Capítulo 13: O Acontecimento

Ensinando Kenjutsu no Mundo dos Ninjas Morador da Residência Lunar 2633 palavras 2026-02-08 05:57:15

O sol, relutante, afundou-se no mar, enquanto o véu negro da noite começava a cobrir lentamente o firmamento. Com o corpo ensanguentado, Zabuza retornou à entrada do campo de treinamento. Não disse muita coisa a Araki, apenas permaneceu em silêncio, parado ali. Contudo, a aura de sangue e hostilidade que emanava era impossível de ignorar, brilhando como vagalumes na escuridão.

“Incrível, uma aura tão intensa... não é de se espantar que o chamem de ‘Demônio’!” Araki admirava-se em pensamento.

A espada é, por natureza, uma arma destinada ao massacre; em muitas escolas de esgrima, a energia assassina ou hostil é utilizada como uma força auxiliar para ampliar o poder dos golpes. Havia, por exemplo, uma técnica famosa chamada “Onda de Intenção Assassina”, que permitia converter o desejo de matar em uma energia que se propagava ao redor, oprimindo o espírito dos inimigos.

Aos olhos de Araki, Zabuza era o melhor material possível para aprender o Caminho do Espadachim Asura! Uma pena que ele mesmo não dominava a “Onda de Intenção Assassina”, pois adoraria ver os resultados desse poder combinado com a aura sanguinária de Zabuza.

Enquanto pensava nisso, sua mente vagueou novamente. “Afinal, essa onda também é uma forma de percepção. Asura sacrificou a visão para obtê-la, mas há um jutsu que pode replicar parcialmente esse efeito.”

Sim, era o jutsu emblemático de Zabuza, ou melhor, o jutsu símbolo da Vila Oculta na Névoa: a Técnica da Névoa Oculta! Um jutsu que leva o nome da própria vila, o que já indica sua importância.

Apesar de ser apenas uma técnica de nível D, dominada facilmente por genins, sua eficácia em combate era notável. Exceto quando confrontada por poderosos jutsus de vento, a Técnica da Névoa podia bloquear massivamente a visão dos inimigos, enquanto o usuário, com apoio de ninjas sensoriais, localizava os adversários em meio à neblina espessa.

Em duelos individuais, talvez não fizesse tanta diferença; porém, em batalhas de grupo, seu poder devastador era enorme. Os inimigos, incapazes de cobrir todos os flancos, eram rapidamente divididos e derrotados um a um pela força concentrada dos ninjas da Névoa.

Agora, Araki olhava para Zabuza como quem, ao tirar uma carta rara num jogo, pensa em descartá-la, mas, de repente, descobre que ela pode evoluir para algo ainda mais extraordinário. Havia potencial para uma evolução surpreendente!

Assim, sua curiosidade e interesse cresceram intensamente. No momento em que Araki planejava como treinar Zabuza, os últimos raios do crepúsculo se extinguiram no horizonte: o tempo do exame de graduação da escola ninja chegara ao fim.

Clac!

O som da fechadura ecoou na porta principal da entrada número um. O examinador abriu a porta e entrou, olhando para Zabuza e Araki na entrada, e para os corpos espalhados não muito longe dali, franzindo o cenho.

— Só restaram dois vivos do Grupo A? — Ainda não percebera a gravidade da situação; imaginava apenas que a má sorte na divisão dos grupos havia reunido os mais fortes no Grupo B, condenando o Grupo A à derrota.

— Muito bem, vocês dois venham comigo. Vamos nos reunir com os sobreviventes do Grupo B. Parabéns, pirralhos, a partir de hoje vocês são genins! — O examinador esboçou um sorriso feroz, pronto para conduzi-los para fora.

Sussurro!

Uma brisa leve passou, e uma figura familiar apareceu subitamente à sua frente.

— Ueno? — O examinador, Kuryu, mostrou-se surpreso. — Por que veio sozinho? Onde estão os outros do Grupo B?

Era Ueno Aoshi, o examinador responsável por conduzir o Grupo B ao campo de treinamento número quatro. Seu rosto estava pálido de horror, como se tivesse presenciado algo indescritível. Gritou para Kuryu:

— Morreram! Todos morreram! Eles estão todos mortos!

