois de organizar a produção entre desconhecidos, logo deixaram de se conformar e decidiram fugir.
Não sabiam qual punição receberiam se fossem descobertos, mas nada seria pior que a morte. Aqui, preferiam morrer a viver sem liberdade.
Sentiam vergonha por não terem perecido em batalha, então arriscar a vida na fuga era apenas uma continuação da reação extrema daquele dia de combate.
Jack, de cabelo negro e nariz grande, suspirou, pegou o pulgão entregue pelo companheiro e, com destreza, começou a sugar o doce de sua extremidade. Após meio mês ali, estavam acostumados àquela iguaria: o pulgão armazenava puro mel, de excelente qualidade, benéfico para humanos. Após quinze dias alimentando-se deles, conheciam bem os efeitos no corpo.
A carne do pulgão era rica em proteína, lembrando uma mistura de coxa de frango com barriga de salmão, com alguma gordura, mas sem excessos que impedissem o consumo, mesmo crua.
Jack devorou o mel com crueldade e depois mordeu o abdômen do inseto, tratando-o como qualquer outro animal. Na verdade, ansiavam por comida cozida; com uma leve fritura e um pouco de sal, a carne de pulgão seria irresistível, e só de pensar nisso, salivavam.
O sangue do pulgão continha sal suficiente para suprir as necessidades humanas, especialmente após meio dia de trabalho intenso. Por isso, comeram o dobro do habitual – quatro pulgões cada.
Depois, já não queriam mais o mel, era enjoativo; despejaram tudo na água, beberam, enxaguaram a boca e se prepararam para descansar. Planejavam passar a noite ali antes de prosseguir.
Quando iam se deitar, um zumbido ecoou sobre o rio. Todos se encostaram nas paredes, cobrindo o corpo com roupas, observando um enxame de libélulas voando rapidamente na direção de onde vieram, inúmeras e velozes, usando as rotas de água e os canais ampliados para se deslocar pelas cavernas.
O semblante de todos tornou-se grave. Esperaram cinco minutos até a última libélula passar. Silenciosos, sabiam bem o que significava ver aquelas libélulas voando nas cavernas subterrâneas: com a expansão das galerias, o perigo se multiplicou.
Além disso...
“Espécie nunca vista,” murmurou Jack, de nariz grande. Humanos numeram suas armas, e os insetos, como armas biológicas, também têm numeração. A rainha, por exemplo, era o número 000.
Na guerra espacial, os humanos já haviam catalogado os insetos até o número 12. Com o surgimento de cães e pulgas, a classificação estava chegando ao número 20, e agora uma nova arma surgira.
Mas, depois do desconforto inicial, Jack animou-se: “Se elas conseguem voar por aqui, deve haver uma saída!”
O comentário alertou a todos; era uma direção a seguir.
“Mas não podemos segui-las; são voadoras, capazes de atravessar cavernas e cascatas intransponíveis para nós. Só nos resta seguir o fluxo e buscar um túnel de saída.” Todos concordaram. Talvez o destino das libélulas fosse o campo de batalha, mas desarmados, precisavam evitar essa rota.
“Por que estão aqui? Não voltaram ainda?” Uma voz interrompeu, e uma militar de cabelo castanho preso em rabo de cavalo apareceu atrás deles, surpresa.
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