Capítulo 074: Supressão Sem Esforço

O Último Enxame Meia tigela de carne de porco ao molho vermelho 2415 palavras 2026-02-08 04:36:34

Capítulo 074 - Subjugação sem Esforço

Karina foi a primeira humana a se transformar em uma criatura insetoide dentro da nave Lago Estelar, e por isso seu nome era amplamente conhecido ali. Contudo, essa fama não era positiva: todos a olhavam de soslaio e murmuravam sobre ela. Karina, porém, parecia absolutamente despreocupada, sem demonstrar qualquer incômodo com os olhares e comentários dos demais.

Quanto mais ela se mostrava indiferente, mais os humanos — especialmente as soldados — a odiavam. Afinal, ela não era nada além de alguém que havia se tornado uma criatura insetoide; por que tanta arrogância? Nenhuma delas havia experimentado passar um mês vivendo no subsolo, sem qualquer objeto de conforto, nem sabia o que era ser convertida em uma criatura dessas. Faltava-lhes decisão para agir, coragem para arriscar tudo; eram, todas, um bando de medíocres.

Karina, agora com a mente límpida como nunca, desprezava a ideia de se misturar a essas pessoas. Embora tenha agido com certa impulsividade ao lidar com a situação, por vezes um ímpeto resoluto não é, de fato, um defeito.

Agora, ela colhia benefícios e vantagens sem precedentes — já alcançara o nível 2 em pontos de contribuição entre os insetoides.

Batendo levemente as asas, ela flutuava no ar como uma fada borboleta e perguntou: “Vocês pretendem mesmo enfrentar os insetoides, Fischer?”

“Você já se destacou no campo de batalha da superfície do planeta, e meu Senhor já voltou seus olhos para você. Se quiser se unir a nós, certamente terá poderes inimagináveis.” Suas palavras deixaram Fischer alerta.

Ele soltou um riso irônico e, quase por instinto, tentou extrair mais informações dela: “Seu senhor? Os insetoides têm um senhor?”

“Naturalmente, somos guiados por um Soberano supremo. Do contrário, como poderíamos ter nos reerguido das profundezas, revertido toda a situação e feito tantos humanos prisioneiros?” Ela ergueu o queixo com arrogância e confiança.

“Já fomos prisioneiros do enxame, e agora fazemos parte dele. Se você se submeter, talvez sua Ana também lhe seja devolvida.”

“A última frase é uma citação direta do Soberano,” acrescentou ela.

Fischer estremeceu, seu corpo ficou rígido. Jamais imaginou que Ana, oficialmente dada como “desaparecida” e presumida morta, ainda estivesse viva!

Sim, se os inimigos também eram inteligentes, jamais matariam alguém como Ana — uma combatente solitária era o melhor alvo para capturar e a fonte mais valiosa de informações. Talvez Ana tenha sofrido torturas atrozes, mas, sendo a única fonte de inteligência disponível, jamais seria executada.

Após aquele mês, só então os insetoides adentraram verdadeiramente a era do conhecimento mútuo. Ana, embora não aguentasse o sofrimento, ganhou algum alívio e acabou sendo forçada a se converter em uma criatura insetoide.

Mas o importante é que estava viva.

Um lampejo brilhou nos olhos de Fischer; a emoção o tomava, mas em seu rosto não se notava qualquer expressão, nem mesmo uma ruga na testa — algo que aprendera em seu breve tempo no Estado-Maior.

Não importava quão inverossímil fosse o que lhe diziam, nem quão absurda fosse a situação: jamais se deve zombar de um colega, nem mesmo com um gesto facial.

De repente, Fischer sentiu-se impulsionado, desejando extrair mais informações de Karina: “Como você sabe disso? Vocês têm uma rede de comunicações externa? Eu devia ter desconfiado que vocês possuíam algum meio de contato...”

Murmurava consigo mesmo, enquanto observava atentamente as feições de Karina, tentando captar pistas.

Mas Karina já perdia a paciência.

Seu rosto delicado expressava puro aborrecimento: “Pare de ganhar tempo, herói de guerra Fischer. Deveria saber que truques assim nada significam diante da grandiosidade dos insetoides. Renda-se agora e ofereça sua lealdade. O Soberano lhe concederá a você e à sua mulher a eternidade.”

“Parece até o discurso de alguma seita,” Fischer riu, e seu semblante tornou-se afiado.

Era o prelúdio da batalha, e ele parecia ter rejuvenescido vinte anos, graças à notícia recebida.

“Vai mesmo lutar contra nós?” Karina semicerrava os olhos, observando o perigo crescer no ar ao redor do homem à sua frente.

“Reflita bem.”

“Pense nos companheiros que estão atrás de você.” Suas palavras carregavam segundas intenções, e Fischer logo percebeu algo estranho.

Por que tanto silêncio atrás de si?

Normalmente, mesmo sem interromper sua conversa, seus homens já estariam prontos para o combate, e os ruídos típicos de preparação chegariam aos seus ouvidos. Agora, porém, nada: era como se todos apenas escutassem em silêncio.

Para um lugar prestes a se tornar campo de batalha, aquilo era anormal.

Ao notar o estranho, Fischer virou-se — e a cena que presenciou quase lhe fez saltar os olhos.

Todos os seus companheiros olhavam fixos para a frente, com os olhos sem foco, bocas abertas, a saliva escorrendo lentamente. Não fosse pelo instinto que os fazia ainda segurar as armas, já teriam deixado cair seus equipamentos.

“Parece que vocês ainda não estão prontos para lutar contra nós,” Karina riu com doçura.

Suas asas exalavam um pó perfumado e cintilante, que se lançou sobre Fischer como uma onda.

Ele tapou o nariz e a boca às pressas, mas ainda assim inalou boa quantidade do pó, começando a tossir violentamente.

Afinal, ninguém entende melhor os humanos do que eles próprios.

“Ainda há tempo, herói de guerra Fischer, abençoado pelo olhar do Soberano. Ainda pode pensar.”

“Não decepcione o Soberano com sua escolha.” Deixou essas palavras ao subir novamente para o terceiro convés, sem sequer lançar um olhar aos paraquedistas atordoados, desaparecendo de vista.

“Maldição!” Fischer tossiu desesperado, lágrimas e ranho escorrendo abundantes. Sabia que aquilo era apenas um leve aviso. Se a luta fosse para valer, mais de uma centena ali morreria sem chance de reação.

Sentia-se profundamente indignado com sua própria fraqueza e impotência. Toda fúria humana nasce da incapacidade de agir.

Agora, enfim, compreendia o significado das palavras dela.

“O que estão esperando? Venham me ajudar a limpar esses homens!” Os engenheiros e outros membros da retaguarda, que haviam se afastado, lembraram-se de sua função ao ouvir o brado de Fischer e correram para lavar o pó das faces dos paraquedistas.

No entanto, Fischer não relaxou nem por um instante. Seu semblante continuava tenso, as sobrancelhas fortemente cerradas. Sabia que aquilo fora apenas um recado. Se os inimigos se sentiam tão à vontade para revelar suas habilidades, era sinal de que os demais insetoides também possuíam poderes formidáveis e, provavelmente, confidenciais...

Só o tempo e o esforço para descobrir as habilidades de cada um já seriam suficientes para exauri-los...

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