Capítulo 71: Uma oportunidade gratuita
Capítulo 071 – Oportunidade Gratuita
Ela estava completamente nua, seu corpo esguio revelado por inteiro, mas os olhos de Cato não se fixavam naquele corpo que já crescera três centímetros; ele mantinha o olhar preso nas asas que se agitavam e nas duas antenas que lentamente se estendiam em sua testa, ficando por um instante sem palavras.
“Esta sensação… é realmente maravilhosa.” Ela respirou fundo, suavemente.
A doçura do ar era algo que os órgãos humanos jamais perceberiam. Esses esporos parasitas, embora fossem inimigos mortais da humanidade, serviam, dentro da nave de guerra, como a base do ecossistema, melhorando as condições ambientais. Por exemplo, a radiação espacial: mesmo camadas espessas de aço não conseguiam bloquear completamente esse tipo de radiação.
Na verdade, o metal facilitava ainda mais a condução dessa radiação. E, uma vez que os esporos parasitas penetravam nos compartimentos internos da nave, começavam a trabalhar diligentemente. Isso era algo que ela só descobriu depois de se tornar parte da colmeia; para os humanos, a radiação era um tormento letal, mas para os esporos, era um petisco agradável. Eles consumiam essa radiação prejudicial e, em troca, produziam oxigênio.
Era por isso que, durante o período em que estiveram capturados, todos dormiam melhor. Os humanos, é claro, desconheciam os reais motivos, atribuindo à ausência de combates o sono mais tranquilo. Na verdade, era graças ao labor silencioso dos insetos que eles podiam descansar em paz.
E ela achava isso profundamente irônico.
Os insetos jamais faziam propaganda de suas ações; assim como haviam providenciado tapetes de fungos e pulgões para alimentar os prisioneiros, alimentos que a rainha produzia para evitar que morressem de fome.
Embora esses itens tivessem utilidades táticas estranhas, era evidente: a colmeia era gentil.
Mas a gentileza dos insetos era algo incompreendido pelos humanos.
Depois de experimentar essa gentileza ao juntar-se a eles, ela decidiu defender a colmeia.
Ela bateu levemente as asas, espalhando um pó prateado ao seu redor, e sorriu satisfeita ao ver o pó pairando no ar. Agora, ela também possuía poderes sobre-humanos: o pó podia paralisar, hipnotizar ou envenenar, usando um, dois ou os três efeitos ao mesmo tempo.
Embora sua capacidade de combate direto fosse limitada, seu valor em apoio era imenso, e sua presença no campo de batalha seria motivo de preocupação para a retaguarda humana – desde que ela estivesse por perto, os humanos teriam de equipar filtros de ar em grande quantidade, como se estivessem enfrentando uma arma biológica.
E seus poderes não se limitavam a isso, mas já eram suficientes.
O pó espalhou-se lentamente pelo ambiente, tornando o raciocínio de Cato cada vez mais lento.
Com um olhar sedutor, ela perguntou: “Cato, você gosta de mim, não é?”
“Ah? Hm...” Cato murmurou, atordoado.
“Você quer ficar comigo para sempre, não quer?”
“Sim…”
“Então não deveria mudar de raça e viver comigo eternamente?”
“Sim…”
Ele entrou cambaleante no tanque de modificação e declarou à mãe-inseto: “Quero me tornar parte da colmeia.”
A mãe-inseto não demonstrou reação, e a rainha tampouco se importou; afinal, transferir consciências era apenas uma função acessória. O objetivo inicial, ao criar os insetos de rede, era apenas fazer com que aqueles meio-humanos ajudassem a controlar a nave.
A rainha jamais pensara em transferir consciências, em transformar mortos em membros da colmeia. Mas o mundo é assim: tudo tem utilidade, depende apenas de quem sabe usá-la e para que serve.
O universo é cheio de surpresas; quando se depara com tais situações, jamais se pensa que um recurso aparentemente trivial possa ser essencial.
A rainha sorriu e balançou a cabeça, o que surpreendeu Ana.
“Majestade, há algum problema?”
“Ana, você quer se tornar completamente parte da colmeia?”
“Por favor, permita-me essa honra.” Ela ajoelhou-se, feliz e orgulhosa, cruzando as mãos sobre o peito.
Ela aprendera isso com Silva e, de fato, aprendera rápido, o que agradou à rainha: “Então vá.”
“E este corpo, ainda é necessário?” Na nave Estrela do Lago, a mãe-inseto perguntou de repente.
Ela apontava para o corpo de Carina, que repousava no tanque de nutrição.
Ali, sua cabeça estava envolta em uma membrana biológica rosada, pulsando levemente, ainda funcionando.
Na verdade, se quisesse, poderia sobreviver indefinidamente com os nutrientes da colmeia – embora o sabor não fosse o mais agradável.
“Não, deixe que ela retorne orgulhosamente à colmeia!” Ela respondeu com firmeza, recusando-se a aceitar a sugestão da mãe-inseto. Em termos hierárquicos, elas eram equivalentes.
Mesmo Silva não recebera privilégios especiais da rainha.
No cotidiano, todos tinham o mesmo status; apenas em tempos de guerra eram classificados conforme as “autorizações”.
Os membros de menor grau jamais podiam desafiar os superiores.
Foi assim que a rainha encontrou uma forma de manter tanto a vitalidade social quanto a disciplina organizacional.
Além disso, a colmeia possuía sua própria moeda: pontos de contribuição. Qualquer um que contribuísse ganhava pontos, atrelados às suas informações pessoais e armazenados na mente de um milhão de mães-inseto. Mesmo após a morte, era possível renascer conforme os pontos acumulados – com consciência, as possibilidades da colmeia multiplicaram-se.
Especialmente porque as consciências podiam se desligar das águas-vivas rosadas e ingressar diretamente na rede da colmeia.
Assim, mesmo mortos em combate, podiam renascer em outra colmeia pela rede – tornando a colmeia ainda mais temível.
Esse foi um golpe de sorte da rainha; antes disso, morte era o fim. Nem mesmo a leal Senhora Aranha, Ana, poderia ser ressuscitada.
Mas agora, a rainha possuía um exército que podia renascer infinitamente.
Todos sabiam que soldados evoluem aprimorando suas habilidades em combate; um exército imortal prometia feitos extraordinários no futuro.
“Ele não possui consciência própria, não pode escolher qual aprimoramento deseja”, disse a mãe-inseto a Carina.
Embora todos fossem parte da colmeia, era possível escolher diferentes aprimoramentos, capazes até de anular as vantagens humanas em engenharia mecânica.
“Então…” Os olhos de Carina brilharam, e ela respondeu...
Pessoas como Carina não eram raras. Entre os humanos capturados pela colmeia, mais de quarenta por cento aceitavam tornar-se parte dela, vendo nisso uma chance de sobrevivência na guerra contra a humanidade.
Só depois de se tornarem colmeia é que percebiam os benefícios: mesmo que todos começassem com zero pontos de contribuição, ao se tornar inseto pela primeira vez, tinham direito a uma oportunidade de aprimoramento... gratuita.
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Ontem, minhas costas doeram muito, quase não aguentei. Às vezes, dá realmente vontade de desistir, principalmente quando a dor é insuportável.
Hoje, com certeza, haverá um segundo capítulo.