Capítulo 94: O Rei da Guerra
Capítulo 094 – O Rei da Guerra
As palavras dele não continham qualquer falha, levando a nau-capitânia humana a um profundo estado de reflexão. Era evidente que suas ameaças não eram simples bravatas, mas sim um futuro possível e concreto. Afinal, eles já haviam demonstrado sua capacidade de combate; se quisessem, poderiam facilmente se aliar aos maiores inimigos da humanidade — aqueles que se diziam deuses — e, juntos, exterminar todos os humanos ali presentes.
Desta vez, a questão era a sobrevivência da própria humanidade. De um lado, a própria segurança; do outro, glórias e méritos ao alcance da mão. Qualquer pessoa sensata saberia qual caminho escolher: preservar-se e, ainda assim, colher méritos. Contudo, isso pressupunha trair os interesses do povo humano.
Por isso, havia ali muitos que não eram pessoas comuns. Em especial o comandante de um olho só, cuja expressão se tornou gélida e implacável: “Sendo assim, venham tentar tomar o que querem!” Não havia qualquer indício de concessão em seu rosto. Ele compreendia melhor do que ninguém a diferença entre ceder ou não sua tecnologia — uma diferença que poderia ser medida em décadas ou até mesmo séculos.
Esses anos de vantagem seriam suficientes para a tecnologia humana alcançar outro patamar. Sendo um dos líderes supremos da humanidade, entendia profundamente esse fato. Por isso, mesmo que ali tombassem mais de trinta naves de guerra principais e quarenta naves secundárias, isso não impediria o avanço humano e a ascensão tecnológica. Homens mortos logo seriam substituídos; naves destruídas, reconstruídas; mas uma vantagem tecnológica perdida seria um revés irreparável. O atraso dos pioneiros frente aos que vêm depois não era brincadeira: os que chegam depois podem evitar muitos erros, enquanto os pioneiros são barrados por enormes obstáculos tecnológicos.
Jamais permitiria que essa vantagem inicial caísse nas mãos do inimigo!
Para ele, a partir do momento em que os outros atacaram as forças humanas, tornaram-se seus inimigos.
Por ironia, o Rei Inseto pensava exatamente da mesma maneira! Contudo, embora não tivesse piedade dos inimigos, sentia certa empatia, vinda do mais profundo de sua alma, pelos humanos. Se eles se rendessem, não haveria extermínio total. Porém, em meio à guerra, não haveria espaço para compaixão.
Desde que se tornara Rei dos Insetos, herdara toda a frieza de sua espécie. Só quando se desligava do modo de guerra, algum traço de humanidade lhe retornava.
Infelizmente, devido à ameaça já demonstrada, o Rei Inseto jamais saíra do estado de guerra. Ao ouvir as palavras do comandante humano, não perdeu tempo designando tarefas ao de quatro olhos. As quatro naves-inseto de combate abriram simultaneamente seus olhos, conectando-se à rede da colmeia para iniciar o carregamento de energia.
No passado, os insetos jamais poderiam sustentar uma batalha dessas proporções. Um único disparo custava um bilhão em nutrientes! Normalmente, uma guerra inteira não gastava nem metade disso. Em batalhas anteriores, o Rei Inseto nunca chegara sequer a um décimo desse valor; muitos corpos ainda podiam ser reciclados, tornando a guerra um exercício de máxima economia.
Mas ali, em um conflito interestelar, cada rajada custava bilhões em nutrientes, lançados sem qualquer perspectiva de retorno — um gasto total e absoluto. Era como comparar a filosofia militar de antigas dinastias chinesas, cuidadosas e econômicas, com a dos Estados Unidos: um lado poupava recursos e evitava desperdícios; o outro pouco se importava com custos, desde que atingisse os objetivos táticos e estratégicos.
O mesmo valia para a pesquisa científica: uns buscavam alcançar 80% do resultado com 30 unidades de investimento; outros preferiam gastar 200 para chegar aos 100% almejados. E a experiência mostrava que, para ultrapassar os limites e chegar ao máximo, o preço era inevitavelmente alto.
Muitos sempre desejam fazer milagres com poucos recursos, mas, na prática, apenas países fundados por idealistas de fé inabalável conseguem tal feito, pois contam com pessoas dispostas a abdicar de interesses próprios pelo bem comum. Em qualquer outro caso, seria impossível.
Agora, o Rei Inseto já ultrapassara esse estágio de mesquinharia. Se não tivesse escavado até o manto e explorado a energia geotérmica do planeta como fonte de recursos, reunir centenas de bilhões em nutrientes seria uma missão quase impossível para a colmeia, exigindo um período interminável de alimentação contínua.
Mas agora, o Rei Inseto nadava em um oceano de energia inesgotável, como se transferisse a força de um planeta inteiro de um canto do universo para outro. Era uma sensação quase mística: ele não compreendia os princípios do salto espacial, mas, ao comandar suas naves-inseto, era capaz de realizá-lo.
Do mesmo modo, nem sempre compreendia como certas coisas aconteciam — bastava poder usá-las.
Se fossem humanos em seu lugar, certamente quebrariam a cabeça para entender o “porquê”, assim como o Rei Inseto desejava romper o véu e conquistar a habilidade de saltar pelo espaço. No entanto, às vezes, preocupar-se demais com essas questões é desnecessário. O importante era poder usar!
Então, os olhos das quatro naves-inseto de combate começaram a brilhar intensamente, mirando diretamente a nau-capitânia humana. Quatro feixes de laser perfuraram o escudo de energia em formação, convergindo todos em um único ponto. Um cilindro de luz, com mais de oitenta metros quadrados de área, fundiu o casco como um laser derretendo sorvete, atravessando o centro da nave humana.
O número de pessoas vaporizadas era incalculável, mas ainda mais devastadora era a destruição provocada ao interior da nave. Após atravessar a nau-capitânia, os feixes se dispersaram em quatro direções, repartindo a nave em quatro segmentos exatos, lançando uma chuva de destroços ao espaço. Não eram fragmentos de corpos, pois com cinquenta metros de diâmetro cada raio, qualquer ser humano envolvido desaparecia instantaneamente, reduzido a cinzas.
“Este é o vosso último aviso: rendam-se a mim e pouparei as vossas vidas. Do contrário, este será o vosso destino.”
O rosto do Rei Inseto surgiu em todos os canais de comunicação, a voz serena e o tom afável. Entretanto, suas palavras e ações gelaram a espinha de todos.
Não havia qualquer traço de brincadeira em sua atitude, e não hesitava em consumir recursos e energia. Aquele instante era crucial, e sua demonstração servia também como ameaça velada aos autoproclamados deuses.
Aquela ameaça, silenciosa, sem palavras, era mais eficaz e direta do que qualquer discurso afiado.
E, afinal, as línguas de ambos nem sequer eram compreendidas mutuamente!