Capítulo 101: Aflição
Capítulo 101: Desespero
Quando o Rei-Inseto alcançou os humanos, estes estavam enfileirados um a um fora da Zona sem Poeira, realizando saltos espaciais.
Era claro que a Zona sem Poeira não conseguia dar a todos o salto de uma só vez. A frota principal já havia partido primeiro, e restavam ali numerosos navios secundários e de abastecimento aguardando a vez.
O Rei-Inseto enviou outra transmissão. Dessa vez, se não respondessem a tempo, as Naves-Inseto que os cercavam de todos os lados não lhes dariam uma terceira chance.
Antes, os alvos de rendição do Rei-Inseto eram as frotas principais; agora ele voltou sua atenção para esses navios de abastecimento e secundários.
Esses cargueiros tinham, em média, quinze quilômetros de porte, quase nenhuma capacidade ofensiva, e para autodefesa possuíam apenas o próprio canhão eletromagnético externo. A tripulação também era mínima, com menos de oitocentas pessoas. Para navios que normalmente reuniam quarenta ou cinquenta mil homens de guerra, isso era um nível absolutamente fora do padrão — justamente por isso, sinal de alta automação.
Na era da agricultura, um camponês humano mal conseguia cuidar de três parcelas; com tração animal chegou a cinco ou oito, e depois da revolução industrial, cem parcelas eram manejadas por apenas quatro ou cinco trabalhadores, com produtividade que saltou de poucas centenas de unidades para quase várias toneladas.
De um porta-aviões que antes exigia quatro ou cinco mil pessoas para entrar em combate, passou-se, agora, a um navio de abastecimento que pode ser operado por poucas centenas.
A humanidade, sem dúvida, estava avançando. Por isso, o Rei-Inseto tinha obsessão em obter a tecnologia humana; era por reconhecer a força deles que lhes dava atenção extrema.
Mas ali restavam apenas navios secundários e de abastecimento, o que o irritava bastante. Ainda assim, mesmo o menor mosquito é presa; se se rendessem, o Rei-Inseto aceitaria sua lealdade.
Esses humanos mostraram-se ainda mais descuidados do que ele imaginava: ao ver alguns navios secundários, logo os fizeram saltar, e alguns até ignoraram as regras, lançando de uma vez dois navios secundários no espaço.
O Rei-Inseto não lhes concederia nova oportunidade.
Primeiro ele enviou um aviso para todos: ninguém pode mexer-se novamente, ou será morto na hora.
Depois de trinta segundos, qualquer navio que ainda se atrevesse a agir receberia um ataque devastador do Rei-Inseto.
Os comandantes humanos, teimosos, insistiram com o próprio padrão de tiro e, ao mesmo tempo, dez navios avançaram em direção à Zona sem Poeira.
O Rei-Inseto não lhes deu atenção: dali em diante, aquilo passava a ser dele por inteiro.
Quatro Naves-Inseto acenderam-se simultaneamente, e em poucos segundos concentraram energia. Em um instante, atravessaram as salas de comando de quatro navios secundários e cortaram metade do casco deles. Os quatro feixes não pararam; logo após atravessar metade de cada navio, partiram para outro navio secundário em movimento.
Sua velocidade era extrema, como a própria luz. Em segundos, depois de atravessar um navio, já estavam à frente do seguinte.
Nessa fase, o disparo não era mais tão preciso, mas a força dos raios de luz ainda cortava facilmente os demais navios secundários, seguindo até a sala de controle humana.
Na prática, o controle de danos dos navios humanos era excelente: ficar com metade do casco rasgado não significava necessariamente destruição. Mesmo com o posto de comando primário destruído, havia um segundo. Mas, depois de um corte que também apagava esse segundo controle, não haveria quase nenhuma chance de salvação.
Com as dez naves destruídas num único instante, os demais humanos já não ousaram mais se mover.
Eles fizeram o que disseram e foram cruéis na execução, e ainda pareciam, surpreendentemente, dispostos a negociar. Isso trouxe certo alívio: quando o Rei-Inseto comunicou com o porta-aviões de comando antes, este não repassara quase nada aos abaixo dele.
No exército, quase sempre impera o comando único do oficial; é talvez o ambiente mais ditatorial que existe. O oficial superior só dá ordens — para onde ir — e raramente diz por que ou para que.
Até o ato de ir à morte é tratado como algo natural. Se você perguntar, um superior bondoso explica; um superior ruim pode até repreender, e, se houver desobediência, ainda pode haver tiro imediato.
Essa é a lógica militar: não há espaço para questionamentos dos subordinados.
Como os níveis inferiores são maioria, bastaria uma dúvida de cada um para que não houvesse guerra, mas motim interno.
Por isso, até o conteúdo da comunicação com o inimigo não é repassado. Nem ao soldado comum, nem mesmo ao oficial intermediário.
Assim, eles não sabiam de nada sobre o Rei-Inseto. Sabiam apenas desta única informação: aquele era o inimigo.
Só quando os superiores decidiam pela rendição é que o restante da tropa tomava conhecimento.
Nesse momento, os belicistas humanos que antes mexiam e se agitavam enfim se aquietaram diante de uma força inquestionável, esperando em silêncio o veredito do destino.
“Vão recebê-los.”
Após a ordem do Rei-Inseto, os decks das Naves-Inseto abriram-se. Inúmeras libélulas a jato dispararam para fora como pequenos planadores, assim como abelhas que saem de uma colmeia, dirigindo-se aos navios secundários e de abastecimento humanos.
Alguns ainda pensavam em tomar reféns durante a recepção dos navios e chantagear os inimigos; ao ver de perto, não havia quase ninguém a bordo. Eram, provavelmente, apenas máquinas parecidas com drones, vindas para desarmar e, de fato, assumir os navios.
Mas alguns, mesmo assim, continuavam teimosos e preferiam “cair como jade, não como argila”, isto é, escolher uma morte honrosa a sobreviver.
Sem que esperassem, as libélulas a jato pairaram fora dos navios e começaram a disparar munição física, escura e densa.
Os humanos desprezavam esse tipo de munição física; claro que ela mal machucava a blindagem de liga ultrarresistente dos navios.
Mas, após alguns minutos, aqueles comandantes de intenções traiçoeiras já não tinham mais o que fazer.
Foi minando o controle deles sobre os próprios navios; nem mesmo a autodestruição conseguiam mais realizar.
“Parece que tudo acabou”, disse o Rei-Inseto, mudando o olhar: “Voltemos. Há uma grande recompensa nos esperando.”
Nos rostos de Silva e dos outros surgiu um leve sorriso. Mesmo já integrados à Rede dos Insetoides, não perderam a própria humanidade; ao contrário, haviam expectativas inquietas com os preparativos seguintes para o continente de Feren. Talvez ali fosse onde melhor empregariam sua força, já que, em guerra, os insetoides já eram brutais o bastante.
Projeto de calabouços e governo de Feren, isso sim, era o terreno em que seus talentos brilhavam.
Procrastinar é, de fato, uma doença sem cura.