Vendo Ueno naquele estado, gritando coisas como “todos morreram” feito um louco, o instinto de ninja de Kuryu o alertou de que havia algo profundamente errado.

Deu dois passos à frente, agarrou o colete de Ueno e fitou seus olhos com intensidade.

— Explique direito. O que morreu? Quem morreu?

Ueno, atordoado, conseguiu se acalmar um pouco diante do olhar ameaçador de Kuryu.

— Os candidatos do Grupo B. Todos os candidatos do Grupo B estão mortos. Nenhum voltou para a entrada!

— O quê?! — As pupilas de Kuryu se estreitaram. Uma onda de choque percorreu sua espinha, deixando-o entorpecido e sem forças; até a mão que segurava o colete de Ueno afrouxou.

— Isso não pode ser...

Com o olhar vazio, murmurou para si mesmo. Kuryu sabia que, se Ueno dizia a verdade, então a situação era gravíssima.

O sistema de graduação da escola ninja da Vila Oculta na Névoa era cruel, mas seu objetivo final era selecionar os melhores ninjas novatos, não exterminar gerações inteiras.

Como um jounin especial, Kuryu era considerado uma das forças essenciais da vila. Vindo de família comum, também fora aluno da escola ninja, sofrendo na pele o tormento de lutar contra colegas.

Na época, também não compreendia, e até odiava, o Terceiro Mizukage, que instituíra tal sistema. Porém, à medida que suas habilidades cresciam e seu mundo se ampliava, Kuryu deixou de olhar apenas para si e passou a considerar as necessidades da vila.

Para as Cinco Grandes Vilas Ninjas, equilibrar a relação entre os clãs ninja e os ninjas de origem civil sempre fora um desafio constante. No início, os clãs eram poderosos e numerosos, ocupando quase toda a vantagem. Sem apoio do governo, os civis jamais teriam chance de ascender.

Afinal, os ninjas de clãs tinham história, acesso à melhor educação e, em alguns casos, poderes hereditários ou técnicas secretas; sua linha de partida era muito superior à dos civis.

Nessas condições, os ninjas civis simplesmente não tinham como competir.

Mas a diferença entre a era dos clãs e a era das vilas estava justamente no fato de que a maioria da população das vilas era composta de civis, não de membros de clãs.

Os mais esclarecidos percebiam que a popularização e civilização da profissão ninja era uma tendência irreversível do futuro. Aquele que ficasse para trás nesse aspecto enfrentaria, em futuras guerras, o pesadelo de ter apenas alguns milhares diante de exércitos de dezenas de milhares.

A Vila Oculta na Névoa não era exceção. Ademais, o Primeiro Mizukage, Lótus Branca, era de origem civil e sempre defendeu políticas de apoio aos ninjas civis para equilibrar o poder dos clãs.

Porém, o maior obstáculo a essa política era justamente a aliança dos clãs possuidores de habilidades especiais.

O Primeiro Mizukage, Lótus Branca, faleceu pouco depois da fundação da vila. Seu sucessor foi Hozuki Mangetsu, do clã Hozuki.

Hozuki Mangetsu não era uma pessoa má, rigorosamente falando. Era otimista, bem-humorado, inteligente e carismático; sob seu comando, a vila prosperou. Contudo, seu maior problema era sua origem nobre: quanto mais forte se tornava, maior era a influência dos clãs liderados pelos Hozuki, o que contrariava a política do Primeiro Mizukage.

Por sorte, na Primeira Grande Guerra Ninja, o Segundo Mizukage morreu junto ao Segundo Tsuchikage. O sucessor, que fora guarda-costas do Primeiro Mizukage e herdara seus ideais, tornou-se o Terceiro Mizukage.

Ele imediatamente reformulou a política de formação de ninjas, e, para compensar o atraso no treinamento de civis durante o governo de seu antecessor, decidiu selecionar, de forma ainda mais cruel, os talentos civis para serem especialmente treinados.

E assim nasceu a Política da Névoa Sangrenta.